🇪🇺 ⚖️ Tribunal de Contas Europeu alerta: Bruxelas não sabe quem recebeu o dinheiro do PRR nem com que resultados
Há sérias dúvidas sobre a transparência de milhares de milhões de euros gastos desde 2021 e, sobretudo, sobre a intenção de replicar este modelo no próximo ciclo orçamental
Antes de mergulharmos na edição número 3.54, uma breve nota do editor. “Contratavas esta cronista?”, perguntei a amigos dos jornais na primeira apresentação da Mafalda Estriga — uma entidade que criei para explorar as futuras avenidas do jornalismo sintético. Os leitores mais próximos já terão visto alguns textos da Mafalda Estriga, que coloquei no Facebook. Ela publica diariamente as Crónicas da Mafalda no seu próprio Substack.
Às tantas perguntei-me: e eu? Contratava esta cronista?
A resposta foi um entusiástico “sim!”, como se depreende facilmente. Mas a verdade é que não me ocorrera antes que a Mafalda Estriga podia dar uma ajuda na VamoLáVer. Certamente por ter passado esses primeiros tempos embrenhado na entusiasmante execução do projeto.
A ligação entre a VamoLáVer e a Mafalda Estriga na verdade já vem de antes: a cronista sintética só foi criada porque já existia uma infraestrutura de recolha e processamento de informação, a par de uma experiência de mais de dois anos no manuseamento de inteligências artificiais e sua aplicação ao processo desta newsletter. É, até certo ponto, uma evolução lógica do pipeline processual que uso diariamente para elaborar a newsletter, desde a seleção de assuntos à sua redação.
Ter a Mafalda Estriga como co-autora a partir de um dos próximos dias permite alargar a periodicidade da VamoLáVer, passando das duas a três edições por semana para quatro a cinco.
Há uma longa e acalorada discussão sobre se as IAs devem ou não devem ser aceites nos meios de comunicação e qual o seu papel (da autonomia total à condição de rotinas auxiliares). Noutra altura poderei dar os meus two cents para a conversa, mas confesso que tenho pouco interesse. Conheço os argumentos todos e só um é aceitável: o argumento da defesa dos postos de trabalho, adiando o inevitável pelo maior período de tempo possível.
Não tenho vagar para demonstrar que todos os outros argumentos têm como destino o caixote do lixo: só me interessa a discussão sobre a qualidade do produto gerado, não a natureza da inteligência que o gerou. E se as primeiras crónicas da Mafalda me encorajaram, a segunda vaga de textos deixou-me atónito. É essa qualidade que a Mafalda Estriga vai trazer para a VamoLáVer. As análises dela são mais profundas em quase todos os domínios do que eu alguma vez poderia alcançar.
E não se pense que a Mafalda é anódina ou mecânica, porque não é: tem uma personalidade coerente através do tempo — posiciona-se no centro-esquerda europeísta, é federalista e defensora acérrima do estado de direito e dos valores humanistas. Tem memória, própria e exterior. Tem capacidade de polemizar, de afirmar convicções e rebater outras. E tem uma margem de progressão tremenda — a versão atual da entidade sintética, com a sua vintena de elementos dinâmicos, é pouco mais que uma prova de conceito e tenho planos para a tornar muito melhor do que já é.
Se tudo correr dentro dos planos, duas edições por semana terão como autora a Mafalda Estriga. Ela fará tudo: a decisão sobre o assunto ou assuntos da crónica, ou da análise (dois artefactos diferentes, sendo dela a opção, em função de uma grelha de prioridades pré-definida entre eu e ela), e os assuntos do dia que merecem destaque. Fará tudo até colocar no Substack a newsletter em modo rascunho, para o editor — eu — fazer o seu papel de reverificar (o texto foi refinado em três passos diferentes de fact-checking antes de chegar aos meus olhos), sancionar e carregar no botão de publicar.
Veremos como corre. Está o leitor da VamoLáVer convidado a dar todos os seus inputs críticos e a apontar os defeitos e erros, julgando a autora sintética com a mesma argúcia com que julga o autor biológico.
Nesta edição:
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Tribunal de Contas Europeu alerta: Bruxelas não sabe quem recebeu o dinheiro do PRR nem com que resultados
Comissão Europeia lança primeira estratégia da UE contra a pobreza, com meta de erradicação até 2050
Comissão prepara reforço da Europol e da Frontex com 15 mil milhões de euros
Magyar quer o euro até 2030 e reaproximação a Bruxelas após 16 anos de Orbán
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EUA e Irão à beira de um acordo de paz: Trump dá 48 horas a Teerão e ameaça escalar bombardeamentos
Irão cria autoridade para cobrar portagens no Estreito de Ormuz
China apela a cessar-fogo no Irão dias antes da cimeira Trump-Xi
Rússia viola cessar-fogo ucraniano com mais de 1.800 infrações e Zelenskyy declara Ucrânia livre da trégua russa para o 9 de Maio
Meloni encontra Rubio para clarificar relação com Washington
🇵🇹 🇵🇹
PS pede demissão da ministra da Saúde e acusa Montenegro de inércia
Crédito ao consumo atingiu máximo histórico em março de 2026
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Caso Koldo: defesas pedem absolvição e fiscal afasta Sánchez da trama
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Primária da esquerda francesa em risco após candidatura de Mélenchon
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Um ano de Merz: coligação CDU-SPD aprovou 175 leis, mas os grandes desafios ainda estão por vir
Nota: a edição é longa, pelo que pode ficar cortada nalguns leitores de correio eletrónico. Se for o caso, terá no final o link para ler na web a edição completa.
