No primeiro Dia de Portugal do seu mandato, Seguro defende a inclusão e remete o debate laboral para o parlamento
Luís Montenegro juntou-se à visita ao final do dia, depois da Cimeira UE-Balcãs, em Tivat. É o primeiro Dia de Portugal que Presidente e primeiro-ministro celebram juntos.
Número 3.71. Nesta edição:
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No primeiro Dia de Portugal do seu mandato, Seguro defende a inclusão e remete o debate laboral para o parlamento
Presidente da República promulga regime dos médicos tarefeiros no SNS
Carneiro acusa Governo de não fazer dos internamentos sociais uma prioridade
PS desconfia das contas de 2% do PIB na defesa
🇪🇺
UE admite culpa pelo atraso e tenta acelerar a adesão dos Balcãs
Direitos dos passageiros aéreos saem intactos do compromisso na UE
🌍
OMS declara emergência internacional com surto de Ébola a saltar para 471 casos
Drones ucranianos atingem São Petersburgo no dia em que Putin recusou Zelensky
🇪🇸
Anticorrupção quer ouvir a presidente do PSOE no caso Leire Díez
Orçamento de 2027 testa a sobrevivência de Sánchez
🇮🇹
Salvini quer imposto sobre a banca para pagar habitação
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A herança de Orbán pesa sobre Magyar e os fundos de defesa da UE
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No primeiro Dia de Portugal do seu mandato, Seguro defende a inclusão e remete o debate laboral para o parlamento
António José Seguro abriu o primeiro Dia de Portugal do seu mandato no Luxemburgo, perante a Câmara dos Deputados do Grão-Ducado
A comunidade portuguesa é a maior estrangeira no Luxemburgo: 89.671 residentes, 13,2% da população.
O evento. António José Seguro abriu este sábado as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo, perante a Câmara dos Deputados do Grão-Ducado. Defendeu a abertura e a integração. À distância, sobre o que se discute em Lisboa, recusou comentar.
É o primeiro Dia de Portugal do mandato de Seguro. E o primeiro alguma vez assinalado no Luxemburgo.
O que disse. Perante os deputados luxemburgueses, três deles de origem portuguesa, Seguro fez da comunidade emigrante o argumento. “Sociedades mais fortes constroem-se pela inclusão, pelo respeito mútuo e pela capacidade de acolher aqueles que desejam contribuir para o bem comum”, afirmou, apontando o Luxemburgo como “um feliz exemplo”.
“Num tempo em que tantas fronteiras se erguem e tantas portas se fecham, este exemplo de abertura, confiança mútua e integração merece ser reconhecido e valorizado”, disse.
No almoço com os Grão-Duques Guilherme V e Stéphanie, foi mais longe sobre o lugar dos portugueses no país. “Hoje, a comunidade portuguesa já não é apenas uma comunidade de imigrantes; constitui uma parte indissociável da própria identidade do Luxemburgo”, disse.
Os números. Os portugueses são a maior comunidade estrangeira do Grão-Ducado: 89.671 residentes a 1 de janeiro de 2025, cerca de 13,2% da população, segundo o instituto de estatística luxemburguês. As relações diplomáticas entre os dois países fazem 135 anos.
O que evitou. Questionado pelos jornalistas, Seguro recusou pronunciar-se sobre o pacote laboral em debate na Assembleia da República. “O Presidente da República não se vai imiscuir nesse debate e nessa discussão. E vai esperar pelo seu tempo. Este é o tempo do parlamento”, insistiu.
Negou também ter criticado o Governo de Luís Montenegro quando apontou a falta de respostas para os internamentos sociais nos hospitais — problema que disse não poder tornar-se o novo normal. “Isso não significa que eu esteja a fazer críticas a A, a B ou a C”, afirmou. “Significa apenas uma coisa tão simples: há um problema e é preciso resolvê-lo.”
Mas não recuou da função de assinalar. “O Presidente da República pronunciou-se, pronuncia-se e vai pronunciar-se muitas vezes sobre a realidade do país. Não esconderei nenhuma realidade e direi em voz alta aquilo que eu considero que é importante.”
