🔥 🚒 Portugal entra em dois estados de excepção no mesmo dia
O dispositivo de incêndios entrou na capacidade máxima no mesmo momento em que uma onda de calor com temperaturas acima de 40 graus atravessa o país.
Número 3.86. Antes de passarmos à edição, saliento que apresentamos hoje o Public Policy Signals — o dashboard informativo que é o principal alicerce da VamoLáVer e que passa a estar acessível a todos.
Nesta edição:
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Portugal entra em dois estados de excepção no mesmo dia
Governo adia reforma da Segurança Social no mesmo dia em que o emprego bate recorde
Portugal cumpre a meta antiga da NATO quando a fasquia já subiu
Unbabel devolve 1,3 milhões ao Estado
Urgências fecham, hospitais perdem financiamento
Novas PPP para Estradas em Portugal
Public Policy Signals: transparência política ao alcance de uma pesquisa
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Irão e EUA em Doha, sem se sentarem à mesma mesa
UE aproxima-se de Ancara enquanto a Turquia aperta a segurança antes da cimeira da NATO
Von der Leyen em Baku entre o gás e os presos
Ucrânia pressiona Dublin para acelerar adesão à UE
Cripto ultrapassa imobiliário nos rendimentos de Trump em 2025
Supremo Tribunal dos EUA apoia a agenda de imigração de Trump
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Eurobarómetro: portugueses confiam na União Europeia no momento em que a Alemanha começa a virar-lhe as costas
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Sumar já tinha sucessão pronta antes da saída de Hernández
Nota: a edição é longa, pelo que pode ficar cortada nalguns leitores de correio eletrónico. Se for o caso, terá no final o link para ler na web a edição completa.
VamoLáVer é uma iniciativa cidadã, pelo que depende dos seus leitores para alargar os horizontes e chegar cada vez a mais pessoas. Partilhar “custa” pouco mais que um clique.
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Portugal entra em dois estados de excepção no mesmo dia
O dispositivo de incêndios entrou na capacidade máxima (fase Delta, mais de 15 mil operacionais) no mesmo dia em que uma onda de calor com temperaturas acima de 40 graus atravessa o país.
O Governo apresentou um plano de calor com um abrigo temporário por município; o IPMA accionou alerta vermelho para Lisboa a partir da meia-noite.
O dispositivo de combate a incêndios rurais entrou esta quarta-feira, 1 de julho, na capacidade máxima, no mesmo dia em que uma onda de calor com temperaturas superiores a 40 graus começou a atravessar o país. São mais de 15 mil operacionais no terreno e o IPMA accionou o alerta vermelho para o distrito de Lisboa a partir da meia-noite.
O dispositivo dos incêndios. A fase Delta, o terceiro reforço de meios este ano, prolonga-se até 30 de setembro. Estão ao dispor 15.149 operacionais de 2.596 equipas e 3.463 viaturas, um ligeiro aumento face a 2025. Os meios aéreos são 81, três deles helicópteros da AFOCELCA. Pela primeira vez este ano vão operar dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea, com capacidade para projectar equipas de 12 homens. O retardante, que em 2025 saía de um só centro de meios aéreos, passa a estar disponível em cinco.
Os números do fogo. Este ano ocorreram 7.173 incêndios que provocaram 14.173 hectares de área ardida, segundo dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais. A maioria concentrou-se no Norte: 2.131 incêndios e 9.643 hectares. Face ao mesmo período de 2025, o número de fogos e a área ardida duplicaram. É a maior área ardida desde 2017 e o maior número de incêndios desde 2022.
O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, Mário Silvestre, disse na Antena 1 que a maior preocupação é o número de ignições. “É preciso que tenhamos a consciência enquanto cidadãos, enquanto portugueses, que não podemos ter práticas que venham a resultar em ignições”, afirmou.
O plano para o calor. O Governo apresentou esta quarta-feira um plano de combate ao calor que prevê um abrigo temporário por município. A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, disse em conferência de imprensa que as temperaturas elevadas representam “um risco significativo para a saúde pública”, com maior perigo para idosos, crianças, grávidas, doentes crónicos e trabalhadores expostos. As Unidades Locais de Saúde estão a articular-se com municípios, juntas de freguesia, Protecção Civil e Segurança Social para identificar locais de abrigo temporário climatizados.