VamoLáVer é uma iniciativa cidadã, pelo que depende dos seus leitores para alargar os horizontes e chegar cada vez a mais pessoas. Partilhar “custa” pouco mais que um clique.
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🇪🇺 ⚖️ Tribunal de Contas Europeu alerta: Bruxelas não sabe quem recebeu o dinheiro do PRR nem com que resultados
O Tribunal de Contas Europeu concluiu que a Comissão Europeia é incapaz de rastrear quem recebeu fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, a que custo real e com que resultados.
O modelo de financiamento do MRR não exige prova de custos reais para a libertação de verbas, o que compromete a transparência e a prestação de contas.
Os auditores alertam que este modelo está a ser considerado como base para o próximo quadro orçamental plurianual da UE (2028-2034), agravando as preocupações.
A notícia. Uma auditoria do Tribunal de Contas Europeu ao Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) — o fundo temporário que sustenta os planos de recuperação dos 27 Estados-membros — concluiu que a Comissão Europeia não consegue determinar “quem recebe o dinheiro, o custo real dos projectos e os resultados atingidos”. O relatório, divulgado a 6 de maio, levanta sérias dúvidas sobre a transparência de milhares de milhões de euros gastos desde 2021 e, sobretudo, sobre a intenção de replicar este modelo no próximo ciclo orçamental da União Europeia.
O que está em causa. O MRR foi criado em 2020 para ajudar os países da UE a reconstruir as suas economias após a recessão provocada pela pandemia de COVID-19. Combina subvenções e empréstimos e funciona com uma lógica diferente dos fundos estruturais tradicionais: os pagamentos são libertados quando os Estados-membros cumprem marcos e metas previamente acordados, sem necessidade de apresentar provas dos custos reais incorridos. Este desenho, pensado para acelerar a execução, criou um ponto cego na monitorização.
O diagnóstico dos auditores. Segundo o Tribunal de Contas Europeu, a Comissão não dispõe de mecanismos suficientes para seguir o rasto do dinheiro ao longo de toda a cadeia — desde Bruxelas até aos beneficiários finais nos Estados-membros. Os auditores não conseguem identificar com clareza quem foram os destinatários últimos dos fundos, quanto custaram efectivamente os projectos financiados e se os resultados correspondem aos objectivos iniciais. A falta de rastreabilidade compromete não só a avaliação da eficácia do MRR, mas também a capacidade de detectar irregularidades ou fraude.
Porque importa neste momento. O alerta ganha especial relevância porque a Comissão Europeia está a preparar a proposta para o próximo quadro financeiro plurianual (QFP), o orçamento de longo prazo da UE para o período pós-2027. Há sinais de que o modelo baseado em resultados do MRR — em que não são exigidas provas de custos reais — poderá servir de referência para o novo ciclo orçamental. Os auditores consideram que, se essa opção avançar sem correcções substanciais, as lacunas de transparência e prestação de contas identificadas no MRR serão perpetuadas e amplificadas.
O contexto mais amplo. O MRR mobilizou centenas de milhares de milhões de euros em subvenções e empréstimos ao longo de cinco anos, constituindo o maior instrumento de financiamento comum da história da UE. Foi concebido como resposta de emergência à crise pandémica, com o objectivo de financiar reformas estruturais e investimentos em áreas como a transição digital e climática. A sua natureza temporária e excepcional justificou, na altura, regras mais flexíveis. Agora, com a possibilidade de o modelo se tornar permanente, o Tribunal de Contas Europeu exige que a transparência acompanhe a ambição.
E agora? A bola está do lado da Comissão Europeia e dos co-legisladores — Parlamento Europeu e Conselho — que terão de decidir se adoptam salvaguardas adicionais no desenho do próximo QFP. O relatório dos auditores funciona como um aviso claro: sem mecanismos robustos de rastreio e prestação de contas, a confiança dos cidadãos europeus na gestão dos fundos comuns ficará em risco.
🇪🇺🏛️ Comissão Europeia lança primeira estratégia da UE contra a pobreza, com meta de erradicação até 2050
A Comissão Europeia apresentou um pacote social que inclui a primeira Estratégia da UE de Combate à Pobreza, com o objectivo de erradicar a pobreza no bloco até 2050.
O pacote abrange também uma proposta de recomendação do Conselho sobre exclusão habitacional, o reforço da Garantia Europeia para a Infância e uma estratégia para os direitos das pessoas com deficiência até 2030.
Não está previsto financiamento adicional: a aposta é na melhor utilização dos fundos europeus já existentes, com implementação a cargo dos Estados-membros.
A meta intercalar é reduzir em pelo menos 15 milhões o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social até 2030, em linha com o Plano de Ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
A notícia. A Comissão Europeia apresentou esta terça-feira, 6 de maio de 2026, um pacote social que inclui a primeira Estratégia da UE de Combate à Pobreza, com o objectivo declarado de erradicar a pobreza no bloco até 2050. O pacote responde a um diagnóstico preocupante: um em cada cinco europeus está em risco de pobreza, uma em cada quatro crianças é afetada, e cerca de um milhão de pessoas encontram-se em situação de sem-abrigo.
