🤖 🏛️ Quem deve controlar a IA? O debate sobre a propriedade pública chega a Washington e Bruxelas
O debate junta figuras improváveis, de Donald Trump a Bernie Sanders, passando por Sam Altman — todos a defender, de formas diferentes, que os cidadãos beneficiem do boom da IA.
Uma pequena nota do editor antes de abrirmos a edição número 3.72.
Ando a matutar em voltar a uma análise dos media, do género daquela que fiz em setembro de 2024 e que expôs a distribuição da inclinação política na imprensa que se publica em Portugal (ler https://vamolaver.substack.com/p/e5-direita-em-maioria-ligeira-nos e https://vamolaver.substack.com/p/e6-direita-tem-a-hegemonia-dos-colunistas, estão ambos abertos).
O assunto deu então muito brado e continuou a dar (e ainda dá). Compreende-se: desde que a formatação ideológica dos eleitores passou a ser a principal atividade económica dos meios, à frente das histórias e das notícias, tornaram-se eles próprios espaço público e como tal alvo da crítica política, por muito desconfortáveis que os jornalistas se sintam.
Ao longo do tempo pediram-me que repetisse o estudo e sobretudo que o alargasse às televisões. Isto é extremamente difícil de fazer até por grandes centros de estudos dotados de grandes meios, quanto mais por uma publicação como a VamoLáVer, mesmo que amplamente apoiada em inteligência artificial. Mas…
Mas outras metodologias se podem aplicar. E vou fazer uma nova análise, um pouco diferente, e desta vez envolvendo também as televisões.
Contudo, não será igual à anterior: desta vez vou também ao osso dos jornalistas, vou investigar até que ponto está a parte editorial inclinada, e para onde. Não é só “os colunistas”: vamos tentar perceber se há viés no noticiário e, em havendo, qual é.
Resta aditar que a ideia já está em marcha. As investigações preliminares apontam para a exequibilidade e mais: farei novamente dois exclusivos, mas mais distanciados no tempo, pois há dois movimentos que dão respostas a questões diferentes e se o primeiro se faz com duas semanas de dados, o segundo precisa de um mês.
(Bem: na verdade há três movimentos e abro já o véu: é possível que isto se torne numa espécie de observatório para continuar no futuro e emitir relatórios periódicos. Vamos ver.)
Esta é mais uma razão, ou pretexto, para redobrar o apelo: está em marcha uma campanha de adesão às subscrições pagas. A partir de 11 de junho, as novas subscrições da VamoLáVer passam de 5 para 7,5 euros mensais (de 50 para 75 anuais). Quem já é subscritor pago mantém o preço atual para sempre, em todas as renovações — não precisa de fazer nada. Quem ainda é leitor do plano gratuito e assinar até dia 10 de junho fica também fixado nos 5 / 50, para sempre.
Nesta edição:
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Quem deve controlar a IA? O debate sobre a propriedade pública chega a Washington e Bruxelas
Cessar-fogo entre Israel e Irão colapsa e a UE reúne-se em Chipre
Legislativas: Arménia escolheu o Ocidente e Pashinyan não cortou com Moscovo
UE liberta 2,8 mil milhões e desbloqueia fundo militar travado
🇵🇹 🇵🇹
Língua “com o coração”, regime jurídico sem garantias: a tensão no Dia de Portugal no Luxemburgo
Seguro e Montenegro pedem o regresso dos emigrantes no primeiro Dia de Portugal a dois
Reembolsos do IRS: a Bastonária diz que parou, as Finanças dizem que está tudo normal
Greve de uma semana nas conservatórias com metade dos registos por preencher
APA dá luz verde condicionada ao projeto de hidrogénio verde em Sines
🇪🇸 🇪🇸
Sánchez vai ao Congresso a 24 de junho explicar Zapatero e Leire Díez
Ministério Público pede absolvição do irmão de Pedro Sánchez
🇩🇪 🇩🇪
Weber ataca Söder e sai a perder
Nota: a edição é longa, pelo que pode ficar cortada nalguns leitores de correio eletrónico. Se for o caso, terá no final o link para ler na web a edição completa.
