🪖 🧨 4% já lá vão: NATO leva a Ancara os números que Trump exigiu
Mark Rutte quer sossegar os EUA e a sua indústria militar. Aguardam-se desenvolvimentos na guerra da Rússia à Ucrânia, com Trump a reunir com Zelensky durante a cimeira
Número 3.88 — e esta é uma edição suculenta.
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4% já lá vão: NATO leva a Ancara os números que Trump exigiu
Tempo de pegar de caras a crise transatlântica (apanhado do que escrevem os analistas)
O Kremlin passou a chamar “guerra” ao que faz na Ucrânia
Hamas dissolve o governo de Gaza mas não larga as armas
Governo israelita recusa-se a cumprir uma decisão do Supremo pela primeira vez
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Plataforma dos exames bloqueada até às 15h e pais pedem anulação das provas
Cronograma da crise dos exames nacionais (16 de junho — 6 de julho de 2026)
Só 5% dos concelhos escaparam à escalada das rendas
🇪🇺 🇪🇺
MEE avisa que zona euro pode entrar em recessão em 2027
Metsola força segunda votação sobre lei que autoriza rastreio de plataformas
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Itália discute se o próximo Presidente da República pode vir da direita
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Espanha desconfia dos juízes — nos dois sentidos
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Warken alivia segurados e faz subir comparticipações
Alemanha prevê metade das casas de que precisa
Nota: a edição é longa, pelo que pode ficar cortada nalguns leitores de correio eletrónico. Se for o caso, terá no final o link para ler na web a edição completa.
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🪖 🧨 4% já lá vão: NATO leva a Ancara os números que Trump exigiu
Rutte anuncia contratos de defesa de “dezenas de milhares de milhões” e diz que aliados europeus e Canadá já gastam 4% do PIB, resposta direta à pressão de Trump.
A meta de 5% do PIB até 2035 mantém-se, com exceção para Espanha, onde o PP cobra ao Governo uma posição clara.
Trump e Zelensky planeiam reunir-se em Ancara na tarde de quarta-feira para falar do fim da guerra na Ucrânia.
A notícia. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, anunciou esta segunda-feira em Ancara que a Aliança vai celebrar novos contratos de defesa no valor de “dezenas de milhares de milhões de dólares”. No mesmo dia, garantiu que os aliados europeus e o Canadá já gastam 4% do produto interno bruto em defesa, perto do nível dos Estados Unidos. A cimeira anual arranca terça-feira no Palácio Presidencial da capital turca, com Donald Trump entre os líderes dos 32 Estados-membros.
O que aconteceu. Rutte falou aos jornalistas na véspera do encontro. “Anunciaremos novos contratos no valor de dezenas de milhares de milhões de dólares que nos fornecerão equipamento essencial para a dissuasão e defesa”, disse. Reclamou dos aliados “planos claros, concretos e credíveis” para cumprir a meta acordada no ano passado: 5% do PIB até 2035, repartidos entre 3,5% para orçamentos militares e 1,5% para infraestruturas de mobilidade — estradas, pontes, portos. Espanha ficou com uma exceção de flexibilidade.
Porque importa. Há um ano que o presidente dos EUA acusa os europeus de investirem pouco e de não retribuírem o compromisso americano. A menos de uma semana da cimeira, Trump classificou como “ridículo” que os EUA continuem a manter uma relação “unilateral” com a Aliança, na sua rede Truth Social, e censurou os aliados por não o apoiarem na guerra com o Irão.
O peso do argumento vem também do que muda ao mesmo tempo. Os EUA planeiam reduzir as suas forças na Europa, o que empurra o contributo do continente para o centro da segurança coletiva. Rutte descreveu esta como uma das cimeiras mais importantes da história da organização.
A unidade sob tensão. A imagem de coesão não apaga as divergências. Em Madrid, o Partido Popular apresentou uma proposta no Congresso dos Deputados a exigir ao Governo espanhol uma “posição clara, comum e coerente” e uma “voz única” para Ancara. A proposta acusa o Executivo de opacidade no orçamento militar e aponta um dos parceiros da coligação, que defende a saída de Espanha da NATO. A ministra da Defesa, Margarita Robles, tinha respondido às críticas de Trump que os comandos da Aliança sabem que o país “está a cumprir”.