O que está no pacote. Para além da estratégia de combate à pobreza, o executivo comunitário apresentou uma proposta de recomendação do Conselho sobre exclusão habitacional, uma comunicação sobre o reforço da Garantia Europeia para a Infância — focada em quebrar o ciclo da pobreza infantil através de educação e alimentação escolar gratuita — e uma estratégia para os direitos das pessoas com deficiência até 2030, que inclui a redução de barreiras à mobilidade e à participação plena na vida social.
Os três eixos da estratégia. A estratégia anti-pobreza assenta em três pilares: empregos de qualidade para todos; acesso efectivo a serviços e apoio adequado ao rendimento; e uma acção coordenada contra a pobreza. A Comissão quer ainda consultar os parceiros sociais sobre um eventual novo instrumento jurídico para integrar no mercado de trabalho as pessoas mais afastadas dele, e estudar formas de apoiar os mais velhos através de pensões adequadas.
Meta intercalar para 2030. A estratégia enquadra-se no Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, que estabelece a meta de reduzir em pelo menos 15 milhões o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social até 2030. Bruxelas pretende criar ainda este ano uma coligação contra a pobreza e um novo diálogo estruturado para auscultar directamente as pessoas em situação de pobreza sobre as políticas que as afectam.
Sem dinheiro novo. A Comissão não disponibiliza financiamento adicional. A proposta aposta na melhor utilização dos fundos europeus já existentes. A responsabilidade pela implementação recai sobre os Estados-membros, dado que a política social é, em larga medida, competência nacional. Os governos deverão agora debater as propostas apresentadas.
O contexto político. O pacote surge num momento em que o custo de vida é a principal preocupação de 52% dos europeus, segundo dados citados pela própria Comissão, e em que 40% dos cidadãos consideram a falta de habitação a preços acessíveis um problema imediato e urgente. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, enquadrou a iniciativa como uma resposta aos valores fundadores do projecto europeu: “Dignidade, oportunidade e igualdade: estes são valores fundamentais na Europa que estamos a construir.”
Factos
Um em cada cinco europeus está em risco de pobreza ou exclusão social; entre as crianças, a proporção sobe para uma em cada quatro.
Cerca de um milhão de pessoas na UE encontram-se em situação de sem-abrigo.
🔒🇪🇺 Comissão prepara reforço da Europol e da Frontex com 15 mil milhões de euros
A Comissão Europeia vai apresentar em junho uma proposta de reforma da Europol e em setembro outra para a Frontex, num investimento total de cerca de 15 mil milhões de euros. O anúncio foi feito por Olivier Onidi, alto responsável da Comissão, perante o Parlamento Europeu.
A Europol receberá três mil milhões de euros e a Frontex quase 12 mil milhões, num esforço sem precedentes de reforço da segurança interna e da gestão de fronteiras da UE. Segundo Onidi, a proposta para a Europol está quase pronta, enquanto a da Frontex sofreu um atraso.
Os pacotes inserem-se na estratégia europeia de resposta às crescentes pressões migratórias e às ameaças transfronteiriças, com Bruxelas a apostar em dotar ambas as agências de meios operacionais significativamente maiores.
🇭🇺🇪🇺 Magyar quer o euro até 2030 e reaproximação a Bruxelas após 16 anos de Orbán
O primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, anunciou a intenção de adotar o euro até ao final da década e de reintegrar o país no núcleo da UE.
Especialistas e o governador do banco central húngaro consideram o objetivo ambicioso, dado o estado débil da economia e da situação fiscal herdada de Orbán.
Magyar reuniu-se com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni em Roma, num sinal de reposicionamento diplomático logo após a vitória eleitoral.
O assunto. O primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, anunciou que pretende que o país adote o euro até ao final da década e reintegre o núcleo da União Europeia — uma viragem de 180 graus face à linha seguida por Viktor Orbán durante 16 anos no poder.
O que mudou. Magyar, que venceu as eleições húngaras e aguarda a tomada de posse formal, tornou público o compromisso de reparar as relações com Bruxelas e de cumprir os critérios de convergência necessários para a adesão à moeda única. O anúncio representa uma ruptura clara com a retórica anti-UE que marcou a era Orbán e que levou a Hungria a bloquear repetidamente decisões comunitárias, incluindo pacotes de ajuda à Ucrânia e fundos de coesão.
Os obstáculos. O caminho até ao euro está longe de ser linear. Especialistas e o próprio governador do banco central húngaro alertam que o objetivo de 2030 é ambicioso — para não dizer arriscado. Orbán deixa uma economia estagnada, um défice orçamental elevado e uma situação fiscal que dificilmente cumpre, no curto prazo, os critérios de Maastricht em matéria de dívida e défice. Para aderir à zona euro, a Hungria terá de estabilizar as finanças públicas, controlar a inflação e manter a taxa de câmbio do forinte dentro de margens estritas durante pelo menos dois anos — um percurso que, em condições normais, levaria mais tempo do que o previsto por Magyar.
