🦅 🎯✊ A maré extremista começou a recuar. 23 nomes para prestar atenção na reconfiguração dos três blocos
Trump em perda, Órban em risco de sair, Meloni meteu o radicalismo na gaveta, eleitores fogem de Ventura, Abascal atascado, Le Pen apeada. Há um futuro pós-populismo para o sistema em regeneração
O ímpeto esgotado
O sistema de freios e contrapesos falhou à democracia americana, que já só poderá ser salva de um ditador fascista e racista pela cidadania. E os cidadãos americanos estão a resistir melhor que o sistema tido por maravilhoso. Não me querendo alongar: multiplicam-se os eventos de resistência aos avanços do fascismo, como os engenhosos esquemas para enganar e atrasar a polícia política de Trump, nas sondagens de opinião a sua impopularidade cresce a cada medida, anúncio ou post (o video a macaquear o casal Obama foi particularmente funesto, com o Partido Republicano a alargar as brechas e dezenas de membros a aproveitarem para se distanciar do capo). Trump tem uma taxa de aprovação de 41%, o que é baixíssimo, e 55% dos americanos desaprova a sua conduta.
Piorando o sinal: As principais mudanças demográficas observadas nas últimas eleições inverteram-se, e os Democratas recuperaram a sua vantagem habitual entre eleitores jovens, não brancos e com menor participação eleitoral na disputa pelo controlo do Congresso.
Piorando ainda mais o sinal — e entrando no que motivou este Exclusivo VamoLáVer sobre os políticos do futuro europeu (e não, não me vou referir às vaias com que JD Vance foi recebido nos Jogos Olímpicos de Inverno): o Partido Democrata começa a levantar a cabeça nas urnas, vencendo facilmente eleições locais e regionais, e sobretudo começou a ensaiar lideranças. Gavin Newsom vai-se solidificando como um potencial candidato nas primárias democratas e Alexandria Ocasio-Cortez começou um percurso em direção ao centro que torna credível a sua potencial nomeação, assim queira candidatar-se. (Artigos no New York Times abertos para os leitores de VamoLáVer no final deste Exclusivo.)
Ou seja: os sinais de desgaste do movimento internacional autocrata e extremista avolumam-se a partir do solo de onde foi lançado e que o financiou com recursos imensos e espalham-se pela Europa, com a radical de direita Marine Le Pen fora das presidenciais francesas do próximo ano, o autocrata de extrema direita e amigo de Moscovo Viktor Órban muito perto de ser apeado nas eleições do que pode ser uma Primavera húngara, o extremista André Ventura a falhar a conquista da simpatia do eleitorado do centro-direita, que fugiu em massa para eleger António José Seguro por uma margem vergonhosa para o derrotado, o extremista Santiago Abascal a disfarçar, com o bom resultado nas eleições em Aragão este domingo, a estagnação do seu crescimento desde o outono, há quatro meses que mantém a mesma percentagem de intenção de votos, sem nunca ter regressado ao pico de 20% obtido em 2022. E ainda, de forma paradigmática, Georgia Meloni a meter o radicalismo na gaveta para conseguir manter a economia italiana no verde.
O próximo movimento
Estes sinais levaram a procurar fazer um mapa das figuras emergentes, ou seja, novas ou refrescadas, seja pelas ideias, pelo posicionamento, pelas provas já dadas, pelo à vontade nas atuais formas de comunicação política. As prováveis primeiras e segundas figuras do futuro político das nossas democracias, a fornada que se posiciona para substituir os líderes gastos, as direções partidárias em fim de ciclo.
Comecei por organizar os filtros desta forma: captar a movimentação na direita pós-populista (a que se adaptará para sobreviver ao refluxo em curso), na eventual (e desejada) reorganização do centro político (que governou com bons resultados os países e o que é hoje a União Europeia nos últimos 75 anos), e na emergente nova esquerda europeia.
Com o recurso às capacidades de quatro inteligências artificiais de última geração (Gemini 3, GPT-5.3, Claude Opus 4.6 e Perplexity Sonar), identifiquei 23 nomes, dos 27 aos 64 anos, de Portugal à Polónia, da direita à esquerda, de Jordan Bardella a Margarida Balseiro Lopes e de Benjamin Haddad a Zarah Sultana, como as rising stars do futuro político da União Europeia — assim os processos democráticos se mantenham.
Note-se que o meu papel não foi escolher os nomes: o meu natural viés teria eliminado previamente pelo menos dois nomes (fácil descobrir quais) e não seria capaz de identificar uma boa meia dúzia, só com as minhas leituras. Depois da reflexão sobre a melhor perspetiva para o “mergulho”, o meu papel foi cruzar as listas diferentes obtidas pelas IAs e confirmar os nomes e valias, confiando totalmente nas razões das escolhas mas desconfiando dos dados em que elas costumam apresentar fraquezas (corrigi muito pouco, devo dizer a favor desta geração de modelos, que é francamente de grande qualidade, a léguas da anterior e a distâncias interplanetárias da penúltima).
Leia o índice deste dossiê exclusivo e recline-se para 56 minutos de leitura (12.400 palavras)
Índice
🦅 🎯✊ Os 23 nomes aos quais prestar atenção
🧱 ⚠️ A direita pós-populista: quem está a conquistar a Europa por dentro
Uma análise dos políticos que abandonaram o protesto para construir poder real — e porque isso muda tudo (seis personalidades)
Artigo: As três lições aprendidas pela direita pós-populista que o centro e a esquerda ainda não entenderam
⚰️ ❓ O centro político europeu precisa de se reinventar. Estes são os nomes que estão a tentar
O centro político europeu está a morrer? A pergunta é legítima: no poder na UE e alguns países, o PPE vale cada vez menos votos, o S&D idem. E a resposta, mais incómoda do que qualquer sondagem sugere. (dez personalidades)
Artigo: Pode o centro reinventar-se? Ou assistimos aos últimos espasmos de duas famílias políticas que já não sabem para que existem?
🌱 🔴 A nova esquerda europeia: estrelas ascendentes da aliança verde-vermelha.
Quem são, o que fazem e por que importam os rostos de uma esquerda que abandonou a ortodoxia de classe para falar de clima, cuidado e soberania digital (sete personalidades)
Os 23 nomes aos quais prestar atenção
🦅 🦅 🦅
Jordan Bardella — O herdeiro que não precisa do nome Le Pen
Galeazzo Bignami — o arquiteto na sombra do poder italiano
Jimmie Åkesson — O mestre da influência sem pasta ministerial
Péter Magyar — O dissidente que pode derrubar Orbán
Herbert Kickl — O estratega que transformou o fracasso em vantagem
Tom Van Grieken — O artista da ruptura silenciosa