“A resposta mais eficaz ao calor não começa no hospital, começa muito antes, com a prevenção e a proteção ativa das pessoas mais vulneráveis”, disse Povo. A Direcção-Geral da Saúde publicou um guia para empregadores e um manual para os municípios.
Lisboa. A Câmara pediu à Polícia Municipal e ao Regimento de Sapadores Bombeiros a elevação do grau de prontidão. A autarquia aponta para uma rede de refúgios climáticos na cidade — bibliotecas, museus e espaços verdes como o Parque Florestal de Monsanto, o Jardim do Torel e a Tapada das Necessidades. O festival Lisb-On, previsto para Monsanto no fim de semana, muda para o Jardim do Parque Eduardo VII devido às temperaturas de sexta e sábado, 3 e 4 de julho.
No Parlamento. O Livre marcou para esta quarta-feira uma interpelação ao Governo sobre a época de incêndios, com pedido de presença dos ministros da Administração Interna e da Agricultura. O deputado Jorge Pinto disse à Antena 1 que o país junta condições agravadas: “Tivemos um inverno extremamente chuvoso, o que por si só já dá melhores condições para fogos florestais. Em paralelo tivemos — e ainda temos — milhões de árvores caídas. Isto é um cocktail explosivo.”
Governo adia reforma da Segurança Social no mesmo dia em que o emprego bate recorde
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, afastou esta quarta-feira, 1 de julho, uma reforma “estrutural” da Segurança Social nesta legislatura. Uma reforma dessas está “fora do horizonte” do Governo, disse, na audição regimental na Assembleia da República. Ficam apenas “medidas complementares” e a abertura para apreciar as propostas do relatório do grupo de trabalho coordenado pelo economista Jorge Bravo, que espera receber “por estes dias”.
O novo estudo foi pedido apesar de já existir o Livro Verde, encomendado pelo anterior Governo. Palma Ramalho justificou-o: o Livro Verde “traçava um futuro risonho e o relatório do Tribunal de Contas traçava um futuro que não era”.
No mesmo dia, o INE divulgou que a população empregada atingiu 5.366,6 mil pessoas em maio, o valor mais elevado desde o início da série, em fevereiro de 1998. A taxa de desemprego fixou-se em 5,5%, abaixo dos 5,7% de abril.
Portugal cumpre a meta antiga da NATO quando a fasquia já subiu
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, disse esta quarta-feira, na Assembleia da República, que Portugal atingiu 2,01% do PIB em despesa militar, valor confirmado pela NATO. O país investiu 6,1 mil milhões de euros no ano passado.
Os 2% foram fixados pela NATO em 2014. Na cimeira de Haia, no ano passado, os aliados comprometeram-se com 5%. Melo apresentou o número como marco alcançado. Descreveu-o também como “primeiro marco”.
Os Estados Unidos estão a retrair o seu apoio à NATO, segundo Melo. Os aliados europeus e o Canadá passaram de 27% em 2014 para perto de 40% da despesa principal da Aliança. Portugal parte “a dias” para a cimeira de Ancara.
Unbabel devolve 1,3 milhões ao Estado
A Unbabel terá de devolver aproximadamente 1,3 milhões de euros ao IAPMEI, depois de entrar em processo de insolvência. A empresa recebeu 14,1 milhões de euros ao abrigo do PRR, mas a despesa realizada e certificada ficou abaixo do contratualizado. De acordo com o Jornal de Negócios, avança o ECO.
A Unbabel era apresentada como caso de sucesso das startups nacionais e liderava uma das agendas mobilizadoras do PRR, o “Center for Responsible AI”. A agenda prometia 215 empregos “altamente qualificados” e mais de 217 milhões de euros em exportações.
A startup garantiu ter cumprido todos os compromissos assumidos junto do PRR antes de abrir falência.
🏥 Se fecham as urgências, hospitais perdem financiamento
Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde que não mantiverem os serviços de urgência sempre abertos passam a ser penalizados no financiamento, segundo regras que a Direção Executiva do SNS negoceia com as unidades locais de saúde para os contratos-programa de 2026, noticia o Público esta quarta-feira.