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🤖 🏛️ Quem deve controlar a IA? O debate sobre a propriedade pública chega a Washington e Bruxelas
Dos Estados Unidos à União Europeia, multiplicam-se as propostas para que o setor público tenha uma participação direta no negócio da inteligência artificial. O debate junta figuras improváveis — desde Donald Trump ao senador democrata Bernie Sanders, passando pelo próprio presidente executivo da OpenAI, Sam Altman — todos a defender, de formas diferentes, que os cidadãos beneficiem do boom da IA.
O encontro Altman-Sanders
A pedido do próprio, Altman reuniu-se com Sanders no Senado para discutir a proposta do senador de Vermont: o Estado deter 50% das empresas de IA, canalizando os lucros para um fundo público de riqueza.
Altman disse apoiar o princípio geral, mas recusou o limiar dos 50%.
O porta-voz de Sanders, Jeremy Slevin, confirmou que não houve acordo nos pontos centrais, sublinhando que “infelizmente, Sam Altman não se comprometeu com nenhum deles”.
Trump entra na conversa
A bordo do Air Force One, Trump falou numa “parceria com o povo americano” no sucesso da IA e convocou executivos do setor para a Casa Branca.
Reconheceu mesmo proximidade com Sanders em matéria económica: “temos certas coisas que não estão assim tão distantes”.
A administração já tomou uma participação de 10% na fabricante de chips Intel, num investimento de 8,9 mil milhões de dólares (cerca de 8,2 mil milhões de euros).
A resposta europeia
A Comissão Europeia apresentou um pacote que pode barrar a Amazon, a Microsoft e a Google dos contratos públicos mais sensíveis e prevê triplicar a capacidade europeia de centros de dados em sete anos.
Ursula von der Leyen avisou: “não podemos depender de outros para as tecnologias que mantêm os nossos hospitais a funcionar, as nossas redes de energia estáveis e os nossos serviços seguros”.
O Reino Unido lançou em abril um Fundo Soberano de IA de 500 milhões de libras (588 milhões de euros) para investir diretamente em empresas britânicas do setor.
Abordei a questão dos fundos soberanos como fundamental para incorporar nas narrativas dos políticos de esquerda que busquem a necessária reaproximação ao eleitorado num dos dois exclusivos VamoLáVer sobre as novas narrativas, em abril (🏛️🤖 Como e onde vai o Estado financiar-se num mundo com menos trabalho humano? Nem de propósito: estava o Reino Unido a trabalhar no seu fundo. (N. do E.)
O paralelo histórico
O debate ecoa episódios como a regulação dos caminhos-de-ferro nos EUA em 1887 e o Sherman Antitrust Act de 1890, agora novamente invocado contra as Big Tech.
Na Europa do pós-guerra, o governo francês de Charles de Gaulle nacionalizou gás, eletricidade e carvão entre 1944 e 1946, criando gigantes como a Électricité de France, num setor até aí repartido por cerca de 200 produtoras, 100 transportadoras e 1.150 distribuidoras.
Ansiedade social cresce
Segundo uma sondagem de 2025 do Institute of Politics da Harvard Kennedy School, 70% dos estudantes universitários veem a IA como uma ameaça aos seus futuros empregos.
O senador republicano Josh Hawley defende travar novos centros de dados até que as empresas paguem a própria eletricidade, água e redes.
Sanders nota com alguma satisfação que “até estes tipos estão a começar a perceber que há preocupações legítimas que têm de ser resolvidas”.
Fonte: euronews.com
Cessar-fogo entre Israel e Irão colapsa e a UE reúne-se em Chipre
O cessar-fogo de abril entre Israel e Irão colapsou de vez — Irão lançou mísseis, Israel respondeu com ataques no interior iraniano
Trump pediu contenção a Netanyahu, mas Israel bombardeou na mesma; Trump disse que os ataques não afectam as negociações nucleares
UE reúne-se em Chipre; papel limitado enquanto não houver trégua
O cessar-fogo de 8 de abril entre Israel e Irão durou dois meses. Caiu no domingo à noite. O Irão lançou 11 mísseis contra território israelita, todos interceptados, na primeira ofensiva directa desde a trégua. Israel respondeu com ataques a alvos militares e industriais no oeste e centro do país, com explosões reportadas em Teerão, Tabriz e Isfahan.