Sobre as soluções, remeteu para o Executivo. “O Governo tem o poder executivo e será o primeiro a responder a essas perguntas”, disse, a propósito das queixas dos emigrantes sobre o voto e o ensino do português no estrangeiro.
A estabilidade. Seguro fez questão de defender legislaturas inteiras. “O país não aguenta com legislaturas encurtadas e também não aguenta com mudanças políticas permanentemente”, afirmou.
Luís Montenegro juntou-se à visita ao final do dia, depois da Cimeira UE-Balcãs, em Tivat. É o primeiro Dia de Portugal que Presidente e primeiro-ministro celebram juntos.
E agora? As comemorações seguem para território nacional. Na ilha Terceira, nos Açores, a 9 e 10 de junho. O debate sobre a legislação laboral continua na Assembleia da República — e Belém, por agora, fica a aguardar o desfecho.
🏥 Presidente da República promulga regime dos médicos tarefeiros no SNS
Seguro promulgou o diploma que regula a contratação de médicos em regime de prestação de serviços — os tarefeiros — pelos hospitais públicos do Serviço Nacional de Saúde.
A norma teve um percurso longo. O Governo aprovou-a pela primeira vez em outubro, mas o anterior Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, devolveu-a no início do ano “para aperfeiçoamentos”. O executivo reaprovou o texto a 7 de maio, com “alguns retoques”, segundo a ministra da Saúde.
Com a promulgação, fica fechado o regime que enquadra a dependência dos hospitais do SNS de médicos contratados ao serviço, depois de ultrapassado o crivo presidencial.
🏥 Carneiro acusa Governo de não fazer dos internamentos sociais uma prioridade
O problema é transversal: a ministra da Saúde admite-o como prioridade e o Presidente Seguro avisa que não pode ser “o novo normal”.
José Luís Carneiro acusou este sábado o Governo de não “garantir uma resposta de retaguarda” social na saúde. Pediu ao Estado que “assuma a responsabilidade” pelos idosos que ficam internados em hospitais por falta de apoio familiar e social. O secretário-geral do PS falava no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, em Penafiel, depois de reunir com a administração.
O problema. No hospital de Penafiel, cerca de 60 camas por dia estão ocupadas por pessoas que não saem porque não têm para onde ir. São idosos sem retaguarda familiar ou social, que, segundo Carneiro, chegam a passar “um ano, dois anos, três anos” internados. Reuniu com o conselho de administração antes de falar aos jornalistas. É o chamado internamento social: a cama hospitalar transformada em lar por ausência de alternativa.
Os números. O centro hospitalar serve meio milhão de pessoas. Tem um investimento previsto de 200 milhões de euros, para o qual Carneiro pediu “atenção” ao Governo. E faltam-lhe cerca de 150 enfermeiros “para responder às necessidades”, disse.
A crítica. Carneiro responsabilizou a articulação falhada entre dois ministérios. Defendeu que cabe ao Estado liderar o processo — “neste caso a Segurança Social, o Ministério da Segurança Social [junto com o Trabalho e Solidariedade] com o Ministério da Saúde” — negociando com as misericórdias e as instituições particulares de solidariedade social e financiando a resposta. Questionado sobre o papel do executivo, foi seco: se o tema “fosse uma prioridade, estaria a ser resolvida”. “Nestes dois anos, não vi que fosse prioridade do Governo. Pelo contrário.”
O líder socialista lembrou um projecto do PS para responder a esta lacuna, chumbado no Parlamento. E disse não querer opor-se à política de Luís Montenegro, antes afirmar “uma alternativa”: cuidados primários, unidades locais de saúde, centros de responsabilidade integrada, mais autonomia aos conselhos de administração e melhor articulação entre a Segurança Social e a Saúde.