O financiamento da disponibilidade da urgência passa a ter uma componente fixa de 75% e uma variável de 25%. É sobre esta componente variável que recaem as penalizações. Uma urgência sempre aberta recebe a totalidade da componente variável; até 12 horas de encerramento num mês, recebe 70% dessa componente; o valor cai à medida que as horas aumentam e é retirado por completo acima de 72 horas.
As regras abrangem urgências gerais e pediátricas, e a indisponibilidade das VMER conta como encerramento parcial. Os administradores hospitalares dizem que a medida só faz sentido se os hospitais tiverem autonomia para contratar os profissionais necessários.
🚧 Novas PPP para a Estradas em Portugal
A notícia - O Governo anunciou o relançamento das Parcerias Público-Privadas (PPP) para a construção de 33 vias prioritárias entre 2029 e 2031. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, durante o encerramento do Congresso da Associação Portuguesa das Concessionárias de Autoestradas e Pontes (APCAP). O investimento total está estimado em mais de 6.000 milhões de euros, com a intenção de envolver o setor privado na construção e manutenção das infraestruturas rodoviárias.
O modelo de PPP será utilizado para a construção de 33 vias prioritárias, com um investimento superior a 6.000 milhões de euros.
Hugo Espírito Santo afirmou que quatro das vias já estão em fase de obra, enquanto seis estão em concurso e 11 em estudo.
A decisão sobre portagens ainda não foi tomada, e o modelo futuro para as autoestradas está em desenvolvimento.
O Algarve e Viana do Castelo foram excluídos dos projetos por razões específicas, mas estão a ser equacionados para futuras intervenções.
Fonte: eco.sapo.pt
📜 A Comissão Parlamentar de Transparência concluiu que Rita Matias (Chega) violou o código de conduta por uso abusivo do cartão de deputada e insultos à socialista Isabel Moreira. As deputadas Matias e Madalena Cordeiro foram advertidas por tentarem forçar acesso à Faculdade de Letras de Lisboa, desrespeitando as regras internas da instituição. • rtp.pt
Public Policy Signals: transparência política ao alcance de uma pesquisa
Em finais de maio a VamoLáVer anunciou algumas novidades e entre elas estava o acesso ao dashboard que uso diariamente para “ver” o momento noticioso nas várias geografias europeias, consultar dados dos Parlamentos português e europeu, legislação e actividade governamental.
Esse acesso está agora disponível a todos. Basta ir a publicpolicysignals.com, entrar um e-mail e receber o código de acesso. Nada de passwords, nada de dados, apenas o e-mail — que pode ser o usado para a VamoLáVer ou outro. Alguma dúvida, problema ou questão, não hesite o leitor em contactar-me respondendo a esta newsletter ou pelo email vamolaver@substack.com.
Este dashboard — à falta de uma melhor designação — tem uma longuíssima história, que não vale a pena pormenorizar. Mas tenho de recordar que o primeiro antepassado consistiu num agregador de notícias que fiz em 2009 e que serviu de base ao micro-site do Público para esse ano eleitoral extraordinário (legislativas e autárquicas). A presente versão tem mais ou menos dois anos.
Há cerca de um ano, quando lhe meti a camada de inteligência artificial em cima, comecei a pensar em tê-lo como um serviço autónomo e acabei por lhe dar um nome e um endereço público (acedia unicamente no meu computador, onde aliás permanece a versão sem cuidados estéticos e funcionalidades pessoais).
Sobre o dashboard, vale a pena alguma explicação. É uma visão interactiva de mais de 4.000 peças processadas diariamente — comunicados, leis, registos parlamentares, think-tanks, noticiário — recolhidas e tratadas por uma bateria de scripts e, em fases finais, por inteligência artificial. São estes dados que a Mafalda Estriga e os meus outros processos inteligentes consomem para me ajudarem produzir a VamoLáVer.