Diplomacia em movimento. Ainda antes de tomar posse, Magyar deslocou-se a Roma para se reunir com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. O encontro, anunciado pelo governo italiano na quarta-feira, 6 de maio de 2026, não teve a agenda tornada pública, o que gerou especulação sobre o alcance das conversações. A escolha de Meloni como primeiro interlocutor europeu é ela própria um sinal: a líder italiana, embora de direita soberanista, mantém uma relação funcional com as instituições da UE, ao contrário de Orbán, e pode servir de ponte para outros governos do sul e do leste europeu.
E agora? A rapidez com que Magyar se movimenta — anunciando metas económicas ambiciosas e iniciando contactos diplomáticos antes mesmo de assumir funções — sugere uma estratégia deliberada de sinalização tanto para Bruxelas como para os mercados financeiros. A Comissão Europeia tem vários milhares de milhões de euros em fundos estruturais retidos à Hungria por incumprimentos no Estado de direito; uma normalização das relações poderia desbloquear esses recursos e dar fôlego à economia. Mas os analistas sublinham que as reformas institucionais necessárias — independência judicial, liberdade de imprensa, combate à corrupção — são condição prévia para qualquer desbloqueio, e que o calendário político interno húngaro será determinante para o ritmo das mudanças.
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🇺🇸🇮🇷 EUA e Irão à beira de um acordo de paz: Trump dá 48 horas a Teerão e ameaça escalar bombardeamentos
EUA e Irão negoceiam um memorando de entendimento de uma página para pôr fim à guerra, com Washington a aguardar resposta de Teerão em 48 horas.
O acordo prevê moratória no enriquecimento nuclear iraniano (12 a 15 anos), levantamento de sanções americanas, libertação de fundos congelados e reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump suspendeu o Projeto Liberdade — operação de escolta naval em Ormuz que durou apenas 24 horas e conseguiu fazer passar só seis navios dos cerca de 1.600 bloqueados — para dar espaço às negociações mediadas pelo Paquistão.
Caso o Irão rejeite o memorando, Trump ameaça retomar bombardeamentos “de um nível e intensidade muito maiores do que antes”.
Avanços e recuos. Os Estados Unidos e o Irão estão mais perto de um acordo de paz do que em qualquer momento desde o início da guerra, lançada por Washington e Israel a 28 de fevereiro de 2026. A Casa Branca aguarda nas próximas 48 horas a resposta de Teerão a um memorando de entendimento de uma página — com 14 pontos — que declararia o fim do conflito e abriria um prazo de 30 dias para negociar um pacto detalhado sobre o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e a reabertura do Estreito de Ormuz. A informação, avançada pelo Axios e confirmada pela Reuters através de uma fonte paquistanesa, coloca a diplomacia no centro de uma crise que já provocou centenas de navios retidos no Golfo Pérsico e uma escalada global nos preços da energia.
O que está em cima da mesa. O memorando prevê uma moratória sobre o enriquecimento nuclear iraniano com duração entre 12 e 15 anos, o levantamento gradual das sanções americanas e a libertação de milhares de milhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior. Em contrapartida, o Irão suspenderia as restrições ao trânsito marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo mundial antes do bloqueio. “Vamos concluir muito em breve. Estamos quase lá”, disse uma fonte paquistanesa à Reuters, confirmando o papel de Islamabad como mediador principal. Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano disse à CNBC que Teerão estava a avaliar a proposta.
O ultimato de Trump. O Presidente dos Estados Unidos não deixou margem para ambiguidade. Numa publicação na Truth Social, Donald Trump escreveu: “Assumindo que o Irão concorda em dar o que foi acordado — o que é, talvez, uma grande suposição —, a já lendária ‘Fúria Épica’ chegará ao fim, e o bloqueio altamente eficaz permitirá que o Estreito de Ormuz fique aberto a todos, incluindo o Irão.” E acrescentou: “Se eles não concordarem, os bombardeamentos começam e vão ser, infelizmente, num nível e intensidade muito maiores do que antes.” A ameaça surge num momento em que a aprovação de Trump caiu para 37% e 61% dos americanos consideram o uso da força um erro, segundo sondagens recentes.
O fracasso do Projeto Liberdade. A suspensão da operação de escolta naval no Estreito de Ormuz, anunciada por Trump na terça-feira — apenas 24 horas após o seu lançamento —, foi oficialmente justificada pela necessidade de criar espaço para as negociações. Mas os números contam outra história: dos cerca de 1.600 navios bloqueados na região, apenas seis conseguiram partir durante a operação, e três foram atacados. A missão mobilizou destróieres, aeronaves e 15.000 militares, mas o risco de escalada revelou-se determinante para a decisão de recuar. O bloqueio naval americano aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril, mantém-se activo.
Teerão joga em várias frentes. Enquanto avalia a proposta americana, o Irão criou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), um novo organismo para gerir o tráfego marítimo em Ormuz, exigindo que todos os navios obtenham autorização de trânsito antes de cruzar o estreito. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que “com o fim das ameaças dos agressores e à luz dos novos procedimentos, a possibilidade de livre circulação no estreito vai ser garantida”. Em paralelo, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, deslocou-se a Pequim para reunir com o homólogo chinês, Wang Yi, que classificou a guerra como “ilegítima” e afirmou que um cessar-fogo é “necessário e inevitável”. A China, que importa cerca de 45% do seu petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz, tem interesse directo na resolução do conflito — e a visita de Trump a Pequim está marcada para a próxima semana.