A véspera trouxe ainda uma ameaça de Moscovo. O Kremlin advertiu que a Polónia “faria bem em refletir sobre a sua segurança” se fornecer drones à Ucrânia, num aviso lançado enquanto os serviços americanos alertavam Varsóvia para possíveis provocações. É a tensão que corre por baixo dos anúncios de despesa.
E agora? Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tencionam reunir-se à margem da cimeira. Uma porta-voz do Governo dos EUA confirmou o encontro para a tarde de quarta-feira, para continuar a conversa telefónica que os dois tiveram no sábado, dia da independência americana. No mesmo fim de semana, Trump falou uma hora e meia com o presidente russo, Vladimir Putin, e ofereceu-se para ajudar a pôr fim à guerra. Zelensky classificou a chamada de “muito boa” e apontou uma “real perspetiva para acabar com esta guerra”. Kiev antecipa ataques massivos russos até quarta-feira.
Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Tempo de pegar de caras a crise transatlântica
O assunto mais importante do momento é devidamente escapelizado pelos analistas de toda a Europa.
Fiz um apanhado do que foi publicado nos últimos dias (ver imagem) usando um formato sintético expondo os principais pontos, novidades e fraturas. É de esperar que a VamoLáVer explore mais vezes este tipo de apanhado para os grandes temas transversais.
Tese principal
O que a NATO deve ser neste momento: um pacto de guerra liderado pelos EUA, uma plataforma mais ampla de segurança europeia ou um entendimento mais solto centrado na partilha de custos e na reforma industrial.
As linhas de argumentação
A Turquia é indispensável pela geografia e pelas ligações industriais de defesa, mas a repressão interna e a diplomacia coerciva limitam o grau de acomodação que a Europa lhe deve.
A base de aquisições da aliança é lenta e demasiado dependente dos EUA; os aliados precisam de normas comuns, mais capacidade e adopção mais rápida de drones e ciberdefesa.
A Ucrânia mostrou que dados, sensores e adaptação contam mais no campo de batalha, pelo que a Europa deve criar sistemas soberanos e não ficar presa a plataformas legadas.
A fratura
A divisão está em saber se a NATO continua centrada no poder dos EUA e na dissuasão clássica, ou se passa a assentar na capacidade industrial europeia, em autonomia tecnológica e numa linha mais dura.
O que é novo
O debate da cimeira saiu da unidade abstracta para questões concretas sobre IA, guerra de drones, comando digital, influência turca e o modelo de produção de guerra da Ucrânia.
Porque importa à Europa
Os governos europeus são pressionados a escolher entre mais despesa com os velhos hábitos de contratação ou um modelo de defesa mais rápido e menos dependente de Washington.
O Kremlin passou a chamar “guerra” ao que faz na Ucrânia
Pela primeira vez, o Kremlin chamou “guerra” à sua agressão contra a Ucrânia, abandonando o termo “operação militar especial”.
A mudança de linguagem coincide com contactos de Trump com Zelensky e Putin e com um novo ataque russo com mísseis e drones.
O que aconteceu. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a agressão russa contra a Ucrânia já não pode ser descrita como uma “operação militar especial”, mas sim como uma guerra. É a primeira vez que Moscovo aplica a palavra guerra ao conflito.
O peso da palavra. Desde o início da invasão, o governo russo recusou o termo “guerra”. Falava em “operação militar especial”, designação usada para justificar as ações militares na Ucrânia. Peskov abandonou essa fórmula. A admissão, feita pelo homem que fala em nome de Vladimir Putin, muda o vocabulário oficial que Moscovo manteve durante todo o conflito.
A diplomacia por cima. A mudança de linguagem chega enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, fala com os dois lados. À margem das comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos, Trump manteve conversações com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e com Putin sobre uma possível ajuda norte-americana para pôr fim à guerra, segundo a Reuters.
A guerra não parou. Na noite de sábado para domingo, a Rússia lançou contra a Ucrânia um míssil H-31, três mísseis H-59/69 e 125 drones, segundo a Força Aérea ucraniana. A defesa antiaérea abateu três dos mísseis e 112 drones. O H-31 falhou o alvo.