E há aqui algo que, para alguns leitores, será o mais interessante de tudo: além da visualização interactiva, os subscritores recebem acesso directo às fontes de verdade (endpoints MCP) que podem ligar aos seus próprios assistentes de IA. Ou seja: podem ligar o Claude ou o ChatGPT directamente à minha fonte e pedir-lhe que sintetize a última sessão do Parlamento, escreva uma nota sobre a legislação do dia, ou cruze um tema com a sua evolução nos últimos meses. Tanto quanto sei, não há nenhuma newsletter portuguesa a oferecer isto.
Acompanhar o que o Estado decide, em Portugal e na Europa, tornou-se um exercício cada vez mais fragmentado — entre atas parlamentares, diplomas do Diário da República, decisões judiciais e sessões do Parlamento Europeu, a informação existe, mas raramente está organizada de forma acessível ao cidadão comum. É esse vazio que a plataforma Public Policy Signals (PPS) se propõe preencher.
O projeto agrega e indexa, diariamente, a atividade do Parlamento português, do Governo, do Diário da República, dos tribunais e do Parlamento Europeu, cruzando ainda notícias de 32 países. O objetivo declarado é claro: dar acesso direto às fontes primárias da decisão pública, “sem filtros editoriais, sem intermediários” — uma proposta que se distingue de agregadores noticiosos tradicionais precisamente por devolver ao utilizador o texto original, não uma interpretação de terceiros.
Uma das funcionalidades mais interessantes é a análise automática de conteúdo por IA: resumos de sessões, extração de medidas concretas, identificação de stakeholders e comparação entre posições de diferentes partidos, incluindo timelines geradas automaticamente. No caso específico do Parlamento Europeu, a plataforma permite ver como cada grupo político votou, ler o texto integral da resolução e seguir o processo legislativo associado — tudo articulado na mesma interface, sem necessidade de saltar entre sites institucionais distintos.
A pesquisa é outro ponto central da proposta de valor: em vez de depender de correspondência exata de palavras-chave, o PPS recorre a busca semântica sobre um corpus que inclui cerca de 16 mil intervenções parlamentares e centenas de diplomas e decisões judiciais. Isto significa que uma pesquisa como “crise da habitação SNS” devolve o debate político real subjacente ao tema, e não apenas títulos de imprensa que o mencionam.
A plataforma encontra-se atualmente em fase beta, com desenvolvimento ativo e acesso gratuito — sem password, apenas com registo por email. A ressalva é explícita: as funcionalidades mais avançadas deverão passar a pagas quando o produto sair desta fase inicial, algo que vale a pena ter em conta para quem quiser adotar a ferramenta como hábito de consulta regular.
Em contexto de crescente escrutínio sobre transparência institucional e acesso à informação pública, o PPS junta-se a um conjunto ainda escasso de iniciativas que tentam tornar a atividade política verificável e pesquisável para além do ciclo noticioso. Resta ver se a cobertura anunciada — e a qualidade da análise automática — se mantêm à altura da ambição do projeto à medida que a plataforma amadurece.
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Irão e EUA em Doha, sem se sentarem à mesma mesa
Delegações do Irão e dos EUA estão em Doha para negociações técnicas indirectas mediadas pelo Qatar e pelo Paquistão, sem reunião directa prevista.
Teerão nega negociar com Washington e diz que a sua equipa só trata da libertação de activos bloqueados; Trump insiste que a reunião terá lugar.
O memorando de 17 de junho está frágil após ataques recíprocos no estreito de Ormuz e nas bases dos EUA no Golfo.
A notícia. Uma delegação iraniana e emissários norte-americanos estão esta quarta-feira, 1 de julho de 2026, em Doha, para negociações técnicas indirectas mediadas pelo Qatar e pelo Paquistão. O Irão diz que não vai negociar com os Estados Unidos.
O que aconteceu. As conversações centram-se num memorando de entendimento e dão seguimento à Cimeira do Lago Lucerna. São indirectas: não está prevista qualquer reunião directa entre americanos e iranianos nos próximos dias. O foco declarado são questões humanitárias e a libertação de activos iranianos bloqueados.
Os enviados dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff e Jared Kushner, chegaram a Doha na terça-feira. Não participam nas negociações técnicas. Reuniram-se com o primeiro-ministro do Qatar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, e com mediadores.
