📊 🇵🇹 Eurostat vai recalcular PIB per capita português após revisão da população
Com uma população maior, a proporção de desempregados desce, alterando os cálculos.
Número 3.84. Nesta edição:
🇵🇹 🇵🇹
Eurostat vai recalcular PIB per capita português após revisão da população
Ministério do Ambiente desbloqueia lítio do Barroso com resolução fundamentada
SNS gastou mais, tratou mais gente e fechou com défice cinco vezes acima do previsto
PS promete novas propostas sobre custo de vida para quinta-feira
🇪🇺 🇪🇺
BEI aprova maior empréstimo da sua história: três mil milhões à Airbus
A partir de 1 de julho, centenas de plataformas de criptomoedas deixam de poder operar na UE
Ribera diz que onda de calor obriga a rejeitar negacionismo — mas a Comissão recusa posição sobre ar condicionado
Portugal mantém 13.º lugar no pluralismo dos media da UE — e o problema é o que não mudou
Magyar trava avanço da Ucrânia na UE apesar de ter levantado veto inicial
🇬🇧 🇬🇧
Burnham apresenta o seu plano em Manchester, não em Londres
🇪🇸 🇪🇸
PSOE em tensão interna: Enma López candidata-se às primárias de Madrid e deixa vaga na executiva
Ex-vereadora de Más Madrid lança partido municipalista para disputar a câmara de Madrid em 2027
🌍 🌍
Vaticano acusa UE de duplo padrão na guerra; Bruxelas diz que não comenta comentários
Grécia prepara acordo de defesa aérea de três mil milhões com Israel
Antes da cimeira da NATO, a Europa divide-se entre quem recusa falar com Putin e quem recusa armar a Ucrânia
VamoLáVer é uma iniciativa cidadã, pelo que depende dos seus leitores para alargar os horizontes e chegar cada vez a mais pessoas. Partilhar “custa” pouco mais que um clique.
🇵🇹 🇵🇹 🇵🇹 🇵🇹 🇵🇹
📊 🇵🇹 Eurostat vai recalcular PIB per capita português após revisão da população
O gabinete estatístico da União Europeia, o Eurostat, anunciou que irá recalcular vários indicadores já publicados sobre Portugal — incluindo o PIB per capita — assim que receber e validar os novos dados nacionais, na sequência da revisão em alta da população residente anunciada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O que vai mudar?
Indicadores que usam a população no denominador (como o PIB per capita) serão recalculados.
O Eurostat irá publicar também os dados históricos revistos, após os devidos controlos de qualidade.
O calendário das atualizações seguirá o ritmo definido por Portugal.
Porquê esta revisão? Há uma semana, o INE comunicou que iria rever todos os indicadores per capita — do PIB ao emprego, passando pela justiça, educação e saúde — devido à atualização das estimativas anuais de população residente entre 2021 e 2024.
Que impacto terá?
As contas nacionais serão reavaliadas, já que a atividade económica é em parte estimada com base na população empregada do Inquérito ao Emprego.
Com uma população maior, a proporção de desempregados desce, alterando os cálculos.
Vários indicadores por habitante serão atualizados nos próximos meses no Portal das Estatísticas oficiais.
E quanto aos fundos europeus? A revisão do PIB e do PIB per capita comunicados às instituições europeias — valores que servem de base à atribuição de fundos e candidaturas a projetos — só poderá ser concretizada após a revisão das contas nacionais de 2021 a 2026, prevista para março de 2027.
Fonte: rtp.pt
Ministério do Ambiente desbloqueia lítio do Barroso com resolução fundamentada
A Savannah Resources pode retomar os trabalhos de geotecnia em Boticas, suspensos há 20 dias por providência cautelar interposta pela Assembleia de Compartes dos Baldios de Covas do Barroso. O Ministério do Ambiente emitiu uma resolução fundamentada a reafirmar o interesse público do projecto, o mecanismo que permite ao Estado contornar a suspensão judicial.
É a segunda vez que o procedimento se repete: em fevereiro de 2025, uma primeira providência cautelar suspendeu os trabalhos durante 15 dias antes de ser desbloqueada da mesma forma. A mina do Barroso — reconhecida pela Comissão Europeia como projecto estratégico em 2025 — tem início de construção previsto para 2027 e primeira produção para 2028.
SNS gastou mais, tratou mais gente e fechou com défice cinco vezes acima do previsto
O défice do SNS em 2025 foi de 1035 milhões de euros, quase cinco vezes os 217 milhões previstos no Orçamento.