O que aconteceu. A escalada começou em Beirute. No domingo, as Forças de Defesa de Israel bombardearam Dahiyeh, o subúrbio sul controlado pelo Hezbollah. Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, descreveram o alvo como uma sede militar do Hezbollah, em retaliação a disparos contra território israelita. Morreram pelo menos duas pessoas e ficaram feridas entre 11 e 20. Entre os mortos no sul do Líbano estava um general do exército libanês, que não participava nos confrontos.
A Guarda Revolucionária iraniana classificou os mísseis como um “aviso” pelo ataque a Beirute e prometeu novas acções. O exército israelita atingiu uma fábrica química perto de Bandar-e Mahshahr, no sudoeste iraniano. O porta-voz das forças israelitas, o general de brigada Effie Defrin, acusou o Irão de escolher “novamente o caminho do terrorismo”.
Trump pediu, Israel avançou. Na semana passada, Donald Trump disse ter travado um ataque israelita a Beirute num telefonema com Netanyahu. Depois desse telefonema, Israel e o Líbano fecharam um novo cessar-fogo — que o Hezbollah rejeitou. Segundo o Axios, Trump voltou a falar com Netanyahu para evitar uma retaliação que pudesse comprometer as negociações nucleares com Teerão. Não há confirmação oficial dessa conversa. Israel bombardeou na mesma. Trump considerou que os ataques não afectam as conversações em curso com o Irão.
O Mar Vermelho e Ormuz. Os Huthi, aliados do Irão no Iémen, lançaram foguetes contra Israel e declararam um bloqueio total à navegação israelita no Mar Vermelho. Em Israel, soaram alarmes aéreos e cancelaram-se as aulas em todas as escolas. Kaja Kallas definiu a reabertura do Estreito de Ormuz como uma das prioridades diplomáticas europeias.
As posições da UE. Kallas apelou a Irão e Israel para se sentarem à mesa das negociações. A solução, disse, passa por um acordo entre o Irão e os Estados Unidos. Admitiu que o papel europeu é limitado nesta fase. Indicou que os ministros da Defesa da UE vão discutir um eventual apoio, incluindo a escolta de navios, mas só depois de uma trégua.
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, condenou a ruptura do cessar-fogo e apelou a uma desescalada imediata. Disse que não existe solução militar para o Médio Oriente. Albares condenou também os disparos do Hezbollah contra Israel e um atentado do Hamas que causou um morto e quatro feridos.
E agora? Os ministros da Defesa da UE reúnem-se em Chipre para discutir o apoio à navegação. As negociações entre Washington e Teerão não avançaram. O Hezbollah continua a rejeitar o cessar-fogo com o Líbano, e a Guarda Revolucionária prometeu responder.
Legislativas: Arménia escolheu o Ocidente e Pashinyan não cortou com Moscovo
Pashinyan vence com quase 50% mas fica abaixo dos dois terços que precisava para alterar a Constituição
Moscovo tentou interferir activamente — compra de votos, campanha mediática, sanções agrícolas — sem resultado
A Arménia aproxima-se da UE mas mantém-se na União Económica Eurasiática, sob pressão para referendo em dezembro
Nikol Pashinyan venceu as legislativas de domingo com 49,81% dos votos. O seu partido, Contrato Civil, fica com 61 dos 105 lugares no parlamento e governa sozinho. A líder da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse que a Arménia escolheu um futuro na Europa. Moscovo perdeu.
O que aconteceu. A oposição pró-russa Arménia Forte, do empresário russo-arménio Samvel Karapetyan, ficou em segundo com 23,29%. Karapetyan votou a partir da prisão domiciliária onde aguarda julgamento, por acusações que diz serem políticas. Denunciou a detenção de cerca de cem apoiantes nos dias anteriores ao voto. A Aliança Arménia, do ex-presidente Robert Kocharyan, ficou com 9,94%. A participação foi de quase 59%, a mais alta desde 2017.
