Lisboa quer vender dez imóveis por 59,2 milhões no dia em que a dívida das câmaras volta a subir
São "património não estratégico", diz o vice-presidente. Já o Conselho das Finanças Públicas revelou que a dívida dos municípios subiu 5,6% em 2025 — a primeira subida em mais de dez anos.
Número 3.89. Nesta edição tratamos com profundidade o caso Le Pen, que hoje mudou um pouco de figura e dramatiza uma campanha presidencial em que as esquerdas andam à nora. Mas a abertura é outra. Índice:
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Lisboa quer vender dez imóveis por 59,2 milhões no dia em que a dívida das câmaras volta a subir
Antigo líder da Fenprof exige demissão do ministro da Educação
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Marine Le Pen pode ir a votos, mas talvez não consiga fazer campanha
Já não é catavento, é ventilador: esquerda sem rumo para as presidenciais
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NATO promete dinheiro à Ucrânia, não a adesão
Israel nega ambições no Líbano mas fica no sul
Brasília avisa Washington do risco de força militar em solo brasileiro
Nigel Farage demite-se como deputado
Nota: a edição é longa, pelo que pode ficar cortada nalguns leitores de correio eletrónico. Se for o caso, terá no final o link para ler na web a edição completa.
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Lisboa quer vender dez imóveis por 59,2 milhões no dia em que a dívida das câmaras volta a subir
A Câmara de Lisboa propõe vender dez imóveis em hasta pública por um valor base de 59,2 milhões, destinados ao plano de investimentos até 2030.
No mesmo dia, o Conselho das Finanças Públicas revelou que a dívida dos municípios subiu 5,6% em 2025 — a primeira subida em mais de dez anos.
O aumento da dívida coexiste com receitas fiscais em máximos: o excedente agregado das autarquias cresceu 84%.
A notícia do dia. A Câmara de Lisboa quer alienar dez imóveis municipais em hasta pública. Valor base: 59,2 milhões de euros. A proposta vai à reunião privada do executivo amanhã, quarta-feira, e a receita destina-se ao plano de investimentos do município até 2030.
Para onde vai o dinheiro. O vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, com o pelouro da Gestão Patrimonial, classifica os terrenos como património não estratégico. Ficam no Beato, em Marvila, na Penha de França, em Belém, no Lumiar, em São Vicente e em Campolide. “Nada disto será para financiar despesa corrente, é para financiar investimento nas grandes necessidades da Câmara Municipal, na área dos transportes, na área do espaço público e na área da segurança”, disse à TSF. A verba consta como receita de capital nas Grandes Opções do Plano 2026-2030: transportes com zero emissões, creches, escolas, esquadras, centros de saúde, habitação, pavimentação.
A liderança PSD/CDS-PP/IL de Carlos Moedas governa em maioria absoluta, garantida depois de integrar uma vereadora que se desfiliou do Chega. A aprovação em executivo está assegurada. Oito dos imóveis, avaliados em 57,6 milhões, precisam ainda do aval da Assembleia Municipal, onde a coligação não tem maioria. O mais valioso fica na Rua Emília Eduarda: 13,7 milhões.
Os números do país
No mesmo dia, o Conselho das Finanças Públicas divulgou o relatório da execução orçamental da Administração Local. A dívida dos municípios subiu 5,6% em 2025, mais 204 milhões, para 3.856 milhões no final do ano. É a primeira subida em mais de uma década, travando um percurso de redução iniciado com o regime financeiro das autarquias. A 1 de Janeiro de 2014, a dívida total era de 7,3 mil milhões.
O agravamento concentra-se em metade do país: 143 autarquias somaram 393 milhões de dívida adicional, valor só em parte compensado pela redução de 189 milhões nas outras 164. Fornos de Algodres e Vila Real de Santo António continuam em rutura financeira, com o rácio da dívida acima de 300%.
Isto acontece com as receitas em máximos. O excedente agregado dos municípios saltou de 267 para 492 milhões — mais 83,5%. Os impostos renderam mais 529 milhões, puxados pelo IMT (+24,2%) e pela taxa turística, que quase duplicou, de 94 para 174 milhões. A despesa de capital disparou 30,3%, para 3,83 mil milhões, num ano de aceleração para cumprir os prazos das obras do PRR.
Entre 2008 e 2021, sob gestão PS, a Câmara de Lisboa fez operações patrimoniais que renderam mais de 800 milhões. Os terrenos de Entrecampos, em 2019, valeram cerca de 274 milhões.
🎓 Antigo líder da Fenprof exige demissão do ministro da Educação
Mário Nogueira exige a saída do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre. O antigo líder da Fenprof acusa-o de incompetência na gestão das correcções digitais dos exames nacionais do secundário.