As posições. Teerão nega negociar. “Não haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte norte-americana”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, citado pela IRNA. Segundo Baghaei, a equipa técnica iraniana desloca-se a Doha apenas para tratar com as autoridades cataris da libertação de activos bloqueados, ao abrigo da cláusula 11 do memorando. O país “ainda não entrou na fase de negociação para um acordo definitivo”: pela cláusula 13, essas conversações só começam quando estiverem aplicadas as disposições sobre o fim da guerra em todas as frentes — Líbano, reabertura do estreito de Ormuz, suspensão das sanções ao petróleo, libertação dos fundos.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, repetiu que em Doha não haverá “nenhuma negociação com os Estados Unidos”, admitindo que o memorando “está a avançar em alguns aspetos”.
Do lado do Qatar, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Majed Al Ansari, disse que Witkoff e Kushner “não estão aqui para negociações com os iranianos”, mas para se reunirem com mediadores sobre todas as questões regionais, incluindo o Irão e o Líbano. “Que eu saiba, não está agendado nenhum encontro direto entre as duas partes nos próximos dias”, afirmou.
Donald Trump insistiu que a reunião entre americanos e iranianos teria lugar. Teerão sempre negou.
O contexto. O memorando de entendimento foi assinado a 17 de junho de 2026 e suspendeu as hostilidades três meses depois do início do conflito. Prevê que Teerão não desenvolva armas nucleares e um mecanismo para diluir no local os stocks de urânio altamente enriquecido, sob supervisão da AIEA. Dá às partes 60 dias, a partir da assinatura, para negociar a paz definitiva.
O acordo está frágil. No fim de semana houve ataques recíprocos: ataques iranianos a navios no estreito de Ormuz, bombardeamentos norte-americanos contra alvos no sul do Irão, represálias iranianas contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein. Foram os primeiros desde 17 de junho. Os confrontos cessaram na segunda-feira. O Irão exige um direito de passagem no estreito de Ormuz; os EUA rejeitam-no. No Líbano, a ofensiva israelita contra o Hezbollah continua, apesar da trégua que Teerão reivindica.
Os números. Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da equipa negocial iraniana e presidente do Parlamento, disse numa entrevista à televisão estatal que o país exportou “mais de 40 milhões de barris de petróleo” depois do memorando, quando nos 50 a 60 dias anteriores foi “completamente incapaz de exportar sequer um único barril”.
“Damos prioridade ao diálogo, mas se este diálogo falhar, também estamos prontos para a guerra”, disse Ghalibaf.
A partir da assinatura do memorando, o prazo de 60 dias corre até meados de agosto.
UE aproxima-se de Ancara enquanto a Turquia aperta a segurança antes da cimeira da NATO
Três comissários europeus reuniram-se com o presidente turco em Ancara para reforçar a cooperação em comércio, migração e segurança (Euronews), sem os nomear.
Kaja Kallas, alta representante da UE, e o comissário Magnus Brunner deslocam-se a Ancara a 2 de julho, após o diálogo económico de Istambul de 30 de junho (Kathimerini).
A Turquia mobiliza dezenas de milhares de polícias e restringe a liberdade de expressão e de reunião antes da cimeira da NATO de 7-8 de julho.
A atualidade. A Turquia mobiliza dezenas de milhares de polícias e coloca as defesas aéreas em alerta máximo para a cimeira da NATO do próximo mês. Proibiu ajuntamentos públicos e impôs restrições à liberdade de expressão e de reunião. É o cenário interno sobre o qual Bruxelas prepara uma sequência de contactos de alto nível com Ancara.
Cooperação em três frentes. Três comissários europeus reuniram-se com o presidente turco em Ancara, segundo a Euronews, para reforçar a cooperação em comércio, migração e segurança. A UE quer avançar em política externa, conectividade, comércio e migração, junto de um país que continua candidato à adesão.
Uma visita agendada para 2 de julho. A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, e o comissário europeu para os Assuntos Internos e a Migração, Magnus Brunner, deslocam-se a Ancara a dois de julho, noticia o Kathimerini. A visita conjunta sucede a um diálogo económico UE-Turquia realizado em Istambul a trinta de junho. As fontes não confirmam que este encontro e a reunião dos três comissários sejam o mesmo momento.