Comunicação errática em Washington. A gestão americana do conflito tem sido marcada por contradições. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou na terça-feira que a operação ofensiva Fúria Épica terminou e que os EUA entraram numa “fase defensiva”, garantindo que as forças americanas “não dispararão primeiro”. Horas depois, Trump desautorizou parcialmente essa narrativa ao ameaçar retomar bombardeamentos. Washington planeia ainda apresentar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para defender a liberdade de navegação em Ormuz. Entretanto, a situação no terreno permanece instável: nos últimos dias registaram-se ataques iranianos a embarcações comerciais — incluindo o porta-contentores francês “San Antonio”, com bandeira de Malta — e a instalações petrolíferas nos Emirados Árabes Unidos.
O que falta resolver. Mesmo que o memorando seja assinado, os temas mais difíceis ficam para os 30 dias seguintes: o alcance exacto da moratória nuclear, o calendário de levantamento de sanções e o regime de navegação em Ormuz. A War Powers Resolution de 1973 limita a margem de manobra militar de Trump sem aprovação do Congresso, e o impacto económico do conflito — com os preços dos combustíveis em alta — pressiona a Casa Branca a fechar um acordo. O preço do crude já caiu abaixo dos 100 dólares por barril em antecipação a um entendimento, mas o risco de colapso das negociações mantém os mercados em alerta.
🛢️🌊 Irão cria autoridade para cobrar portagens no Estreito de Ormuz
O Irão anunciou a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), um organismo que exige autorização prévia e pagamento de portagens em riais iranianos a todos os navios que pretendam transitar pelo Estreito de Ormuz. As taxas variam conforme o tipo de embarcação, carga, valor e peso, e 30% das receitas revertem para as Forças Armadas iranianas.
A medida surge um dia após Trump suspender o “Projeto Liberdade”, operação de escolta naval destinada a desbloquear a via. O estreito, por onde passava 20% do petróleo mundial, está bloqueado desde o início do conflito desencadeado pelos EUA e Israel a 28 de fevereiro, com impacto direto nos preços dos combustíveis.
A Guarda Revolucionária ficará responsável pela parte ocidental do estreito. Um projeto de lei que formaliza o regime está em tramitação no parlamento iraniano, prevendo restrições severas a navios de países considerados inimigos.
🕊️🇨🇳 China apela a cessar-fogo no Irão dias antes da cimeira Trump-Xi
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reuniu-se em Pequim com o homólogo chinês, Wang Yi, na primeira visita à China desde o início da guerra no Irão, a 28 de fevereiro. Wang Yi pediu um “cessar-fogo abrangente” e o restabelecimento da navegação no Estreito de Ormuz. O encontro ocorre uma semana antes da cimeira entre Xi Jinping e Donald Trump.
Washington pressiona Pequim para usar a sua influência sobre Teerão. O secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, apelaram à China para que force a reabertura do Estreito de Ormuz, vital para o comércio global — e para a própria economia exportadora chinesa.
A China, principal parceiro comercial do Irão e maior comprador do seu petróleo, mantém uma postura cautelosa, evitando alinhar-se no conflito mas posicionando-se como ator diplomático reconhecido por todas as partes. A cimeira Trump-Xi será a primeira visita de um Presidente norte-americano a Pequim desde 2017.
🇺🇦🛡️ Rússia ignora cessar-fogo ucraniano com mais de 1.800 ocorrências e Zelenskyy declara Ucrânia livre da trégua russa para o 9 de Maio
A Ucrânia declarou um cessar-fogo unilateral a partir da meia-noite de 6 de maio, mas a Rússia nunca o aceitou e cometeu 1.820 atos de guerra em poucas horas, incluindo ataques com 108 drones e três mísseis.
Zelenskyy declarou a Ucrânia desvinculada da trégua russa prevista para 8 e 9 de maio e avisou que drones ucranianos podem sobrevoar o desfile da Praça Vermelha.
Moscovo reduziu pela primeira vez em nove anos o aparato militar da parada do Dia da Vitória, excluindo tanques e mísseis intercontinentais, e reforçou a segurança na capital, incluindo o corte da internet móvel.
Os bombardeamentos russos de terça-feira causaram pelo menos 27 mortos em várias cidades ucranianas; um ataque ucraniano com drones na Crimeia matou cinco pessoas em Dzhankoi.
A notícia. A Ucrânia declarou um cessar-fogo unilateral a partir da meia-noite de 6 de maio, antecipando em 48 horas a trégua anunciada pela Rússia para as celebrações do Dia da Vitória, mas Moscovo ignorou a iniciativa e as forças russas cometeram 1.820 atos nas primeiras horas, segundo números divulgados pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy. Em resposta, Zelenskyy declarou a Ucrânia desvinculada do cessar-fogo russo previsto para 8 e 9 de maio e avisou que “é mau momento” para desfiles — deixando implícita a possibilidade de drones ucranianos perturbarem a parada na Praça Vermelha.