A porta-voz da Missão Escola Pública, Cristina Mota, também aponta a culpa ao ministro, falando de uma “digitalização apressada”. Os problemas técnicos já obrigaram o Governo a adiar os resultados para 17 de julho e a dar aos professores até 14 de julho para classificar as provas.
O Bloco de Esquerda propôs uma comissão parlamentar de inquérito. PCP e PS não se opõem.
🤖 O Estado português vai investir até 200 milhões de euros na construção de uma gigafábrica de inteligência artificial, caso a candidatura ibérica seja selecionada. O investimento será realizado entre 2027 e 2033, começando com cinco milhões em 2027 e aumentando para 32,5 milhões anuais. A infraestrutura principal estará em Sines, com uma possível redundância em Abrantes ou Lisboa. • eco.sapo.pt
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Marine Le Pen pode ir a votos, mas talvez não consiga fazer campanha
A justiça francesa confirmou a condenação de Marine Le Pen por desvio de fundos públicos europeus, mas deixou-lhe aberta uma porta crucial: a candidatura presidencial de 2027 continua, em princípio, juridicamente possível.
A notícia. Marine Le Pen foi condenada em recurso a 45 meses de inelegibilidade, mas 30 meses ficaram suspensos. A parte efetiva é, portanto, de 15 meses e conta desde a decisão da primeira instância, em março de 2025. Como resultado, a líder histórica do Rassemblement national não fica automaticamente afastada das presidenciais de 2027.
Mas a mesma decisão condenou-a também a três anos de prisão, dos quais dois suspensos. O ano efetivo deverá ser cumprido em regime de vigilância eletrónica, com pulseira eletrónica, além de uma multa de 100 mil euros.
Que caso é este? O caso envolve o uso de dinheiro do Parlamento Europeu destinado a assistentes parlamentares. A acusação sustentou que esses fundos foram usados para pagar trabalho partidário em França.
O processo abrangeu antigos eurodeputados, assistentes, contabilistas e o próprio partido. O montante em causa foi estimado em cerca de 4,4 milhões de euros entre 2004 e 2016.
Le Pen foi considerada culpada de desvio de fundos públicos europeus e cumplicidade nesse desvio. Ela nega ter organizado um sistema fraudulento e apresenta o caso como perseguição política.
A decisão do tribunal. O tribunal da relação (cour d’appel) de Paris confirmou a condenação, mas reduziu o alcance da pena que ameaçava bloquear a sua candidatura.
O tribunal justificou a modulação da inelegibilidade com dois princípios: a liberdade de candidatura e o livre escolha dos eleitores.
Ou seja: a justiça francesa quis punir Le Pen, mas evitou decidir sozinha a eleição presidencial.
Porque isto importa. Marine Le Pen preparava-se para uma quarta candidatura ao Eliseu, depois de 2012, 2017 e 2022. Nas duas últimas, perdeu na segunda volta contra Emmanuel Macron.
Em 2027, Macron já não pode concorrer. A direita radical francesa tem, por isso, a sua melhor oportunidade presidencial desde sempre.
As sondagens citadas nos textos colocam o candidato do RN — Le Pen ou Jordan Bardella — destacado na primeira volta, com intenções de voto entre 32% e 38%.
A dúvida já não é apenas saber se o RN chega à segunda volta. É saber se desta vez consegue vencê-la.
A complicação: a pulseira eletrónica. A questão central já não é apenas jurídica. É operacional e simbólica. Uma campanha presidencial exige deslocações constantes, comícios, entrevistas, encontros locais, agenda mediática e controlo político da narrativa.
A vigilância eletrónica tende a impor horários, saídas autorizadas e destinos previamente definidos. Os detalhes serão fixados por outro juiz, mas o efeito político é evidente: Le Pen poderia concorrer formalmente, mas ficar limitada na prática.
Há ainda um problema de coerência. A própria Le Pen tinha dito que não seria candidata se tivesse de usar pulseira eletrónica.
Agora terá de escolher entre manter essa linha ou recuar.
Os cenários
1. Le Pen candidata-se apesar da condenação
É o cenário da resistência política. Le Pen apresentaria a candidatura como uma resposta ao que o RN descreve como tentativa de a retirar do jogo democrático.
Vantagem: mantém a figura mais conhecida do partido e a candidata que há anos estrutura a estratégia presidencial do RN.
Risco: a campanha ficaria dominada pelo caso judicial, pela pulseira eletrónica e pela pergunta sobre a sua capacidade real de exercer a presidência.