As posições. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse na sexta-feira que encontrar soluções para os internamentos sociais é uma prioridade e que o Governo tem de trabalhar com o sector social. O problema atravessa as linhas partidárias. O Presidente da República, António José Seguro, alertou esta semana que os internamentos sociais não podem ser “o novo normal”. E Nuno Marques, ex-coordenador do plano de ação do envelhecimento activo e saudável, defende equipas multidisciplinares como forma de ligar respostas que evitem as camas bloqueadas.
Carneiro recusou comentar a Prestação Social Única e a greve geral de quarta-feira. Sobre as críticas que a ministra dirigiu ao socialista Fernando Araújo, que elogiou, limitou-se a uma frase: “O pior que pode acontecer a um responsável político é não assumir as suas responsabilidades e querer atirar com as suas responsabilidades para outros.”
E agora? O projecto socialista para os internamentos sociais já foi chumbado uma vez no Parlamento. Falta saber se o Governo apresenta uma resposta própria — e como reparte o financiamento entre a Saúde e a Segurança Social.
🛡️ PS desconfia das contas de 2% do PIB na defesa
O PS suspeita que o Governo cumpriu a meta de 2% do PIB em investimento na defesa mudando o que conta como despesa, e não com investimento real. “Não encontramos explicação, a não ser uma alteração do perímetro”, afirma fonte oficial socialista ao Público.
O partido questionou o ministro sobre como a meta foi atingida e diz não ter recebido os detalhes que pediu. Para os socialistas, as contas não batem certo. A dúvida é se o compromisso com a NATO e a UE foi alcançado por reclassificação contabilística.
O Ministério da Defesa Nacional não facultou os dados pedidos. O PS insiste e aguarda a resposta.
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UE admite culpa pelo atraso e tenta acelerar a adesão dos Balcãs
Merz e Macron empurraram por uma adesão mais rápida dos Balcãs e admitiram que o atraso de 13 anos é culpa da UE.
A proposta franco-alemã de “integração gradual” divide os 27: Luxemburgo e Bulgária temem baixar critérios; Costa quer acabar com a unanimidade por fase.
Montenegro lidera (14 de 33 capítulos, adesão possível em 2028); a Albânia não fechou nenhum capítulo e o Kosovo não é candidato.
A notícia. Friedrich Merz e Emmanuel Macron defenderam uma adesão mais rápida dos Balcãs Ocidentais à União Europeia e atribuíram à própria UE parte da responsabilidade pelo atraso. Foi na cimeira UE-Balcãs Ocidentais, em Tivat, Montenegro, na sexta-feira, 5 de junho de 2026. O chanceler alemão disse que a ausência de novos membros nos últimos 13 anos revela falhas no processo de alargamento.
O que aconteceu. Seis países — Montenegro, Albânia, Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Macedónia do Norte e Kosovo — sentaram-se com os 27. Merz e Macron levaram uma proposta franco-alemã de “integração gradual”: acesso progressivo ao mercado único, estatuto de observador nas instituições europeias e participação mais próxima na decisão, à medida que cada candidato cumpre reformas. A adesão plena continua a ser o objetivo final. António Costa, presidente do Conselho Europeu, presidiu. Ursula von der Leyen pediu um processo de alargamento mais rápido e credível, baseado no mérito.
As posições. A proposta divide os 27. Pedro Sánchez, o chanceler austríaco Christian Stocker e o presidente romeno Nicușor Dan apoiaram-na. Luxemburgo e Bulgária travaram: temem que o acesso faseado prolongue os processos e baixe os critérios de adesão. Entre os candidatos, a divisão é outra. Edi Rama, primeiro-ministro albanês, pediu um “momento Helmut Kohl” e avisou que os Balcãs podem virar-se para a Rússia ou a China se a espera continuar. O presidente sérvio, Aleksandar Vučić, disse estar no “caminho europeu” mas recusou alinhar-se contra Moscovo, preferindo falar dos ganhos económicos do país.
Os números. Montenegro é o mais avançado: fechou 14 dos 33 capítulos de negociação. A comissária para o Alargamento, Marta Kos, apontou 2028 como data possível para a adesão. A Albânia ainda não fechou nenhum capítulo. Kosovo nem sequer tem estatuto de candidato pois nem sequer é reconhecido como país por todos os membros.