Entre 2016 e 2025, o Estado injetou cerca de 7,9 mil milhões em reforços de capital fora do saldo do SNS.
Mais utentes inscritos nos cuidados primários (10,7 milhões) e mais 41 mil sem médico de família — 1,56 milhões no total.
A notícia. O Conselho das Finanças Públicas apresentou esta segunda-feira, em Lisboa, o relatório sobre o desempenho do SNS em 2025. O défice foi de 1035 milhões de euros. O Orçamento do Estado previa 217 milhões.
Os números. A receita total do SNS atingiu 15.926 milhões de euros, mais 10,8% do que em 2024. Os impostos do Orçamento do Estado financiaram 93,9% desse total. A despesa subiu 4,4%, para 16.962 milhões, puxada por mais 502 milhões em pessoal, 333 milhões em fornecimentos e serviços externos e 158 milhões em compras de inventário.
O défice de 1035 milhões representa uma melhoria de 534 milhões face a 2024. Mas o número não conta a dependência do Estado. Entre 2016 e 2025, os reforços extraordinários de capital atribuídos pelo Estado somaram cerca de 7,9 mil milhões de euros — fora do saldo do SNS.
A dívida a fornecedores externos subiu 148 milhões, para 1,5 mil milhões. O prazo médio de pagamento foi de 95 dias, mais 18 do que em 2024. Das 47 entidades do SNS, 11 cumpriram o objetivo de pagar em menos de 60 dias.
O custo das horas extra. As Unidades Locais de Saúde gastaram 468 milhões de euros em trabalho suplementar, mais 11,4% do que em 2024. Foram 19,8 milhões de horas. Os médicos fizeram 7,1 milhões dessas horas, 36% do total; os enfermeiros, 6,2 milhões.
Três entidades concentraram cerca de 20% da despesa nacional com trabalho suplementar: as ULS de Coimbra, Santa Maria e São José, com encargos conjuntos de aproximadamente 92 milhões de euros.
À contratação externa de horas juntaram-se mais 37 milhões: 265 milhões em 2025, para 6,6 milhões de horas. O CFP atribui o recurso a “constrangimentos na capacidade de resposta do SNS com recursos próprios”. O absentismo manteve-se em 9,5%, com os médicos internos a chegarem a 13,4%.
Quem ficou sem médico. O número de utentes sem médico de família atribuído subiu para 1,56 milhões, mais 41 mil do que em 2024. A região de Lisboa e Vale do Tejo concentra 1,1 milhões desses casos. O CFP recorre a dados da Ordem dos Médicos: no final de 2024 havia 9343 médicos inscritos em medicina geral e familiar, 45% com mais de 65 anos.
O CFP liga a pressão sobre os cuidados primários às urgências: “Esta pressão tenderá a repercutir-se nos serviços hospitalares, comprometendo a adequada referenciação dos doentes e induzindo o recurso direto às urgências hospitalares.”
O que o sistema produziu. Os utentes inscritos nos cuidados de saúde primários cresceram para cerca de 10,7 milhões, mais 235 mil. As consultas médicas nos cuidados primários baixaram 0,9%.
Nas urgências, os tempos máximos de atendimento recomendados só foram cumpridos em 44% dos casos. Na cirurgia, o SIGIC operou 744 mil doentes, mais 11 mil do que em 2024. A lista de espera chegou a 274 mil doentes — o valor mais alto da série analisada pelo CFP.
O CFP situou o índice de utilização das consultas médicas em 0,787 e o das consultas de enfermagem em 0,770, abaixo do necessário para responder às necessidades da população.
PS promete novas propostas sobre custo de vida para quinta-feira
O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, anunciou que o partido apresentará esta semana novas iniciativas sobre custo de vida — alimentação, combustíveis e habitação. As propostas anteriores foram chumbadas pelo PSD e pelo Chega. O debate está agendado para quinta-feira em plenário. As jornadas parlamentares do PS decorrem até terça-feira na Área Metropolitana de Lisboa sob o tema “Custo de Vida: o seu aumento e os seus impactos”.
🇪🇺 🇪🇺 🇪🇺 🇪🇺 🇪🇺
BEI aprova maior empréstimo da sua história: três mil milhões à Airbus
O Banco Europeu de Investimento assinou esta segunda-feira, em Bruxelas, um pacote de três mil milhões de euros à Airbus — o maior empréstimo corporativo da história da instituição. A primeira tranche, de mil milhões, foi assinada na cerimónia. O financiamento destina-se a investigação e desenvolvimento em aviação comercial, defesa e espaço até 2030, em França, Alemanha e Espanha.