O que dizem em Varsóvia. Sławomir Sierakowski, da “Krytyka Polityczna”, afirmou que Rússia e Ucrânia estão numa “zona de morte”, onde qualquer avanço só chega com grandes perdas, e previu um possível ponto de viragem, porque Moscovo já terá percebido que não conquistará a Ucrânia. Jacek Czarnecki, da Polskie Radio, notou que o verão permite à Rússia adiar negociações enquanto mantém os ataques. Dominika Wielowieyska, da “Gazeta Wyborcza”, considerou que Putin não admitirá derrota e continuará o conflito, salvo pressão dos oligarcas para concessões.
A operação de “influência” de 40 dias que Zelensky aprovou a 25 de junho para pressionar Moscovo a terminar a guerra continua em curso.
🌍 Hamas dissolve o governo de Gaza mas não larga as armas
O Hamas anunciou esta segunda-feira a dissolução do órgão que governava a Faixa de Gaza há quase 20 anos. O chefe do comité de emergência apresentou a demissão e um comité tecnocrático palestiniano deverá assumir a administração civil do enclave.
Falta o essencial. O desarmamento do grupo continua bloqueado: o Hamas só entregará as armas no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, posição que Israel rejeita.
Israel já reagiu, chamando à medida uma “manobra para ganhar tempo”. A dissolução estava prevista no plano de paz de 12 pontos mediado por Donald Trump em outubro, paralisado desde então.
O Hamas diz esperar que o comité entre “em breve”. O comité diz-se preparado, mas só quando tiver os recursos necessários.
🇮🇱 Governo israelita recusa-se a cumprir uma decisão do Supremo pela primeira vez
O Governo de Benjamin Netanyahu anunciou este domingo que não reconhece uma sentença do Supremo Tribunal de Israel. É a primeira vez que o executivo israelita declara formalmente que não acata uma decisão do mais alto órgão judicial do país.
O litígio nasceu de uma disputa sobre o quórum do regulador da radiodifusão comercial. Mas foi a desconsideração pelo poder judicial que fez soar os alarmes de crise constitucional.
O presidente israelita, Isaac Herzog, avisou que ignorar decisões judiciais é uma “linha vermelha que não deve ser ultrapassada em circunstância alguma”. Yair Lapid, líder da oposição, classificou a medida de “criminosa” e ligou-a ao calendário: faltam poucos meses para as eleições.
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett apelou para que o Governo recue.
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Plataforma dos exames bloqueada até às 15h e pais pedem anulação das provas
A plataforma de correção dos exames ficou bloqueada até às 15h de 6 de julho, no dia em que pais lançaram uma petição a pedir a anulação das provas.
O BE propõe comissão de inquérito; o PSD aceita audições mas recusa a CPI; a IL questiona o calendário do acesso ao superior.
O Ministério anunciou acesso automático e gratuito dos alunos à prova digitalizada e à classificação, sem necessidade de pedir consulta.
A plataforma onde os professores corrigem os exames nacionais amanheceu bloqueada esta segunda-feira. Um aviso de “manutenção”, com reabertura marcada para as 15 horas, impediu os classificadores de trabalhar. No mesmo dia, um grupo de encarregados de educação lançou uma petição a exigir a anulação dos Exames Nacionais 2026. Ao final da manhã já tinha mais de 1.200 assinaturas.
O bloqueio. Os docentes tentaram entrar na plataforma e depararam-se com a mensagem de manutenção, confirmou Cristina Mota, do movimento Missão Escola Pública. Na quinta-feira anterior, vários classificadores já tinham relatado que itens dados por corrigidos desapareciam das suas contas ou apareciam avaliados por outros. É a primeira vez que as mais de 300 mil provas do ensino secundário são digitalizadas antes de chegarem aos professores.
A petição. Os pais escrevem que não contestam a modernização, mas “a implementação apressada, sem testes adequados”. Reclamam a anulação das provas “sem qualquer prejuízo para os alunos” caso não seja possível garantir “a correção integral e rigorosa”. Invocam a violação do princípio da igualdade, previsto no artigo 13.º da Constituição, e a responsabilidade objetiva do Estado pelas falhas técnicas. A associação de pais da Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, dirigiu à Assembleia da República uma carta aberta a pedir a garantia formal de que nenhum aluno será prejudicado e a ponderação de adiar a segunda fase para setembro.