Uma mensagem dupla. O Kathimerini descreve a aproximação como uma mensagem dupla: Bruxelas procura reforçar a cooperação com Ancara e, ao mesmo tempo, manter pressão sobre os padrões democráticos e questões ligadas aos Estados-membros. A cimeira da NATO, nos dias sete e oito de julho, deverá envolver o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Von der Leyen em Baku entre o gás e os presos
Ursula von der Leyen desloca-se ao Azerbaijão para reforçar a presença da União Europeia no Cáucaso, uma região historicamente sob a órbita da Rússia. A visita passa pela parceria energética, pelo corredor de transporte de mercadorias entre a Ásia e a Europa e pelo processo de paz entre o Azerbaijão e a Arménia.
Em 2024, o Azerbaijão forneceu à UE cerca de 13 mil milhões de metros cúbicos de gás, aproximadamente 4% do consumo europeu. Antes da chegada de von der Leyen, sete ativistas detidos em Baku enviaram-lhe uma carta a exigir a libertação de todos os presos políticos. Uma resolução da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa conta 328, incluindo 36 jornalistas independentes.
O opositor Ali Karimli, preso desde 2025, pede sanções contra os responsáveis.
🇪🇺 Ucrânia pressiona Dublin para acelerar adesão à UE
O Taoiseach Micheál Martin afirmou esta quarta-feira que a adesão da Ucrânia à União Europeia pode ficar resolvida antes do fim da guerra. A declaração marcou o arranque da presidência irlandesa do Conselho da UE, no Castelo de Dublin.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, visita a Irlanda esta quarta-feira. Apelou à Irlanda para abrir os cinco grupos de negociação restantes já em julho, sem obstáculos substanciais. Pediu também mais sanções contra a Rússia e maior cooperação em defesa entre os 27.
Zelensky elogiou a presidência cessante, Chipre, que permitiu o início formal das negociações e a aprovação de um apoio financeiro de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.
Cripto ultrapassa imobiliário nos rendimentos de Trump em 2025
Donald Trump arrecadou pelo menos 2,2 mil milhões de dólares em 2025, revelou ontem, terça-feira, uma declaração financeira de 927 páginas do Escritório de Ética Governamental dos EUA. Cerca de 1,2 mil milhões vieram de negócios em criptomoedas, entre eles 635 milhões em royalties da moeda $TRUMP e mais de 500 milhões da World Liberty Financial, fundada pelos seus filhos e pelos filhos do enviado especial Steve Witkoff.
Os resorts e clubes de golfe renderam menos: 77 milhões em Mar-a-Lago e 122 milhões no clube de Doral, na Florida. A criptomoeda $TRUMP desvalorizou desde que Trump a lançou, dias antes de assumir o cargo.
A vice-porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, disse que o presidente nunca esteve envolvido em “conflitos de interesse”.
🇺🇸 ⚖️ O Supremo Tribunal dos EUA apoia a agenda de imigração de Trump
O Supremo Tribunal dos Estados Unidos apoiou em grande parte a agenda de imigração do presidente Donald Trump, permitindo a implementação de várias políticas restritivas, com uma exceção significativa relacionada à cidadania por nascimento.
Principais decisões
Cidadania por nascimento: manteve o princípio de que qualquer pessoa nascida nos EUA é cidadã, independentemente do status de imigração dos pais, um revés para a administração Trump.
Proteções temporárias: autorizou o fim das proteções legais para migrantes do Haiti e da Síria, potencialmente expondo centenas de milhares a deportações.
Limites ao asilo: a decisão permite que a administração Trump reative políticas que limitam o número de pedidos de asilo, o que pode agravar a crise humanitária na fronteira.
Poderes dos oficiais de imigração: deu mais liberdade aos oficiais de imigração para decidir sobre o tratamento de portadores de green card que retornam ao país, levantando preocupações sobre abusos de poder.
Impacto: As decisões do Supremo Tribunal podem ter consequências duradouras para a imigração nos EUA, moldando a percepção pública sobre o país como um destino para migrantes.