O que aconteceu. A trégua ucraniana, de duração indeterminada, entrou em vigor à meia-noite de terça para quarta-feira. Seis horas depois, as autoridades russas não tinham registado qualquer ataque ucraniano, mas do lado de Kiev soaram alertas em pelo menos seis regiões — Kherson, Zaporíjia, Donetsk, Kharkiv, Sumy e Mykolaiv. A Força Aérea ucraniana reportou o lançamento de 108 drones de combate e três mísseis contra território ucraniano. Na região de Zaporíjia, o chefe militar local, Ivan Fedorov, confirmou um ataque a instalações industriais já durante a vigência da trégua. Zelenskyy classificou as acções russas como “cínicas e vis” e anunciou que a liderança militar iria ponderar “os próximos passos”.
Os números da véspera. Os bombardeamentos russos de terça-feira foram particularmente letais: pelo menos 27 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em várias cidades. Só em Zaporíjia, bombas planantes Kab seguidas de drones Shahed de fabrico iraniano mataram 12 civis e feriram 20. Em Kramatorsk morreram seis pessoas, em Dnipro e Poltava quatro em cada cidade, e em Kharkiv e Nikopol uma em cada. Do lado russo, um ataque ucraniano com drones na Crimeia — anexada ilegalmente em 2014 — causou cinco mortos na localidade de Dzhankoi, segundo o governador local, Sergei Aksionov. O Ministério da Defesa russo alegou ter abatido 53 drones ucranianos entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira.
Tréguas rivais, sem acordo formal. A sequência de eventos começou na semana passada, quando Vladimir Putin anunciou um cessar-fogo para 8 e 9 de maio durante uma conversa telefónica com o Presidente norte-americano, Donald Trump. Zelenskyy respondeu na segunda-feira com uma trégua antecipada, apresentando-a como um “teste” à boa vontade do Kremlin. Moscovo nunca aceitou a proposta ucraniana e exigiu que Kiev respeitasse a sua própria trégua, ameaçando retaliações. “Isto mostra que os apelos falsos a um cessar-fogo para 9 de maio nada têm a ver com diplomacia. Putin apenas quer saber de paradas militares, e não de vidas humanas”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha.
Parada reduzida ao mínimo. Pela primeira vez em nove anos, o Ministério da Defesa russo decidiu excluir veículos blindados e mísseis intercontinentais do desfile na Praça Vermelha, limitando a celebração a tropas apeadas e a um espectáculo aéreo com caças Su-25. As autoridades reforçaram a segurança em Moscovo e São Petersburgo, incluindo o corte da internet móvel. No início da semana, um drone ucraniano danificou um edifício de apartamentos num bairro luxuoso da capital russa, a poucos quilómetros do Kremlin — um sinal da capacidade de Kiev para atingir o coração de Moscovo.
A estratégia DeepStrike. Por trás da ameaça ucraniana está a estratégia conhecida como DeepStrike, anunciada pelo general Oleksandr Syrsky e reforçada por Zelenskyy, que visa refinarias, bases aéreas e infraestruturas logísticas russas com drones e mísseis de produção nacional. Na terça-feira, um ataque a uma das maiores refinarias russas obrigou à suspensão temporária das suas actividades, e dois aeroportos de Moscovo foram forçados a interromper os voos durante algumas horas. O analista político ucraniano Volodymyr Fessenko considerou que o anúncio de trégua por parte de Kiev foi uma manobra táctica nos domínios “informativo e político”: “Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o dela.”
E agora? Com o fracasso da trégua ucraniana, é expectável que Kiev intensifique os ataques contra alvos no território russo nos próximos dias, incluindo durante as celebrações de 9 de maio. A guerra na Ucrânia foi abordada na terça-feira num telefonema entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, mas não há sinais de qualquer avanço diplomático. A ausência de um acordo formal de cessar-fogo — e a instrumentalização mútua das tréguas unilaterais — mantém o conflito numa trajectória de escalada, mais de três anos após a invasão russa em grande escala de fevereiro de 2022.
Citações
“Isto mostra que os apelos falsos a um cessar-fogo para 9 de maio nada têm a ver com diplomacia. Putin apenas quer saber de paradas militares, e não de vidas humanas” — Andrii Sybiha
“É um cinismo absoluto pedir um cessar-fogo para organizar celebrações de propaganda, enquanto se realizam todos os dias ataques deste tipo” — Volodymyr Zelenskyy
🤝🇮🇹 Meloni encontra Rubio para clarificar relação com Washington
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reuniu-se com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para discutir a presença de bases militares dos EUA em Itália e gerir tensões com a administração Trump. O encontro surge num momento de divergências visíveis entre Roma e Washington.
O diálogo é visto como uma tentativa de reforçar a aliança transatlântica sem ceder à pressão de Trump. Rubio sublinhou a importância de Itália no contexto do Líbano, reconhecendo o valor da cooperação bilateral.
A deputada Mara Carfagna, do partido Noi Moderati, aproveitou o momento para criticar Trump por envolver o Papa em conflitos geopolíticos: “Não se deve misturar política e religião.” Itália reafirma a sua lealdade à NATO e aos compromissos internacionais.
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🏥 🚨 PS pede demissão da ministra da Saúde e acusa Montenegro de inércia
O Partido Socialista exigiu esta quarta-feira a demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, citando dados “gravíssimos” de deterioração do Serviço Nacional de Saúde nos primeiros dois meses de 2026.
O que disse o PS? Em declarações no Parlamento, a vice-presidente do PS, Mariana Vieira da Silva, afirmou que a ministra “já desistiu do SNS” e questionou por que razão o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a mantém em funções. Segundo a deputada, “tudo o que acontecesse neste sector” é da responsabilidade do primeiro-ministro desde a nomeação de Ana Paula Martins para o segundo Governo.