Porque importa. A UE trata o alargamento como investimento geopolítico — a frase é de Costa. A região está rodeada por território da UE, e Bruxelas quer travar a influência russa e chinesa antes que cresça. Esta foi a primeira cimeira a juntar os líderes europeus depois da derrota eleitoral de Viktor Orbán, o antigo primeiro-ministro húngaro próximo de Moscovo. O cálculo também é comercial: o comércio bilateral entre a UE e a região passou os 87 mil milhões de euros no último ano, com a UE a exportar muito mais do que importa — maquinaria pesada, produtos químicos, metais.
O obstáculo. Cada fase do processo de adesão exige unanimidade dos Estados-membros. Costa propôs eliminá-la para acelerar. Sem essa mudança, um só país pode bloquear qualquer candidato — e a França já se mostrou cética quanto a Montenegro.
O ângulo português. Luís Montenegro, primeiro-ministro português, participou na cimeira e invocou o percurso de Portugal na UE como exemplo para os candidatos. O chefe do Governo — que partilha apelido com o país anfitrião — disse esperar uma “conexão (...) entre as políticas internas dos Estados candidatos e o alinhamento europeu, seja no plano económico, no plano social e também no plano político e geopolítico”. Ligou o tema à presidência portuguesa do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que arranca em janeiro de 2027: “Essa é a marca que queremos levar ao Conselho de Segurança.”
E agora? A proposta franco-alemã de integração gradual segue para discussão entre os 27, sem acordo fechado em Tivat. Montenegro — o país — aponta a 2028 como data possível para a adesão, dependente de unanimidade que ainda não existe.
✈️ Direitos dos passageiros aéreos saem intactos do compromisso na UE
A reforma podia ter cortado a compensação por atrasos e cancelamentos. Não cortou. Os negociadores da União Europeia fecharam, ao fim de meses de conversações, um compromisso que mantém praticamente inalterados os direitos dos passageiros: os viajantes continuam a poder reclamar até 600 euros por voos perturbados.
Estava em causa o limiar de compensação, um dos pontos mais sensíveis para os consumidores europeus. O acordo preserva-o.
A última ronda com o Parlamento Europeu, na terça-feira, tinha falhado. Agora, sob presidência cipriota do Conselho, os embaixadores dos Estados-membros reúnem-se na sexta-feira às 18h para discutir a proposta final, que abrange as questões ainda pendentes da reforma.
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🦠 OMS declara emergência internacional com surto de Ébola a saltar para 471 casos
A estirpe Bundibugyo não tem vacina nem tratamento aprovado; modelos do CDC projetam 10.000 a mais de 20.000 casos.
A Organização Mundial da Saúde declarou esta sexta-feira o surto de Ébola na África Central uma emergência de saúde pública de âmbito internacional. Os números confirmados subiram para 471 casos e 84 mortes na República Democrática do Congo e no Uganda — um aumento de 100 casos e 20 mortes em relação ao dia anterior. Só nas últimas 24 horas, o Instituto Nacional de Saúde Pública congolês registou 71 novos casos confirmados.
Os números. A RDC concentra o grosso da epidemia: 452 casos e 82 mortes desde 15 de maio de 2026, data em que o surto foi oficialmente declarado. O Uganda soma 19 casos e dois óbitos. As autoridades congolesas alertaram para “uma transmissão comunitária rápida e contínua”. O vírus partiu da província de Ituri, no nordeste, e expandiu-se para Kivu do Norte e Kivu do Sul, e depois para território ugandês.
A doença não tem resposta médica aprovada. A estirpe responsável é a Bundibugyo, uma variante rara para a qual não existe vacina nem tratamento autorizado. As terapias e vacinas desenvolvidas para outras estirpes do Ébola não funcionam contra esta. A taxa de letalidade da Bundibugyo situa-se entre 30% e 50%. Esta semana, a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations atribuiu 60 milhões de dólares de financiamento de emergência a três candidatos a vacina. “Cada dia conta na corrida contra esta doença mortal”, disse Richard Hatchett, diretor executivo da CEPI.