2. Le Pen desiste e passa o testemunho a Bardella
Jordan Bardella, presidente do RN, seria o candidato natural.
Vantagem: permite ao partido disputar a eleição sem a imagem de uma candidata condicionada por uma pena judicial. Bardella também representa renovação geracional e tem boa implantação mediática.
Risco: uma substituição forçada pode criar a impressão de fragilidade estratégica. Bardella é popular, mas nunca disputou uma presidencial e não tem ainda o peso político acumulado de Le Pen.
3. Le Pen tenta ganhar tempo
Le Pen pode tentar obter flexibilizações ou reduções na execução da pena. Em certas condições, o tempo efetivo sob vigilância pode ser reduzido.
Vantagem: manteria viva a hipótese da sua candidatura.
Risco: atrasaria a clarificação estratégica do RN. Se esperar demasiado e a solução não vier, Bardella poderia entrar tarde na corrida.
O adversário provável
O nome mais citado como potencial rival do RN numa segunda volta é Édouard Philippe, antigo primeiro-ministro e líder do partido Horizons.
A sua tarefa seria reconstruir uma coligação anti-RN, juntando direita moderada, centro e esquerda.
Esse mecanismo — o chamado front républicain — já funcionou no passado. Mas funciona cada vez pior.
O RN beneficiou de anos de normalização política, da estratégia de “dédiabolisation” de Marine Le Pen e do desgaste dos partidos tradicionais. Para uma parte crescente do eleitorado, já não é uma força fora do sistema, mas uma alternativa de governo.
A dimensão europeia
Há também uma frente externa: Berlim.
À medida que a hipótese de vitória do RN se torna mais plausível, Marine Le Pen e Jordan Bardella têm tentado afastar-se da AfD alemã, considerada demasiado radical. O objetivo é evidente: mostrar que o RN pode ser um partido de governo, não apenas uma força de protesto.
Bardella tem procurado canais com setores conservadores alemães e elogiou posições de Friedrich Merz em temas como imigração e Pacto Ecológico Europeu.
Mas uma vitória do RN abriria tensões previsíveis com a Alemanha em matérias como energia, nuclear, orçamento europeu, imigração e integração comunitária.
Não seria necessariamente uma rutura. Mas seria uma relação franco-alemã mais desconfiada, mais transacional e menos alinhada.
Já não é catavento, é ventilador: as acusações que desorientam a esquerda francess
A menos de um ano das presidenciais de 2027, a esquerda francesa acusa-se em público. Jean-Luc Mélenchon chamou traidor e oportunista a Olivier Faure depois de o secretário-geral do Partido Socialista (PS) votar a moção de censura dos ecologistas contra o governo de Sébastien Lecornu — contrariando a maioria do seu grupo.
O líder da França Insubmissa (LFI) recordou que Faure recusou várias moções desde 2022 para proteger Emmanuel Macron. Sobre a mudança recente, ironizou: “já não é um catavento, é um ventilador”.
A moção foi rejeitada. E a fractura à esquerda alarga-se por mais uma frente: Marine Tondelier, líder dos Verdes, acusou Raphaël Glucksmann de ser “muito privilegiado” por recusar qualquer aliança com a LFI. A união que a esquerda diz querer para 2027 continua por construir.
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NATO promete dinheiro à Ucrânia, não a adesão
Zelenski pede sobretudo interceptores Patriot, com mais de 50 civis mortos em Kiev numa semana.
Trump premeia Erdogan (fim das sanções, F-35 em cima da mesa) enquanto pressiona os europeus e admite retirar tropas.
A notícia. A cimeira da NATO abriu em Ancara com o pedido que Volodímir Zelenski repete há anos: a Ucrânia dentro da Aliança. A resposta é a mesma de sempre — apoio, sem adesão. O que mudou está nas contas. O secretário-geral, Mark Rutte, disse que os aliados europeus e o Canadá já investem cerca de 4% do produto interno bruto em defesa e seguem numa trajetória para igualar a despesa dos Estados Unidos. Somando 2025 e 2026, são mais 258 mil milhões de dólares de investimento adicional. É esta a forma da resposta ucraniana: produção e dinheiro, não um lugar à mesa.
O pedido. No Fórum da Indústria de Defesa, Zelenski argumentou que a Ucrânia se tornou uma fonte de capacidade defensiva extraordinária desde o início da invasão russa em 2022, com uma indústria de drones avançada, e perguntou se seria correto excluí-la da Aliança. A NATO convidou a Ucrânia em 2008. Em Washington, em 2024, os aliados classificaram o caminho para a adesão como “irreversível”. Em La Haya, o compromisso foi mais fraco. Em Ancara, os aliados apoiaram a contribuição ucraniana para a segurança transatlântica e deixaram a adesão em aberto.