O que Moscovo tentou. Na véspera do voto, as autoridades arménias detiveram mais de quarenta pessoas suspeitas de compra de votos, ligadas a Arménia Forte. Um candidato a deputado terá pago entre 230 e 1.140 euros a mais de cem eleitores. Segundo meios independentes, Moscovo investiu numa campanha mediática contra Pashinyan e estudou pagar a viagem de avião a milhares de arménios residentes na Rússia para que votassem. A Rússia proibiu a importação de produtos agrícolas arménios. O resultado não mudou.
O que mudou. A vitória confirma o realinhamento que começou em 2018, quando Pashinyan chegou ao poder, e acelerou depois de 2023, quando o Azerbaijão reconquistou o Nagorno-Karabakh e expulsou a população arménia da região. Moscovo, aliado histórico, não interveio. Desde então a Arménia congelou a participação na CSTO, o pacto de segurança liderado pela Rússia, e em 2025 o parlamento aprovou uma lei que declara a intenção de candidatura à UE. O chanceler alemão Friedrich Merz felicitou Pashinyan e disse que o povo votou pela democracia e pela paz sob enorme pressão.
A corda bamba. Pashinyan não saiu da União Económica Eurasiática, que integra com a Rússia, a Bielorrússia, o Cazaquistão e o Quirguistão. Rejeitou a hipótese de congelar a participação arménia no bloco, que a Rússia prometeu estudar juridicamente. Lembrou que todas as decisões são tomadas por consenso e que a Arménia tem direito de veto. Chamou erro tático à exigência dos quatro parceiros de um referendo rápido sobre a permanência no bloco. E foi claro sobre o limite: para convocar esse referendo, diz, a Arménia teria de ter pedido a adesão à UE ou o estatuto de candidato — e não tem nem uma coisa nem outra. Não está, admite, preparado para pedir o estatuto de candidato. Precisa de reformas primeiro.
O que falta para a paz. A maioria de Pashinyan chega para governar, não para mudar a Constituição. São precisos dois terços para isso — e é a revisão constitucional que permitiria formalizar o acordo de paz com o Azerbaijão. Esse continua a ser o obstáculo político por resolver.
E agora? Pashinyan anunciou que tenciona visitar Moscovo, Washington, Bruxelas e Paris depois das eleições. A Rússia pressiona para que um referendo sobre a permanência na União Económica Eurasiática aconteça em dezembro.
UE liberta 2,8 mil milhões e desbloqueia fundo militar travado
A União Europeia desbloqueou dois financiamentos para a Ucrânia que estavam parados. O primeiro: uma tranche de 2,8 mil milhões de euros do empréstimo a 50 anos garantido pelos activos russos congelados. O segundo: 6,6 mil milhões de euros do Fundo de Assistência para a Paz, que a Hungria vetava há meses. Kaja Kallas anunciou o desbloqueio depois de a Hungria ter levantado o veto, com uma nova ministra dos Negócios Estrangeiros no cargo.
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Língua “com o coração”, regime jurídico sem garantias: a tensão no Dia de Portugal no Luxemburgo
Professores da rede EPE param Montenegro no Luxemburgo para entregar proposta e avisar de “pânico” com a reforma em preparação
A proposta de alteração ao regime jurídico ainda aguarda parecer das Finanças — a FNE disse em maio não conhecer sequer o texto
Montenegro: “vamos aguardar que a negociação corra bem”; Seguro: “vamos analisar”
À entrada para um encontro com alunos, dois professores pararam o Presidente da República e o primeiro-ministro. Pediram-lhes que olhem “com o coração” para o futuro do ensino do português no estrangeiro. Bruno Silva, professor e delegado sindical, entregou em mão uma proposta sobre a rede de Ensino Português no Estrangeiro (EPE). O pedido foi simples: que a transição para o novo regime jurídico se faça “com cautela”.