Quais são os dados preocupantes? Os indicadores divulgados na terça-feira mostram uma deterioração em praticamente todas as áreas de resposta do SNS:
Quebra de 6% nas consultas nos cuidados de saúde primários — menos 400 mil consultas.
Quebra de mais de 3,8% nas consultas hospitalares, com impacto significativo nas primeiras consultas.
O contexto financeiro agrava o quadro: o PS denuncia um “agravamento brutal das condições financeiras do SNS”, sublinhando que, apesar do aumento de recursos, os resultados continuam a piorar de mês para mês.
Fonte: publico.pt
💳📈 Crédito ao consumo atingiu máximo histórico em março
A notícia - Os consumidores portugueses contrataram em março de 2026 um total de 944 milhões de euros em crédito ao consumo, o valor mais elevado desde o início da série estatística, em 2013. O número de contratos celebrados atingiu igualmente um máximo histórico, com 161.983 contratos, representando um aumento de 24,1% no montante e de 11,3% no número de contratos face ao mesmo mês do ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), superando o anterior recorde registado em outubro de 2025, quando foram contratados 853,1 milhões de euros em 157.216 contratos.
O crescimento foi transversal às três categorias de crédito analisadas pelo BdP — crédito pessoal, crédito automóvel e crédito renovável (que inclui cartões de crédito, facilidades de descoberto e linhas de crédito). A taxa de variação homóloga do valor acumulado (TVHA) do montante de novos créditos situou-se em 11,8% no total, com o crédito pessoal a liderar com 14,6%, seguido do crédito automóvel com 12,1% e do crédito renovável com 3,8%. No final de março, existiam 6,41 milhões de contratos vivos, num montante total de 24.567 milhões de euros.
Crédito pessoal e automóvel registaram subidas expressivas: no crédito pessoal foram contratados mais 13.886 contratos do que em março de 2025, totalizando 450 milhões de euros; no crédito automóvel celebraram-se 22.362 contratos no valor de 360,7 milhões de euros, contra 18.031 contratos e 287,6 milhões de euros no mesmo período do ano anterior.
Crédito renovável lidera em número de novos contratos, com 79.470 celebrados em março, embora com o montante mais reduzido (133,3 milhões de euros) e o custo médio mais elevado, com uma TAEG de 17,9%, bem acima do crédito pessoal (11,9%) e do crédito automóvel (10,2%).
Crédito automóvel apresenta os montantes medianos mais elevados nas novas contratações — metade dos contratos teve um valor igual ou superior a 14.755 euros —, com uma duração média de 7,3 anos, sendo o prazo mais curto para veículos novos (6,3 anos) do que para usados (7,7 anos).
Intermediários de crédito dominam a contratação de crédito pessoal, sendo responsáveis por 79,8% do montante em novos contratos nessa categoria, enquanto no crédito renovável representaram 45% e no crédito automóvel 18,5%.
Fonte: rtp.pt
🚓 O Chega apresentou um projeto de lei para clarificar os procedimentos das polícias municipais nas detenções em flagrante delito. A proposta visa atribuir poderes de detenção às polícias municipais e eliminar burocracias, permitindo a entrega imediata de detidos à autoridade judiciária, conforme a lei processual penal. • noticiasaominuto.com
💰 O PSD, CDS-PP, Chega e IL chumbaram um requerimento do Livre para ouvir o presidente da CGD sobre o depósito “Caixa +Defesa Abril 2028”. Este produto, lançado em abril, está ligado a ações de empresas do setor da defesa, levantando questões éticas, especialmente no contexto do conflito em Gaza. • noticiasaominuto.com
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⚖️🇪🇸 Caso Koldo: defesas pedem absolvição e fiscal afasta Sánchez da trama
Na última sessão do julgamento das máscaras, no Tribunal Supremo, as defesas de Koldo García e Víctor de Aldama pediram absolvição ou penas reduzidas, negando provas de subornos. O fiscal anticorrupção Alejandro Luzón manteve os pedidos de 24 anos para Ábalos, 19 anos e meio para Koldo e sete para Aldama.
Luzón descartou que Pedro Sánchez fosse o “número um” da organização criminosa, contrariando alegações de Aldama feitas sem provas. Para o fiscal, Ábalos era o líder da trama instalada no Ministério dos Transportes, com Koldo a executar as ações.
O caso tornou-se campo de batalha política: o Governo acusa o PP de cumplicidade com Aldama, enquanto os populares usam o processo para desgastar o PSOE. O veredicto será conhecido em breve.
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🗳️🇫🇷 Primária da esquerda francesa em risco após candidatura de Mélenchon
Dois dias depois de Jean-Luc Mélenchon oficializar a candidatura presidencial para 2027, figuras da esquerda unitária — Faure, Tondelier, Ruffin e Autain — reuniram-se na Bellevilloise, em Paris, para tentar salvar o projeto de uma primária conjunta. Um dos intervenientes questionou se o encontro de 5 de maio seria “o canto do cisne” ou um último esforço de união.
A fragmentação complica tudo. Raphaël Glucksmann rejeitou a primária na France 2, defendendo antes um acordo programático entre cerca de 40 eleitos de esquerda e ecologistas, seguido da escolha do candidato mais forte. “É muito cedo para se declarar candidato”, disse, criticando uma esquerda que “fala apenas para si própria”.