Onde o vírus está é onde a resposta é mais difícil. O epicentro fica numa zona mineira remota de Ituri, marcada por conflito armado. Há milícias a operar na região e alguns centros de tratamento de Ébola já foram atacados. O conflito deslocou dezenas de milhares de pessoas. Os investigadores dizem estar prontos a iniciar ensaios clínicos assim que as condições no terreno o permitirem.
Porque importa. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos divulgou modelos que projetam entre 10.000 e mais de 20.000 casos. A referência é a epidemia de 2014-2016 na África Ocidental, que começou na Guiné e causou mais de 11.000 mortes, com mais de 28.000 casos confirmados. A OMS avisa que o surto atual pode rivalizar com esse. O FAZ nota que a crise apanha o sistema internacional de saúde fragilizado pela saída dos Estados Unidos da OMS e pela dissolução da USAID.
A dimensão lusófona. A RDC faz fronteira com Angola. Os ministros da saúde dos oito países da Comunidade da África Oriental já acordaram harmonizar a vigilância em aeroportos, portos e passagens fronteiriças, e criaram um grupo técnico regional para coordenar a resposta.
A doença é sobrevivível com cuidados precoces. A OMS confirmou a 27 de maio a primeira recuperação da estirpe Bundibugyo na RDC: um paciente teve dois testes negativos e regressou à comunidade. No fim de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou em Bunia cinco recuperações, coincidindo com a abertura de um novo centro de tratamento na capital de Ituri. O acesso atempado aos cuidados melhora as taxas de sobrevivência mesmo sem terapia específica.
E agora? A OMS e o Centro Africano para Controlo e Prevenção de Doenças apresentaram um plano de contenção de 518 milhões de dólares para os próximos seis meses, com prioridade para a vigilância epidemiológica, testes laboratoriais e prevenção de infeções. A trajetória do surto depende da rapidez com que os casos forem identificados e isolados — num terreno onde isso é tudo menos garantido.
🛡️ Drones ucranianos atingem São Petersburgo no dia em que Putin recusou Zelensky
A Ucrânia atingiu São Petersburgo e a base de Kronstadt com centenas de drones; a Rússia abateu 376 em 14 regiões e mandou os residentes ficar em casa pela primeira vez na guerra.
O ataque veio depois de Putin recusar, no seu fórum económico, o pedido de encontro de Zelensky, que classificou de “bastante rude” e inútil.
Zelensky reúne-se em Londres no domingo com Macron, Merz e Starmer para reforçar a pressão sobre Moscovo.
A Ucrânia lançou centenas de drones contra São Petersburgo e a base naval de Kronstadt durante a noite de 5 para 6 de junho de 2026. As defesas russas abateram 376 drones em 14 regiões. O autarca da cidade, Alexander Beglov, pediu aos residentes que ficassem em casa — a primeira vez desde o início da invasão, há mais de quatro anos.
O ataque coincidiu com o último dia do fórum económico de Vladimir Putin, em São Petersburgo. No dia anterior, no mesmo fórum, Putin tinha recusado encontrar-se com Volodymyr Zelensky.
O que aconteceu. Os drones percorreram cerca de mil quilómetros até à região de São Petersburgo, segundo Zelensky. Atingiram arsenais da marinha russa e a base de Kronstadt, principal posto avançado da Frota do Báltico. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) reportou um incêndio e detonações secundárias no 15.º Arsenal da Marinha Russa, na região de Leninegrado, onde estão armazenados mísseis e munições. Um depósito de petróleo em Ust-Labinsk, na região sul de Krasnodar, a 500 quilómetros, também ardeu. As autoridades de transporte fecharam por breves horas todas as entradas e saídas de Kronstadt.
Yevhen Karas, comandante do 413.º regimento de ataque das Forças de Sistemas Não Tripulados, disse à BBC que era fácil atingir alvos dentro da Rússia. “Voamos na Rússia como se fosse o nosso próprio território. Quase nenhuma resistência, não é difícil atingir um alvo”, disse.