Era domingo no Luxemburgo. Arrancavam as comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O primeiro a ser assinalado em conjunto por António José Seguro e Luís Montenegro. Ambiente festivo, alunos lusófonos, concerto de António Zambujo previsto para a tarde. E, à porta, um sindicato a falar de pânico.
O que os professores temem. Está em preparação uma alteração ao regime jurídico do ensino do português no estrangeiro. Em causa, segundo os professores, a redução dos períodos das comissões de serviço e a limitação do número de renovações — sobretudo se aplicadas com efeito retroactivo. Os professores da rede EPE afirmam que estas limitações criariam um “grave factor de instabilidade estrutural” numa rede que depende da continuidade dos profissionais.
“Há um aspeto fulcral que está a pôr em pânico todos os professores que estão neste momento na rede EPE”, disse Silva. A transição, avisou, “tem de ser feita com pés e cabeça”, sem descartar quem já lá está e sem “um ano zero”.
A proposta que ninguém viu. A reforma avança sem que os interessados conheçam o seu texto. Em maio, na comissão parlamentar, a Federação Nacional da Educação lamentou desconhecer por completo a proposta. Ela aguarda parecer do Ministério das Finanças. A 7 de Abril, no parlamento, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, anunciou que haveria uma “revolução” no ensino da língua portuguesa no estrangeiro. Os leitores do EPE enviaram uma carta aberta ao Governo a manifestar “profunda apreensão”, alertando que as medidas podem gerar desemprego.
A resposta. Montenegro prometeu que o Governo tudo fará para “garantir condições” a quem queira continuar a ensinar português. Chamou à língua “o elo mais eficaz e mais vivo” entre a comunidade. Sobre o regime jurídico, não comprometeu nada de concreto: “Vamos aguardar que a negociação corra bem.” Seguro foi ainda mais sucinto: “Vamos analisar.”
No discurso da tarde, o registo voltou ao afecto e à economia. Montenegro disse que “a língua é um ativo económico”. Seguro chamou-lhe “uma chave que abre portas no mundo inteiro” e pediu ao próprio Luxemburgo que alargue o português como língua de opção no currículo. Lembrou que um terço dos residentes no país é lusófono.
A escala. A 1 de janeiro de 2025, os portugueses eram a maior comunidade estrangeira no Luxemburgo: 89.671 residentes, 13,2% da população, segundo o Statec. É esta rede — alunos, professores, comunidade — que o ensino do português sustenta. Na Filarmónica do Luxemburgo, o Governo condecorou Orlando de Oliveira Pinto, empresário natural de Castro Daire há 40 anos no país, dono da Sopinor, hoje a segunda maior empresa de construção civil do Grão-Ducado, com 700 trabalhadores.
E agora? A proposta de alteração ao regime jurídico continua a aguardar parecer do Ministério das Finanças. Até lá, os professores da rede EPE ficam com uma promessa de “condições” e a palavra “revolução” no horizonte.
Seguro e Montenegro pedem o regresso dos emigrantes no primeiro Dia de Portugal a dois
Primeiro Dia de Portugal com Seguro e Montenegro juntos — apelo conjunto ao regresso dos emigrantes, sem anúncio de medidas
A cena da bandeira a dois lados (verde e vermelho) resume a coabitação
Comunidade portuguesa: 89.671 residentes no Luxemburgo (maior comunidade estrangeira do país)
O Presidente da República e o primeiro-ministro celebraram juntos o Dia de Portugal pela primeira vez. Aconteceu no Luxemburgo, este domingo, perante a maior comunidade portuguesa do Grão-Ducado. E deixaram o mesmo pedido: que os emigrantes e lusodescendentes voltem.
O apelo. António José Seguro disse que Portugal “é um país que quer receber de volta os seus”. Não só os que partiram. “Os que emigraram e os que nasceram fora, mas que sentem Portugal como uma parte de si”, afirmou. O chefe de Estado descreveu um país que mudou. “Portugal é um extraordinário país para se viver. E deve ser também um país extraordinário para se trabalhar. É um compromisso que assumo”, afirmou. Tinha dito o mesmo a jovens portugueses em Madrid, na primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse, a 9 de março.