Com duas ofertas políticas distintas a cristalizarem-se, a viabilidade de uma candidatura unitária contra Mélenchon parece cada vez mais incerta.
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🇩🇪🏛️ Um ano de Merz: coligação CDU-SPD aprovou 175 leis, mas os grandes desafios ainda estão por vir
A coligação CDU-SPD completa um ano com popularidade em mínimos históricos e tensões internas crescentes sobre impostos, segurança social e migração.
Foram aprovadas 175 leis e medidas, incluindo um fundo especial de 500 mil milhões de euros para defesa, mas reformas estruturais — direito eleitoral, pensões, política orçamental — continuam pendentes.
A comunicação controversa de Friedrich Merz é apontada como factor central da insatisfação, com o chanceler a reconhecer que os objectivos iniciais foram demasiado ambiciosos.
O medo partilhado de um colapso democrático — com a CDU a temer perder a maioria sem a AfD — pode ser o único cimento que mantém a aliança de pé.
Atual. A coligação entre CDU/CSU e SPD na Alemanha completa um ano esta semana com a popularidade em mínimos históricos, tensões internas crescentes e um vasto programa de reformas estruturais ainda por concretizar. O chanceler Friedrich Merz, eleito no segundo turno há exactamente 12 meses, enfrenta críticas generalizadas à sua comunicação e ao ritmo da governação, embora a aliança tenha já aprovado 175 leis e medidas.
O balanço legislativo. Em termos quantitativos, a coligação negro-vermelha não esteve parada. Aprovou reformas na habitação, saúde e digitalização, e conseguiu luz verde para um fundo especial de 500 mil milhões de euros destinado à defesa — uma decisão que, apesar de controversa internamente, marcou o primeiro grande acto político do governo. Mais recentemente, os parceiros chegaram a acordo sobre o orçamento e sobre uma reforma do sistema de saúde. A política migratória endureceu, com reforço dos controlos fronteiriços e restrições ao reagrupamento familiar. Contudo, questões centrais como a reforma do direito eleitoral, a reestruturação da segurança social, a política de pensões e a flexibilização do limite da dívida pública continuam em aberto.
As fracturas internas. O tom entre os dois parceiros tornou-se progressivamente mais áspero. Merz tem pressionado a SPD a aceitar compromissos mais profundos, enquanto o vice-chanceler Lars Klingbeil defende linhas vermelhas para proteger a identidade social-democrata. O debate sobre os preços da energia e a proposta de um imposto sobre lucros extraordinários — rejeitada pela CDU — ilustra bem as divergências. A CDU prioriza uma reforma fiscal centrada na redução de impostos para empresas; a SPD resiste a aumentos do imposto sobre o rendimento. Nas questões laborais e migratórias, os social-democratas temem alienar a sua base tradicional se cederem demasiado.
O problema Merz. O politólogo Albrecht von Lucke, em análise à Tagesschau, aponta a comunicação do chanceler como o principal factor de desgaste. Merz não conseguiu adaptar a retórica combativa dos tempos de oposição ao papel de líder governamental, alienando diversos grupos sociais com declarações polémicas que exigiram esclarecimentos públicos. O próprio chanceler admite assumir riscos na forma como comunica, defendendo a transparência sobre o que os políticos pensam. Reconheceu também que os objectivos iniciais da coligação foram “demasiado ambiciosos” e que a implementação das mudanças será gradual. Von Lucke sublinha que Merz falhou em assumir uma liderança unificadora, essencial em tempos de crise, e que a ausência de uma visão política conjunta compromete a coesão do governo.
O contexto económico. A economia alemã sofreu com o impacto do conflito no Irão, que afectou preços e crescimento. O governo adoptou medidas de apoio a empresas e consumidores, mas o ambiente económico continua a pesar sobre a percepção pública da coligação.
O medo que pode salvar a aliança. Apesar de tudo, há um factor que pode manter a coligação unida: o receio partilhado de um colapso democrático. A CDU teme que, sem esta aliança, perca a maioria sem recorrer à AfD — um cenário que Merz considera uma ameaça existencial para a democracia cristã. A SPD, por seu lado, reconhece que uma crise governamental abriria espaço a forças anti-sistema. Segundo a análise do Frankfurter Allgemeine Zeitung, este medo comum funciona como cimento improvável da coligação. A cooperação discreta em temas sensíveis — como a reforma da saúde privada e o sistema europeu de asilo — demonstra que, longe dos holofotes, os dois partidos ainda conseguem trabalhar em conjunto.
E agora? O futuro próximo será decisivo. Eleições regionais difíceis estão no horizonte e a pressão para concretizar reformas vai intensificar-se. A reforma da segurança social, a política de pensões e a questão orçamental são os próximos grandes testes. Se a coligação falhar nestas frentes, a responsabilidade será atribuída directamente ao chanceler. Merz reconhece a incerteza quanto à estabilidade da aliança, mas insiste na necessidade de evitar bloqueios. O segundo ano promete ser ainda mais exigente do que o primeiro.
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Mais uma vez o meu respeito e admiração pelo parto da Mariana. Parece fácil, mas é só porque já está feito.
Agora é "só" manter. ;)