O BEI enquadra o acordo na iniciativa TechEU e apresenta-o como resposta à necessidade de competir com os EUA e a China na indústria aeroespacial. Nadia Calviño, presidente do banco, disse que a operação demonstra que “a Europa pode agir com rapidez e em grande escala”.
A partir de 1 de julho, centenas de plataformas de criptomoedas deixam de poder operar na UE
O regulamento MiCA entra em vigor a 1 de julho: só as plataformas registadas na ESMA como Prestadores de Serviços de Criptoativos autorizados podem continuar a operar na União Europeia. Das mais de 1200 empresas que operavam na Europa, apenas cerca de 250 obtiveram licença. A Binance — a maior plataforma mundial — deverá encerrar operações na UE após nove anos.
Os utilizadores não perderão os fundos, mas terão de os transferir para plataformas autorizadas. Em Portugal, o Banco de Portugal e a CMVM passam a partilhar a supervisão, com coimas até cinco milhões de euros para operadores sem licença.
Ribera diz que onda de calor obriga a rejeitar negacionismo — mas a Comissão recusa posição sobre ar condicionado
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia Teresa Ribera afirmou que a onda de calor que afecta a Europa é um “aviso dramático” para rejeitar os negacionistas do clima e os interesses da indústria dos combustíveis fósseis. No mesmo dia, a Comissão recusou tomar uma posição no debate sobre o uso de ar condicionado, dizendo não ser seu papel “ditar as escolhas dos consumidores”.
Apenas 20% dos lares europeus têm ar condicionado.
Portugal mantém 13.º lugar no pluralismo dos media da UE — e o problema é o que não mudou
O Media Pluralism Monitor 2026 colocou Portugal em 13.º entre os 27 Estados-membros, com um risco “médio-baixo” de 49% — o mesmo valor médio da UE. A estabilidade esconde problemas estruturais que persistem há anos: quatro grupos dominam o mercado, mais de metade dos municípios são ou estão em risco de ser “desertos noticiosos”, e a precariedade laboral no jornalismo compromete a independência editorial.
O relatório identificou ainda a ausência de uma lei geral dos media e de limites à concentração nos mercados digitais. A Lusa passou a ser integralmente detida pelo Estado em 2026 — o que o relatório assinala como factor de risco para a independência.
🇭🇺🇺🇦 Magyar trava avanço da Ucrânia na UE apesar de ter levantado veto inicial
A notícia - O novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, líder do partido Tisza, pôs fim em junho ao veto de longa data de Budapeste às negociações de adesão da Ucrânia à União Europeia, numa decisão saudada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. Contudo, Magyar tem resistido a qualquer aceleração do processo, opondo-se à abertura simultânea dos restantes cinco capítulos negociais.
Na semana passada, a Hungria bloqueou ao nível dos grupos de trabalho em Bruxelas uma posição conjunta da UE sobre a abertura dos capítulos remanescentes. Em consequência, a Comissão Europeia reduziu as suas ambições, passando a almejar a abertura de apenas dois capítulos em julho, em vez dos cinco previstos. Segundo Dániel Hegedűs, vice-diretor do Institut für Europäische Politik, Magyar levantou o veto inicial sobretudo para sinalizar uma nova postura construtiva da Hungria perante a UE, e não por convicção pró-ucraniana.
Acordo sobre minorias húngaras — A abertura do primeiro capítulo foi precedida de um entendimento bilateral entre Budapeste e Kiev sobre os direitos linguísticos e educativos da minoria húngara na região da Transcarpátia. O partido Tisza exige agora a implementação efetiva desse acordo, cujos detalhes não foram tornados públicos, como condição para novos avanços.
Defesa dos Balcãs Ocidentais — Magyar justifica a sua resistência invocando a equidade face aos candidatos dos Balcãs Ocidentais — Montenegro, Albânia, Macedónia do Norte e Sérvia —, que aguardam há anos, e alguns há décadas, pela adesão, tendo inclusivamente alterado nomes e constituições. Hegedűs contesta este argumento, lembrando que vários destes países têm progredido rapidamente.
Pressões políticas internas — Apesar de Viktor Orbán ter perdido as eleições da primavera por larga margem, sondagens mostram que a maioria da sociedade húngara continua cética quanto à adesão ucraniana, fruto de anos de propaganda do Fidesz. Magyar, ex-membro do Fidesz até 2024 e descrito como figura nacionalista, procura evitar críticas do Fidesz e do partido de extrema-direita Mi Hazánk.
