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Quanto emprega, quanto dura e quanto paga? Três perguntas à vaga de investimento em IA

Sem a IA, a economia americana estava estagnada. Mas esta vaga é diferente das anteriores: é enorme, maior que a dot-com, mas de curto alcance e altamente concentrada em pessoas e geografias.

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Paulo Querido
jun 12, 2026
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Mais uma semana que passa, mais um modelo de linguagem natural fantástico, fabuloso, incrível, poderosíssimo e que pulveriza os anteriores nos benchmarks. E mais uma razão para novo exclusivo sobre o impacto da inteligência artificial nas nossas vidas, em especial nas nossas economias. Os mais recentes dados e estudos confirmam que os efeitos da IA sobre o emprego são sobretudo a ansiedade e a desconfiança gerada pelo excesso de hype: o que já se antevê não é destruição de emprego. O que não significa que tudo está a rolar às mil maravilhas: não está. Farei a ponte entre estes dados e o significado do novo modelo da Anthropic, o Fable 5, que inaugura uma nova era no setor com uma segmentação comercial que é mais relevante que as propriedades do modelo.

Três dos últimos quatro exclusivos já se debruçavam sobre o impacto da IA. Mas nos dois primeiros o foco esteve nas narrativas com que os políticos, em especial nas esquerdas, devem refrescar o seu leque de propostas para os novos problemas: em E se falássemos antes de baby bonds? abordamos o desacoplamento do trabalho e do capital como ponto de partida, e em Como e onde vai o Estado financiar-se num mundo com menos trabalho humano? examinamos as alternativas já operacionais ou em desenvolvimento avançado e avaliamos as condições para a sua aplicação em Portugal e na União Europeia. No mais recente, há nove dias, já se prenunciava de alguma forma o que esta semana confirmou. Em O apocalipse do emprego não veio e outras previsões falhadas sobre 2026, o ano da IA ainda tratávamos a questão como uma previsão imcumprida, hoje temos a convicção — quase a tornar-se em certeza — de que a transformação do trabalho por força da IA terá características muito diferentes.

Índice deste exclusivo

Quanto emprega, quanto dura e quanto paga: três perguntas à vaga de investimento em IA

  1. O dramático Claude Fable 5 em três pontos (spoiler: é bom demais para o nosso dia a dia - nota do editor)

  2. A profecia por cumprir

  3. A riqueza que fica


Quanto emprega, quanto dura e quanto paga: três perguntas à vaga de investimento em IA

O maior surto de investimento desde os caminhos-de-ferro sustenta sozinho o crescimento da economia americana, mas quase não cria empregos onde se instala — e a riqueza que gera forma-se na categoria de ativos que melhor escapa ao fisco. Entretanto, o apocalipse laboral prometido em 2025 não aparece nos dados. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo.


As previsões do fim do trabalho multiplicaram-se em 2025. Dario Amodei, presidente executivo da Anthropic, disse à Axios em maio desse ano que a inteligência artificial poderia eliminar metade dos empregos de colarinho branco em início de carreira num horizonte de um a cinco anos e empurrar o desemprego americano para 10 a 20%. Ensaístas da disrupção, como David Shapiro, declararam que acreditar na criação de novos empregos era o ópio das massas — tese servida por quem vive de vender a disrupção e que, por isso, merece o mesmo desconto que os otimistas profissionais a quem responde. Um ano depois, há dados suficientes para confrontar a profecia com a realidade. E há dados suficientes, também, para confrontar o conforto oposto: a ideia de que, como sempre aconteceu, a tecnologia que destrói empregos acabará por criar mais e por espalhar a riqueza que gera.


NOTA DO EDITOR

O dramático Claude Fable 5 em três pontos (spoiler: é bom demais para o nosso dia a dia)

A Anthropic lançou esta semana um novo modelo, chamado Claude Fable 5, que cumpriu o ritual de recepção: é o melhor de sempre, etc.

Já o experimentei. Este exclusivo fora pensado e desenhado antes da disponibilidade do Fable, com a recolha de material feita com o apoio dos modelos anteriores, mas acabou por ser concluído, redigido, verificado e reverificado com recurso ao novo modelo, num processo que mostrou duas das características que me fizeram escrever esta nota do editor: é caríssimo e é exagerado para a grande maioria dos utilizadores. Mas comecemos pelo princípio:

  • Mythos class inaugura uma nova era: a diferenciação comercial

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