O calendário. Na sexta-feira, o Ministério da Educação já tinha empurrado tudo. Os professores passaram a ter até 14 de julho para classificar, em vez de 10. As pautas da primeira fase saem a 17, três dias mais tarde. A segunda fase arranca a 20 e não a 16. As candidaturas ao ensino superior mantêm-se a 20 de julho, garante a tutela. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), avisou que o dia 17 é “o dia D”: se as pautas não saírem, “as coisas ficam, de facto, péssimas”.
No Parlamento. O Bloco de Esquerda propôs no domingo uma comissão parlamentar de inquérito. Fabian Figueiredo, deputado único do BE, quer apurar as “decisões, contratações e responsabilidades” na classificação digital de 2025 e 2026, e enviou mais de 20 perguntas ao ministro. Exige que Luís Montenegro fale ao país: “É tempo de tirarem a cabeça da areia”, desafiou. O PSD trava a comissão de inquérito, mas abre a porta a audições. “Se o BE quiser ouvir o ministro, os responsáveis pelas empresas de informática, nós viabilizaremos todas as audições”, afirmou Hugo Soares, líder da bancada social-democrata, recusando “uma lógica de fazer política”. O PCP e o PS não afastam a comissão de inquérito, mas colocam a resolução do problema à frente. A Iniciativa Liberal perguntou a Fernando Alexandre se pondera adiar o calendário do acesso ao ensino superior. A pergunta chega dois dias depois de o ministro ter garantido no Parlamento que não estavam previstas mudanças no cronograma — antes de o Ministério anunciar o adiamento das avaliações.
A resposta do Governo. O ministro da Educação, Ciência e Inovação sustenta que os principais constrangimentos técnicos “estão, na sua maioria, ultrapassados”. Na audição da semana passada, tinha classificado como “falsas” a maioria das falhas relatadas pelos professores. José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, exige um pedido de desculpas do primeiro-ministro: “Eu, se fosse primeiro-ministro, nesta altura já tinha vindo pedir desculpa às famílias portuguesas.”
A notícia mais recente: acesso automático. O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, anunciou que os alunos vão ter acesso automático e gratuito à sua prova digitalizada e à respectiva classificação, no mesmo dia em que as notas forem divulgadas — sem precisarem de pedir consulta ou reapreciação, através de um link a partir da plataforma de classificação. “É uma condição que nos parece essencial para a credibilidade do sistema com o ruído que existe neste momento”, disse Fernando Alexandre. O acesso não substitui o direito à reapreciação, que os alunos podem continuar a requerer.
Cronograma da crise dos exames nacionais (16 de junho — 6 de julho de 2026)
16 de junho — Arranca a primeira fase dos exames nacionais do secundário (até 26 de junho), com mais de 81 mil alunos a fazer Português. Pela primeira vez, correção 100% digital após digitalização das provas.
19 de junho — EduQA rejeita queixa de que um item do exame de Português violou o princípio da equidade (reproduzia exercício de manual da Leya).
23-28 de junho — Atrasos na distribuição de credenciais de acesso à plataforma. Professores recebem provas incompletas (folhas em falta, respostas cortadas). Fenprof regista convocatórias erradas — incluindo de uma professora falecida.
27 de junho — PS exige ao ministro “palavra de tranquilidade” antes da audição parlamentar de 1 de julho.
28 de junho — Fenprof considera “inaceitável” a desresponsabilização do Ministério. MetaPROF lança plataforma “Exames 2026: O caos documentado” com 59 casos reportados.
29 de junho — Fernando Alexandre garante que a correcção está dentro dos prazos e que “nenhum aluno será prejudicado”; atribui problemas a agrafos nos códigos QR.
1 de julho — Em audição parlamentar, o ministro diz que a “maioria” das falhas relatadas é “falsa”. Chega confronta o Governo.
3 de julho — Ministério adia prazos (correcção para 14/7, pautas para 17/7, segunda fase para 20-24/7). BE apresenta proposta de comissão de inquérito; PSD disponível para audições.
4 de julho — Carneiro (PS) exige desculpas de Montenegro. S.O.S Escola Pública acusa o ministro de mentir sobre o número de provas por corrigir.
5 de julho — Classificadores denunciam provas ilegíveis e com caligrafias diferentes. BE formaliza a CPI; PCP e PS não se opõem mas priorizam resolução imediata; PSD mantém-se disponível sem apoiar a CPI.