Montenegro foi pela mesma linha. “Portugal precisa de todos vós e nós contamos muito convosco para o nosso futuro”, disse, falando de um futuro “construído no regresso que ambicionamos muitos possam ter a Portugal”. O primeiro-ministro insistiu no “potencial de desenvolvimento” do país. Lembrou que Portugal foi o mais votado para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, à frente da Alemanha e da Áustria. E descreveu a língua como “um ativo económico”.
Nenhum dos dois anunciou medidas concretas. O pedido ficou no registo discursivo.
A coabitação. O momento vale pelo que representa. É o primeiro Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas assinalado em conjunto por Seguro e Montenegro — um Presidente da República de esquerda e um chefe do Governo de direita, em coabitação inédita. Seguro chegou ao Luxemburgo na sexta-feira, em visita oficial. Encontrou-se com os Grão-Duques, que convidou para visitarem Portugal, e com o primeiro-ministro luxemburguês. Montenegro juntou-se ao programa no domingo, depois da Cimeira UE-Balcãs em Tivat.
O autógrafo. A relação entre os dois desenhou-se num gesto. Pedro Teixeira, emigrante que colecciona autógrafos de figuras portuguesas, abordou Seguro, que assinou uma bandeira nacional do lado “verde da esperança”. Montenegro, ao ver a bandeira, escolheu o seu lado: “Então pronto eu vou aqui para o lado do vermelho.” “Está a ver? Assim completamo-nos”, respondeu Seguro. Montenegro acrescentou: “É assim que tem de ser.” Teixeira, que diz ter deixado de acreditar na política, fez uma ressalva. “Independentemente dos partidos, dois homens podem mudar Portugal.” Recebeu garantia do chefe do Governo: “Estamos aqui para isso.”
O contexto. A comunidade portuguesa é a maior comunidade estrangeira no Luxemburgo: 89.671 residentes, cerca de 13,2% da população, segundo o Statec a 1 de janeiro de 2025. À tarde, no encontro na Filarmónica do Luxemburgo, com concerto de António Zambujo e presença do Grão-Duque, foi condecorado Orlando de Oliveira Pinto, natural de Castro Daire, no país há 40 anos e dono da Sopinor — a segunda maior empresa de construção civil do Grão-Ducado, com 700 trabalhadores.
Reembolsos do IRS: a Bastonária diz que parou, as Finanças dizem que está tudo normal
A Bastonária dos Contabilistas alerta que há “muitos milhares” de declarações por liquidar, a um mês do prazo final
As Finanças apresentam números sólidos: mais de 3,2 milhões liquidadas, prazo médio de 11,6 dias, acima de 2025
A contradição é real: falam de partes diferentes do processo — o automático correu bem, o complexo está parado
A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, diz que o processo de reembolsos do IRS praticamente parou. Há “muitos milhares” de declarações por liquidar, a um mês do fim da campanha de entrega. O Ministério das Finanças responde que está tudo a correr “com toda a normalidade” e apresenta números a provar.
O que aconteceu. Franco fez o alerta no programa Conversa Capital. As primeiras liquidações — sobretudo das declarações automáticas — foram processadas depressa, reconhece. Depois o ritmo abrandou. Ficaram presas as declarações entregues que aguardam validação pelos serviços da Autoridade Tributária. São as mais complexas, as que não passam pelo IRS automático.
A resposta do Governo. O gabinete de Joaquim Miranda Sarmento mandou uma nota ao Jornal de Negócios e à TSF. Até 3 de junho, o Ministério das Finanças liquidou mais de 3,2 milhões de declarações. Destas, 1.948.160 com reembolso. Pagou 1.814.589 reembolsos, num montante global superior a 1,7 mil milhões de euros.
A comparação com o ano anterior favorece o Governo. Foram liquidadas mais 209 mil declarações com reembolso do que na mesma data de 2025. Em 4 de junho de 2025 tinham sido pagos 1.608.797 reembolsos — menos 200 mil do que agora. O prazo médio do IRS automático está em 11,6 dias, contra cerca de 13 dias no ano passado.