O que Zelenski pede com urgência é defesa aérea. “Precisamos de mais patriots”, disse. “Enquanto esta guerra continua, por favor ajudem-nos a obter mais mísseis de defesa aérea.” Criticou a produção actual dos sistemas Patriot como insuficiente para a procura e avisou que a Europa não pode esperar até 2030 para se equipar. Nos últimos sete dias, mais de 50 civis morreram em Kiev em ataques russos.
Os números. Há um ano, na cimeira de Haia, os 32 países comprometeram-se a subir os gastos principais com defesa para 3,5% do PIB até 2035, acima da meta anterior de 2%, mais 1,5% em infraestruturas como estradas, pontes e portos para mobilidade militar. Rutte disse que os europeus e o Canadá gastam quase 20% mais em defesa em 2025 do que no ano anterior — mais 90 mil milhões de dólares, elevando o total para além dos 570 mil milhões. Anunciou contratos novos no valor de dezenas de milhares de milhões. Pela primeira vez, um sistema de armas norte-americano será fabricado fora dos Estados Unidos: a alemã Rheinmetall vai produzir na Alemanha os mísseis ATACMS concebidos pela Lockheed Martin.
O esforço é desigual. Polónia, países nórdicos, bálticos e Alemanha destacam-se; Itália e França ainda não aderiram ao plano de aquisição de armamento americano para a Ucrânia. Cerca de metade dos 119 mil milhões de dólares adicionais previstos para este ano será gasta em material produzido nos Estados Unidos.
Trump. À chegada, o presidente norte-americano disse estar “muito dececionado” com a NATO pela falta de apoio dos europeus na guerra contra o Irão. Na Truth Social, chamou “ridícula” a relação “unilateral” com a Aliança: “Eles não estiveram lá por nós!!!” Não descartou retirar mais tropas americanas da Europa. O Pentágono iniciou uma revisão de seis meses da presença militar no continente, que pode reduzir forças afectas aos planos de defesa da NATO, incluindo um porta-aviões, aviões de reabastecimento, caças e drones. Sobre a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, Trump disse considerá-la boa pessoa, mas que errou em relação ao Irão.
A Turquia. Pouco antes de uma reunião bilateral com Erdogan, Trump anunciou o levantamento das sanções à Turquia, impostas na primeira Administração Trump como resposta à compra por Ancara dos mísseis russos S-400. Disse que vai voltar a considerar a venda de caças F-35, sem explicar como contorna a lei do Congresso que proíbe essa venda enquanto a Turquia mantiver os S-400. “A Turquia tem sido, em muitos aspectos, muito mais leal do que outros países que consideramos leais”, afirmou. Justificou a sua ida à cimeira pela liderança de Erdogan.
A Turquia tem a segunda maior força militar da NATO e uma indústria de defesa em crescimento, com 10 mil milhões de dólares em exportações em 2023. Mantém relações próximas com Moscovo, não aderiu às sanções contra a Rússia e bloqueou a entrada da Finlândia e da Suécia. Enquanto pressiona os europeus, Trump premeia o anfitrião.
A adesão ucraniana continua sem data. Os aliados devem apresentar em Ancara planos concretos para chegar aos 5% até 2035. A revisão do Pentágono sobre as tropas americanas na Europa termina daqui a seis meses.
Israel nega ambições no Líbano mas fica no sul
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, disse esta terça-feira que Israel não tem ambições territoriais no Líbano. A presença militar no sul do país, justificou, é uma questão de segurança. E chamou ao Hezbollah um “Estado dentro do Estado”.
A nova ronda de negociações realiza-se em Roma, na sequência do acordo-quadro de 26 de junho mediado pelos Estados Unidos. Saar e o homólogo italiano, Antonio Tajani, confirmaram a ronda.
Falta o actor que importa. O Hezbollah rejeitou o acordo e não se senta à mesa. É uma paz negociada sem uma das partes armadas.
As datas apontadas — 14, 15 ou 16 de julho, consoante a fonte — ainda não estão oficialmente confirmadas.
🇧🇷 Brasília avisa Washington do risco de força militar em solo brasileiro
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Mauro Vieira, escreveu ao Parlamento a alertar que a classificação de dois grupos criminosos brasileiros como terroristas pelos Estados Unidos pode servir de pretexto para ações militares em solo brasileiro. A carta, de quarta-feira, avisa que a medida “poderá ser invocada para justificar ações extraterritoriais contra instituições brasileiras”.