Próximo teste em Bruxelas — A decisão sobre a abertura de dois capítulos adicionais para a Ucrânia e para a Moldova será tomada no Conselho de Assuntos Gerais da UE. Magyar prometeu ainda encontrar-se com o Presidente Volodymyr Zelensky na Transcarpátia, encontro que ainda não se concretizou. Recorde-se que, pouco antes de levantar o veto, Magyar conseguiu desbloquear 16,4 mil milhões de euros em fundos europeus congelados.
Fonte: euronews.com
🇪🇺 A UE e a China intensificam diálogo comercial até outubro. O comissário Maroš Šefčovič reuniu-se em Bruxelas com Wang Wentao para reequilibrar uma relação marcada por um défice recorde de mil milhões de euros diários. Berlim, com um défice de 87 mil milhões em 2024, exige condições equitativas, enquanto a indústria automóvel alemã anuncia mais de 100.000 despedimentos. • euronews.com
🇬🇧 🇬🇧 🇬🇧 🇬🇧 🇬🇧
Burnham apresenta o seu plano em Manchester, não em Londres
Promete abrir um gabinete do primeiro-ministro em Manchester e transferir parte das funções de Downing Street para as regiões periféricas.
A notícia. Andy Burnham apresentou o plano económico com que tenciona governar o Reino Unido. Fê-lo em Manchester, a cidade a que presidiu, e não em Londres. O discurso foi proferido a poucas semanas de tomar posse como sucessor de Keir Starmer.
O que propõe. Burnham chama-lhe “Manchesterism”. O eixo é a descentralização: transferir poderes, recursos e funções de Downing Street para as administrações locais, com foco nas regiões periféricas, em particular no norte de Inglaterra. O objectivo declarado é garantir condições de vida equivalentes em todo o país.
O plano cobre um programa de habitação pública, reforma dos serviços essenciais, reindustrialização e requalificação territorial. Inclui apoio fiscal a pequenos negócios. Prevê melhorar os padrões de vida, com foco especial nos jovens fora do mercado de trabalho e da educação.
O gesto. Burnham comprometeu-se a abrir um gabinete do primeiro-ministro em Manchester. Parte das funções de Downing Street passaria para Manchester. A promessa saiu antes de ele assumir o cargo.
As mudanças deverão arrancar dentro de três semanas, quando tomar posse, caso não surjam impedimentos.
As contas. O plano respeita os limites das finanças públicas fixados pela ministra das Finanças, Rachel Reeves. Burnham apresenta-se como um socialista favorável às empresas e descreve a gestão das finanças públicas como rigorosa. A colaboração local é o princípio operativo que diz querer aplicar.
O discurso inaugural decorreu em Manchester. Não houve perguntas.
🇪🇸 🇪🇸 🇪🇸 🇪🇸 🇪🇸
PSOE em tensão interna: Enma López candidata-se às primárias de Madrid e deixa vaga na executiva
Enma López renunciou ao cargo de secretária de Estudos e Programas da executiva federal do PSOE para se candidatar às primárias para a câmara municipal de Madrid em 2027. A saída antecipada, anunciada publicamente antes do comité federal, surpreendeu a direcção do partido. Montse Mínguez assumiu a secretaria, acumulando agora três cargos.
O calendário das primárias municipais e autonómicas foi aprovado, com cada federação a definir os seus próprios prazos.
Ex-vereadora de Más Madrid lança partido municipalista para disputar a câmara de Madrid em 2027
Marta Higueras, antiga colaboradora próxima da ex-alcaldesa Manuela Carmena, apresentou o partido Independientes por Madrid. A formação rejeita alinhar-se com blocos nacionais e foca-se exclusivamente em questões da capital — habitação, comércio, segurança nos bairros. Integra uma rede de 400 autarcas independentes em Espanha.
Higueras já se reuniu com representantes de todos os grupos municipais, incluindo o presidente da câmara José Luis Martínez-Almeida e a líder de Más Madrid, Rita Maestre. O programa detalhado está previsto para setembro. Carmena foi contactada mas ainda não se pronunciou publicamente.
🌍 🌍 🌍 🌍 🌍
Vaticano acusa UE de duplo padrão na guerra; Bruxelas diz que não comenta comentários
O Vaticano acusou a União Europeia de aplicar critérios diferentes consoante o conflito em causa — uma crítica dirigida à política externa de Bruxelas em matéria de direito internacional e guerra. A porta-voz principal da Comissão Europeia, Paula Pinho, respondeu ao POLITICO que a instituição “normalmente não comenta comentários”.