O contexto. Na quinta-feira, Zelensky publicou uma carta aberta a Putin — a primeira mensagem pública directa desde a invasão de 2022. Propôs um encontro em país terceiro, Turquia ou Suíça, e um cessar-fogo durante as negociações. Reconheceu que a administração Trump tem o conflito com o Irão como prioridade e que seria errado esperar que voltasse a atenção para a Ucrânia.
Putin respondeu no fórum, na sexta-feira. Considerou a carta “bastante rude” e o encontro inútil. Disse que uma trégua só permitiria à Ucrânia reorganizar-se e que a guerra só termina quando a Rússia atingir os seus objectivos. Zelensky chamou-lhe “fraco” e acusou-o de “escolher novamente a guerra”.
As posições. A Rússia exige que a Ucrânia se retire de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia — que ocupa em grande parte — e que abandone a adesão à NATO. A Ucrânia recusa ceder território. Argumenta que concessões a Moscovo a encorajariam a invadir de novo.
O contexto militar e financeiro. O parlamento ucraniano ratificou a 28 de maio o empréstimo de 90 mil milhões de euros da Comissão Europeia, destinado à defesa aérea. Ursula von der Leyen disse que os primeiros desembolsos chegam em junho. Dados do Institute for the Study of War indicam que a Ucrânia recuperou mais território do que perdeu em maio, pelo segundo mês consecutivo.
O fórum de São Petersburgo, outrora o “Davos russo”, reuniu convidados de 130 países e uma delegação discreta dos EUA, a primeira em anos. Entre os presentes, o ex-actor Steven Seagal e deputados da Alternativa para a Alemanha. Repórteres da AFP viram robôs humanoides russos a circular pelos pavilhões.
E agora? Zelensky encontra-se em Londres no domingo com Emmanuel Macron, Friedrich Merz e Keir Starmer para discutir como aumentar a pressão sobre Moscovo. Macron, que apoiou a carta de Zelensky, convocou uma reunião da Coligação de Voluntários para Paris, a 13 e 14 de julho.
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⚖️ Fiscalía Anticorrupção quer ouvir a presidente do PSOE no caso Leire Díez
O PP intensifica o pedido de demissão do ministro do Interior, Marlaska, e da directora da Guarda Civil; a decisão sobre as convocatórias cabe ao juiz Pedraz.
A Fiscalía Anticorrupção pediu na sexta-feira ao juiz Santiago Pedraz que convoque como testemunha a presidente do PSOE, Cristina Narbona, no inquérito do caso Leire Díez. O pedido inclui cerca de vinte pessoas. Entre elas, a advogada do ex-assessor ministerial Koldo García, Leticia de la Hoz, que a Fiscalía quer ouvir como arguida.
O que aconteceu. Narbona surge num relatório da Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil, juntado ao processo. O documento descreve uma conversa de WhatsApp de 24 de abril de 2024 entre a presidente do PSOE e Leire Díez, ex-militante socialista apontada como coordenadora da alegada trama. Segundo a UCO, Díez propôs nessa troca “reconduzir” os ataques ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, oferecer “ajuda qualificada” e “dar a volta ao assunto”. A Fiscalía quer também ouvir o general chefe do Estado-Maior da Guarda Civil, três agentes do corpo — entre eles os antigos responsáveis máximos da UCO, Rafael Yuste e Alfonso López Malo — e a empresária Carmen Pano, que afirmou ter levado 90 mil euros em dinheiro à sede do PSOE. A decisão sobre as convocatórias cabe a Pedraz, da Audiência Nacional.
O caso sobe na cadeia do partido. O juiz investiga uma alegada rede para desestabilizar processos judiciais que afectam o PSOE e o Governo. Pedraz aponta o ex-secretário de Organização do partido, Santos Cerdán, como líder da trama. O PSOE diz ter tomado medidas sobre Cerdán há um ano. O pedido para ouvir Narbona leva agora a investigação à presidente do partido.