A distinção que explica tudo. Os números das Finanças medem o que já foi feito — sobretudo o IRS automático, que correu bem. Não medem o que está à espera. A Bastonária fala precisamente dessa fila: as declarações complexas, paradas à espera de validação da AT.
Por isso o Governo pode dizer com verdade que liquidou mais e mais depressa do que em 2025. E a Bastonária pode dizer com verdade que há milhares de contribuintes à espera. Os 11,6 dias são a média de quem já recebeu, não de quem ainda não recebeu.
E agora? A campanha de entrega do IRS termina dentro de cerca de três semanas. Nenhuma das partes divulgou quantas declarações estão exactamente na fila de espera — o número que decidiria a discussão. Franco diz “muitos milhares”. O Ministério das Finanças não o contesta nem o quantifica.
💧🌱 APA dá luz verde condicionada ao projeto de hidrogénio verde em Sines
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) aprovou, com condições, o projeto GreenH2Atlantic, em Sines, no distrito de Setúbal. A principal exigência prende-se com a origem da água utilizada: o abastecimento aos processos de eletrólise e refrigeração terá de ser assegurado exclusivamente por água reutilizada ou água do mar, ficando excluído o recurso a água potável.
O que é o projeto?
Liderado pelo consórcio Hytlantic, que junta a EDP, a Galp, a Bondalti, a Martifer e a Vestas.
Vai produzir hidrogénio verde a partir da eletrólise da água, alimentada por energia solar e eólica.
Será instalado nas antigas instalações da central termoelétrica de Sines, com um eletrolisador de 100 MW.
Cerca de 30% do hidrogénio produzido seguirá para a refinaria da Galp em Sines; o restante poderá ser injetado na Rede Nacional de Transporte de Gás.
Condições impostas pela APA
A Declaração de Impacte Ambiental inclui mais de uma centena de medidas, com destaque para:
Monitorização dos recursos hídricos e do meio marinho.
Proteção da biodiversidade e salvaguarda do património cultural.
Gestão de ruído e poeiras durante a obra e um Plano de Emergência Interno.
Ações de restauro de habitats numa área não inferior a 58,63 hectares, no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, para proteger espécies ameaçadas como o sisão.
Próximos passos
A Hytlantic considerou a decisão um “importante marco” e garantiu que vai analisar as recomendações da APA, prosseguindo com estudos para confirmar a viabilidade económica antes da fase final de licenciamento. A concretização do projeto dependerá ainda de uma decisão final de investimento e de um enquadramento regulatório favorável ao mercado do hidrogénio verde.
Dimensão e financiamento
O projeto conta com 92 milhões de euros de apoio da União Europeia e prevê uma capacidade máxima de produção de cerca de 1,7 toneladas de hidrogénio por hora. Está prevista a criação do primeiro “hub” de hidrogénio verde na Zona Industrial e Logística de Sines, com uma rede de infraestruturas a desenvolver pela REN Gasodutos — ou, em alternativa, um gasoduto dedicado, caso essa rede não avance.
Fonte: jn.pt
📝 A greve dos registos e notariado começou com 80% de adesão. O Sindicato dos Trabalhadores denuncia comportamentos ilegais do IRN na recolha de dados sobre a greve, que se estende até 13 de junho. A crise de recursos humanos é grave, com 38% de conservadores e 55% de oficiais em falta. • eco.sapo.pt
🌊 José Luís Carneiro inicia uma rota pela Economia do Mar. O PS pretende aumentar a contribuição deste setor de 4% para 7% do PIB, destacando a falta de visão do Governo atual. A iniciativa, que começa nos Açores, visa ouvir empresários e pescadores para desenvolver políticas públicas que reforcem a competitividade e sustentabilidade da economia azul. • tsf.pt
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Sánchez vai ao Congresso a 24 de junho explicar Zapatero e Leire Díez
IU exige explicações “claras e convincentes” e ameaça intervir se o PSOE não tomar medidas
Feijóo não descarta moção de censura mas recusa precipitar-se, preferindo aumentar a pressão judicial e política
A notícia. Pedro Sánchez vai comparecer no Congresso dos Deputados a 24 de junho, último plenário antes do verão. Vai explicar dois casos que envolvem o PSOE: a imputação do ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero e a trama em torno de Leire Díez. A data foi confirmada na Junta de Porta-vozes, depois de o próprio Sánchez ter pedido para abordar os temas.