A crítica foi atribuída ao cardeal Víctor Manuel Fernández. Acontece numa semana em que a UE também teve de responder ao anúncio do primeiro-ministro esloveno Janez Janša de transferir a embaixada da Eslovénia para Jerusalém, contrariando o consenso internacional.
Grécia prepara acordo de defesa aérea de três mil milhões com Israel
O Conselho de Segurança Nacional grego poderá aprovar já na próxima semana um contrato de três mil milhões de euros com Israel para sistemas de defesa aérea, no âmbito do programa “Escudo Aquiles”. O acordo inclui os sistemas Spyder All-in-One e David’s Sling, da Rafael, e o Barak MX, da Israel Aerospace Industries.
O contrato avançaria como acordo governamental entre os dois países, numa altura em que vários membros da UE aceleram a modernização das suas capacidades de defesa aérea.
Antes da cimeira da NATO, a Europa divide-se entre quem recusa falar com Putin e quem recusa armar a Ucrânia
Os primeiros-ministros da Estónia e da Letónia rejeitaram categoricamente qualquer negociação com Moscovo, defendendo que a Europa, “como a região mais rica do mundo”, tem de se armar para ganhar autoridade como actor global. O primeiro-ministro eslovaco Robert Fico anunciou no mesmo dia que a Eslováquia não apoiará empréstimos de ajuda militar à Ucrânia na cimeira da NATO, marcada para 7 e 8 de julho.
Zelensky estará presente na cimeira.
📡 📡 📡 📡 📡
Radar político
Dezassete cidadãos portugueses na Venezuela vão ser repatriados numa aeronave da Força Aérea, com chegada prevista a Beja na terça-feira, anunciou o ministro da Defesa. As forças no terreno operam 24 horas por dia desde domingo, na sequência dos sismos que atingiram o país.
O PSD vai pedir a audição parlamentar de ex-governantes socialistas para apurar se o anterior executivo conhecia o aumento populacional registado pelo INE; o partido admite chamar também António Costa, presidente do Conselho Europeu, e José Luís Carneiro, ex-ministro da Administração Interna (RTP).
André Ventura avisou que uma aproximação de PSD e CDS ao PS na reapreciação do decreto sobre perda de nacionalidade “tem consequências”, quando questionado sobre se a matéria pesaria na votação do próximo Orçamento do Estado. A reapreciação está marcada para 3 de julho (RTP).
Na Europa, vários sinais cruzam-se com a vaga de calor e com o ciclo eleitoral. A França regista cerca de mil mortes acima do habitual desde 24 de junho, atribuídas ao calor; os maiores de 65 anos concentram 85% dos óbitos. Marine Tondelier, candidata presidencial para 2027, acusou o governo de “total impreparação” (Le Figaro).
A Comissão Europeia anunciou uma taxa aduaneira de três euros sobre encomendas de valor inferior a 150 euros, encerrando a isenção “de minimis” usada por plataformas como a Temu e a Shein; a medida visa, segundo Bruxelas, proteger o comércio local europeu (The Guardian).
Em Itália, o Quirinale acompanha o projecto de lei sobre caça aprovado pelo Senado a 23 de junho e agora na Câmara dos Deputados. O diploma — designado pela oposição “ddl sparatutto” — alarga as espécies abatíveis, as áreas permitidas e os calendários de caça; a Comissão Europeia e o Quirinale verificam a conformidade com as regras europeias (Corriere della Sera).
Na Alemanha, intensificou-se o debate sobre uma eventual proibição da AfD. O Verfassungsschutz analisou as consequências de um possível governo regional do partido na Saxónia-Anhalt, em particular para a partilha de informações com outros Länder (Tagesschau).
A Irlanda assume a Presidência do Conselho da UE a 1 de julho. A ministra da Defesa, Helen McEntee, anunciou que as Forças Armadas estarão prontas para assistir a Garda caso manifestantes do sector dos combustíveis iniciem bloqueios durante a presidência (Irish Independent).
Em Espanha, o PP manteve a pressão sobre o governo: o porta-voz Borja Sémper alertou para o “impacto eleitoral” das nacionalizações anunciadas por Sánchez, e o partido instou Zapatero a explicar a origem de jóias encontradas no seu gabinete (Europa Press).