As posições. O PSOE manifestou apoio total a Narbona e disse que ela já prestou explicações. Narbona reconhece que Díez lhe ofereceu informação, mas afirma que a encaminhou para Cerdán e que não recebeu qualquer ficheiro. Cerdán nega liderar a trama. Em comunicado, rejeitou de forma “absoluta e radical” qualquer delito e disse ser alvo de uma “campanha mediática”. Entre os parceiros de Governo, o porta-voz do Sumar, Ernest Urtasun, classificou de “impresentável” o que emerge do inquérito, mas remeteu para a Justiça a decisão sobre se há crime. O secretário-geral das Comissões Operárias, Unai Sordo, disse que o PSOE deve “bastantes explicações” e rejeitou eleições antecipadas.
O grão da investigação. A UCO descreve operações concretas. O relatório aponta que a alegada trama terá mediado com um membro do Partido Nacionalista Basco para facilitar o resgate de 112,8 milhões de euros da Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI) à empresa Tubos Reunidos, recebendo 114.950 euros através da firma Mediaciones Martínez. Numa busca à casa do ex-vice-presidente da Andaluzia, Gaspar Zarrías, a Guarda Civil apreendeu 19.850 euros em dinheiro, guardados num baú da sala e num envelope. E a UCO indica que Díez se reuniu pelo menos três vezes, entre setembro de 2024 e abril de 2025, com a directora da Guarda Civil, Mercedes González, para que esta actuasse contra os próprios investigadores da unidade.
E agora? O Partido Popular intensifica o pedido de demissão do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, e de González. Marlaska mantém o apoio à directora e nega que as reuniões visassem prejudicar os investigadores. Pedraz tem de decidir quem chama a depor e em que qualidade. O segredo de justiça foi levantado em parte a 1 de junho; mantém-se por mais um mês sobre uma fracção do processo.
Orçamento de 2027 testa a sobrevivência de Sánchez
A Coligação Canária avisa que o Orçamento do Estado para 2027 será uma “questão de confiança” para Pedro Sánchez. Se as contas não passarem e o presidente do Governo não convocar eleições antecipadas, a deputada Cristina Valido prevê que possa ser “a gota de água” para o PP avançar com uma moção de censura.
A fragilidade parlamentar fica exposta num número que o Governo ainda nem apresentou. Espanha continua a funcionar com o orçamento de 2023 prorrogado, e este seria o primeiro da legislatura. Valido diz que a Coligação Canária está disposta a negociar — desde que o projeto chegue ao Congresso.
🇮🇹 Salvini quer imposto sobre a banca para pagar habitação
Matteo Salvini exige que a Unicredit e a Intesa Sanpaolo financiem o Plano Casa do governo italiano. O líder da Lega e vice-primeiro-ministro propõe um imposto extraordinário sobre os lucros recorde dos bancos, que este ano deverão atingir 20 mil milhões de euros.
O mercado respondeu de imediato: as ações das duas instituições caíram após a intervenção, feita num evento em Milão dedicado à iniciativa.
A proposta surge depois da aprovação da última manobra orçamental e reabre o debate sobre financiar política pública de habitação com receitas extraordinárias da banca. Falta saber se o resto da coligação acompanha Salvini ou trava a medida.
🇭🇺 A herança de Orbán pesa sobre Magyar e os fundos de defesa da UE
A Hungria é o único país da UE cujo plano de empréstimos de rearmamento SAFE ainda não foi aprovado. Em jogo estão 16 mil milhões de euros essenciais para as suas forças armadas.
O dinheiro está congelado por abusos do Estado de direito sob o regime de Viktor Orbán. Quem agora tem de o desbloquear é o primeiro-ministro que o derrotou, Péter Magyar.
O dilema é dele: precisa dos fundos europeus para rearmar o país, mas tem de impedir que cheguem aos oligarcas ligados ao antecessor. Magyar tem aproximado a Hungria da obtenção do dinheiro, gerindo ao mesmo tempo a herança do orbanismo.
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