Fonte: apnews.com
Eurobarómetro: portugueses confiam na União Europeia no momento em que a Alemanha lhe vira as costas
Portugal lidera a confiança na UE (94% vêem-na como espaço de estabilidade) no mesmo Eurobarómetro em que o otimismo alemão cai de quase 70% para 48%.
Os portugueses querem a UE focada no custo de vida (65%) e na saúde (62%), enquanto a média europeia prioriza defesa e segurança; só 21% dos portugueses apontam a defesa como prioridade, contra 34% na média dos 27.
90% dos portugueses consideram positiva a adesão à UE, no ano em que se cumprem quatro décadas desde a entrada de Portugal no projecto europeu.
O Eurobarómetro para o Parlamento Europeu, feito entre abril e maio de 2026 com cerca de 27.000 inquiridos, mede a confiança dos europeus na União. Portugal aparece no topo: 94% dos portugueses veem a UE como um espaço de estabilidade num mundo conturbado. A média europeia é de 75%.
O que aconteceu. A confiança na UE atingiu um dos valores mais altos da última década, 75% em toda a União, mais 8 pontos face ao outono de 2025. O número esconde movimentos em sentidos opostos. Na Alemanha, motor histórico do projecto europeu, o otimismo caiu para 48%, contra quase 70% um ano antes. Em Portugal, o otimismo quanto ao futuro da União subiu um ponto, para 65%, acima dos 59% da média dos 27.
O contraste. Alfredo Sousa de Jesus, Chefe do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, descreve o país no topo da tabela. “Só a Dinamarca e Malta conseguem ser mais europeístas que Portugal”, afirmou. 90% dos portugueses consideram que a adesão à Europa foi positiva e apenas 7% a veem como negativa. A média europeia dos que dizem ter beneficiado da UE fica-se pelos 74%; em Portugal são 90%.
Os números. O apetite português por mais Europa é maior do que a média. 97% dos portugueses querem que os Estados-membros reforcem a união para enfrentar desafios globais, e 92% acham que a UE precisa de mais recursos — contra 73% na média dos 27. A imagem positiva da União chega aos 67% em Portugal, 50% na média europeia.
A divergência de prioridades. É aqui que Portugal se afasta do resto. As três prioridades apontadas pelos portugueses são, por esta ordem, o custo de vida, a saúde e o emprego e a luta contra a pobreza. 65% pedem foco no custo de vida, na inflação e nos preços; 62% na saúde pública. A defesa e a segurança são prioridade para 21% dos portugueses. A média dos 27 é de 34%. A nível europeu, defesa, segurança e independência energética estão à frente.
O que os une. O principal valor a defender coincide dos dois lados: a paz, 58% em Portugal, 51% na média europeia. E 90% dos portugueses acham que o papel da UE na protecção contra crises globais poderá vir a ser mais importante no futuro, contra 68% da média dos 27.
O contexto. Portugal não é caso único no sul e no leste. Em Espanha, 74% veem a UE como um espaço de tranquilidade, seis pontos acima da média; o otimismo espanhol subiu nove pontos, para 65%. Na Eslovénia, 70% consideram a União uma zona de estabilidade. O ano marca quatro décadas desde a adesão de Portugal ao projecto europeu.
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Sumar já tinha sucessão pronta antes da saída de Hernández
Lara Hernández anunciou esta quarta-feira, 1 de julho, a demissão de todos os cargos no Movimento Sumar e a saída do partido, a dez dias da assembleia marcada para 11 de julho. Coordenava a formação desde março de 2025.
Cinco dias antes, a 26 de junho, Verónica Barbero e Rosa Martínez tinham anunciado uma candidatura conjunta à direção. O prazo de candidaturas fechou com uma lista única, liderada por ambas, na qual Hernández não figura, apesar de convidada a integrá-la.
A saída segue-se ao arquivamento de uma investigação interna por alegado tratamento vexatório a trabalhadores, encerrada após a retirada das denúncias. Hernández classificou o caso como uma “campanha de desprestígio” contra si. A lista será ratificada a 11 de julho.
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