Washington declarou em maio o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Para os Estados Unidos, o rótulo autoriza intervenções contra os líderes desses grupos em qualquer parte do mundo. Washington já atacou embarcações nas Caraíbas e no Pacífico, sem apresentar provas.
A relação degrada-se em várias frentes. Até 15 de julho, a Administração Trump decide se aplica sobretaxas de 25% a produtos brasileiros. As presidenciais estão previstas para outubro.
🇬🇧📉 Nigel Farage demite-se do cargo de deputado
A notícia - Nigel Farage, líder do Partido Reformista britânico (Reform UK), anunciou a sua demissão do cargo de deputado na Câmara dos Comuns, visando candidatar-se a uma eleição suplementar antecipada. A decisão surge após semanas de escrutínio sobre as suas finanças, incluindo uma investigação sobre donativos não declarados de empresários do setor das criptomoedas. Farage, que representa o círculo eleitoral de Clacton, afirmou que esta eleição será uma oportunidade para o povo se manifestar contra o establishment. O líder populista de direita, que já foi eurodeputado e é conhecido pela sua imagem de proximidade com a classe trabalhadora, enfrenta também novas acusações relacionadas a doações não declaradas.
Farage enfrenta investigação por donativos não declarados, incluindo uma doação de cinco milhões de libras do bilionário Christopher Harborne.
Críticas às regras da Câmara dos Comuns foram feitas por Farage, que considera que não regulam adequadamente a vida pessoal dos deputados.
O impacto da sua demissão é significativo, pois o Reform UK tem ganho terreno nas sondagens, especialmente após a derrota do Partido Trabalhista nas eleições locais de maio.
Rupert Lowe, líder do partido de extrema-direita Restore, criticou Farage, acusando-o de ridicularizar o processo democrático com a convocação de uma dispendiosa eleição suplementar.
Fonte: eco.sapo.pt
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Radar político
A onda de calor que se estende pela Europa Ocidental atravessou a agenda política do dia, de Lisboa a Bruxelas.
➔ Luís Montenegro deixou uma mensagem de condolências às famílias das duas vítimas do acidente rodoviário mortal em Agualva-Cacém, ao mesmo tempo que a oposição intensificava as críticas à sua liderança.
➔ O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou o Governo de não cumprir promessas e de se vitimizar quando é escrutinado, garantindo que os socialistas “não querem nenhuma crise política”; o porta-voz do Livre, Rui Tavares, classificou a relação do primeiro-ministro com a oposição como “abusiva e doentia”.
➔ O ministro da Administração Interna, Luís Neves, atribuiu os mais de 15 mil hectares ardidos à desorganização do território florestal, que ligou “a um direito constitucional que é o direito da reserva da propriedade”, e prolongou o alerta de onda de calor. Neves classificou ainda como “particularmente grave” a agressão a agentes da PSP no aeroporto de Lisboa.
➔ Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, encomendou ao regulador uma nova análise à formação dos preços dos combustíveis — a segunda pedida pelo Governo — para perceber por que razão os preços demoram mais tempo a baixar do que a subir. A ministra disse esperar que o custo continue a descer.
➔ Em Espanha, um juiz negou a Begoña Gómez, mulher de Pedro Sánchez, autorização para viajar para o estrangeiro no âmbito do processo de corrupção que a investiga.
➔ O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, alertou para o “enorme custo reputacional” de a UE e a NATO ficarem a saber da retirada do passaporte; o ministro Félix Bolaños considerou as medidas cautelares “desnecessárias”, invocando “risco zero” de fuga.
➔ Em Damasco, duas explosões junto ao hotel onde Emmanuel Macron pernoitou fizeram 18 feridos, segundo as autoridades sírias. O Eliseu deu o Presidente francês como “são e salvo” e Macron manteve o programa da visita oficial, uma tentativa de restabelecer relações diplomáticas com a Síria após anos de distanciamento.
➔ No Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o Taoiseach Micheál Martin fixou as prioridades da presidência irlandesa da UE, na sua primeira semana completa: ajudar a Ucrânia a fazer progressos “históricos” na candidatura de adesão e reforçar as sanções contra a Rússia.
➔ Na mesma sessão, os eurodeputados votaram a abertura de uma investigação formal à Europa de Nações Soberanas, o grupo ligado à AfD alemã, por suspeitas de violação dos valores democráticos da UE — um processo que corre em paralelo com a confirmação da condenação de Marine Le Pen por desvio de fundos europeus e que pode afectar o financiamento europeu ao grupo.
➔ Na Bélgica, a Federação Valónia-Bruxelas activou uma célula de crise para responder à onda de calor, com medidas de curto prazo como a abertura de espaços frescos ao público e a identificação, sector a sector, das respostas estruturais necessárias.
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