O que aconteceu. A Junta de Porta-vozes do Congresso aprovou a comparência. Sánchez deverá informar sobre o último Conselho Europeu e esclarecer a situação política ligada às investigações judiciais ao partido. A sessão é a 24 de junho, uma quarta-feira, e fecha o calendário ordinário de plenários deste período legislativo. Os grupos parlamentares poderão interrogar o presidente do Governo de Espanha sobre os processos.
Os casos. Zapatero, presidente do Governo entre 2004 e 2011, declarou perante o juiz José Luis Calama, que o acusa de organização criminosa e tráfico de influências. A comparência de Sánchez surge depois desta declaração. O segundo caso é o de Leire Díez, conhecida como “a canalizadora” do PSOE. O inquérito judicial aponta que se dedicava a denegrir juízes, procuradores e agentes envolvidos nas investigações ao partido e ao seu círculo próximo. Há ainda perguntas sobre o caso Plus Ultra.
As posições. A pressão sobre Sánchez vem de mais do que um lado. Da própria coligação, o coordenador federal da Izquierda Unida, Antonio Maíllo, exigiu explicações “claras e convincentes”. Maíllo disse que o PSOE enfrenta um problema grave de corrupção e que a IU intervirá “pelo bem do país” caso o partido não tome medidas. Pediu a Sánchez que assuma a responsabilidade pela escolha de dois secretários de Organização cujas práticas considerou “reprováveis”. Lamentou que 35 medidas de regeneração democrática propostas há um ano para combater a corrupção continuem por implementar.
Do outro lado, o líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, mantém a pressão sobre os parceiros do PSOE. Acusa Junts e PNV de serem “cúmplices” e “corresponsáveis” da corrupção que envolve o governo. Feijóo enfrenta pressões internas para avançar com uma moção de censura. Recusou precipitar-se. Disse que a “ansiedade” está no PSOE e em Moncloa, por causa do calendário judicial que se avizinha, com vários processos e possíveis imputações a figuras próximas do presidente.
E agora? O PP não descarta a moção de censura nem uma “resposta cívica” nas ruas. Feijóo opta por não revelar a estratégia e aposta em gerir os tempos. A comparência de 24 de junho é o teste imediato. Sánchez fala antes da pausa de verão, com a IU a avisar que ou as explicações convencem, ou mexe na coligação.
Ministério Público pede absolvição do irmão de Pedro Sánchez
O Ministério Público espanhol pediu a absolvição de David Sánchez, irmão do presidente do Governo. David Sánchez foi acusado de prevaricação pelo exercício de um cargo de coordenador cultural na Diputación de Badajoz — um posto que o PP considerou criado à medida, sem funções reais. A acusação não provou que o cargo era fictício. Para o Ministério Público, não há crime.
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Weber ataca Söder e sai a perder
Manfred Weber, líder do PPE no Parlamento Europeu, entrou em conflito aberto com Markus Söder, presidente da CSU. Weber acusou Söder de sabotar a coerência do bloco conservador europeu com as suas aproximações à direita radical. Söder não recuou. Dentro da CSU, a posição de Weber saiu enfraquecida: o partido está com Söder.
As suas contribuições são um investimento num tipo de publicação que é difícil de construir nas redes sociais, onde os algoritmos, e não os seus próprios interesses, determinam cada vez mais o que é apresentado para ler. Agradecemos o seu apoio a VamoLáVer.



Nestas discussões da IA, faz-me alguma confusão o ninguém falar sobre duas ou três consequências do tão falado desemprego:
- num sistema de cariz social, o aumento dos encargos sociais, com menores recursos.
- num sistema de cariz capitalista, uma fatia importante de clientes que desaparecem de todo e de outros com menos posses.
- as consequências sociais e políticas das duas situações.
Em resumo, a quem aproveita esse (possível) desemprego?