6 de julho — Plataforma fica em manutenção até às 15h. ANDAEP alerta que novo atraso “será fatal”. Encarregados de educação lançam petição (1.200+ assinaturas) a pedir a anulação dos exames.
💶 Só 5% dos concelhos escaparam à escalada das rendas
Ao longo da década, só 5% dos concelhos portugueses tiveram subidas da renda mediana abaixo de 40%. Todos são pequenos ou médios. As maiores subidas concentram-se no litoral alentejano — também polo industrial e tecnológico —, no Algarve e nos concelhos madeirenses do Funchal e de Santa Cruz, todos com forte procura turística.
Lisboa é o maior município com a subida mais suave: mais 42,5% na década. Mas já partia de uma base cara, o que dilui o salto.
O contraciclo é raro: só 18 concelhos registaram abrandamento nos novos contratos até março. Ainda assim, a pressão homóloga já abrandou em 17 dos 24 grandes municípios do país. É nas zonas turísticas do litoral que o fosso acumulado da década continua a alargar-se.
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💶 MEE avisa que zona euro pode entrar em recessão em 2027
O Mecanismo Europeu de Estabilidade traçou esta segunda-feira o cenário adverso: tensões geopolíticas prolongadas e uma forte reavaliação dos activos dos Estados Unidos empurram a zona euro para uma recessão em 2027, com a inflação a intensificar-se ao mesmo tempo. O crescimento do PIB cairia para -0,4% nesse ano.
A cadeia é conhecida. O choque geopolítico eleva os preços da energia e penaliza consumo e investimento em 2026. No ano seguinte, uma correção nos mercados financeiros norte-americanos contagia a economia real, e a inflação torna-se mais persistente, chegando a 3,4%.
O MEE, fundo de resgate da moeda única, deixa o aviso no relatório “Observatório da estabilidade da zona euro 2026” e pede aos países disciplina orçamental sustentada.
🇪🇺 Metsola força segunda votação sobre lei que autoriza rastreio de plataformas
Roberta Metsola quer que os deputados voltem a votar uma lei já rejeitada: a que permite às tecnológicas escanear as suas plataformas em busca de material de abuso sexual infantil. Já tinha sido chumbada por preocupações com a privacidade. Volta agora a Estrasburgo por um procedimento pouco comum, pedido pelo Partido Popular Europeu, o partido de Metsola, que aumenta as hipóteses de aprovação.
O detalhe decisivo está no mecanismo. Se o Parlamento não reunir maioria absoluta para rejeitar ou alterar a proposta, a posição do Conselho da UE é adoptada automaticamente. Grupos de privacidade e especialistas em cibersegurança opõem-se.
A votação está marcada para quinta-feira.
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Itália discute se o próximo Presidente da República pode vir da direita
O centro-esquerda italiano exige que a Constituição antifascista seja critério na escolha do próximo Presidente da República. Braga, do PD, avisa contra um nome imposto pela direita sem consenso. Fratoianni, da Avs, sustenta que a presidência não é cargo para repartir entre partidos.
O gatilho foi Giorgia Meloni, que sugeriu ultrapassar o tabu de um chefe de Estado fora do centro-esquerda. Bersani respondeu a Meloni na mesma linha.
Contra este bloqueio surge Sabino Cassese, jurista, antigo ministro e juiz constitucional. Diz que nada na Constituição impede a direita no poder de eleger um dos seus para o Colle.
O critério para o Quirinal já divide o espectro político.
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Espanha desconfia dos juízes — nos dois sentidos
Nove em cada dez espanhóis acham que a Justiça não trata os políticos como os restantes cidadãos. É o dado central da nova Encuesta de Calidad de la Democracia do CIS, divulgada esta segunda-feira, feita a partir de mais de 4.000 entrevistas em junho, em plena onda de casos de corrupção.
Um segundo inquérito, do instituto 40dB, aprofunda o retrato: 82% consideram o sistema demasiado lento e pouco independente, só um terço confia na imparcialidade das decisões em casos políticos e 65,4% acredita que existe lawfare em Espanha.
A suspeita corre nos dois lados. Entre os inquiridos, 34,1% pensam que os juízes favorecem a direita e 16,3% que favorecem a esquerda. Um terceiro inquérito, da Ipsos para La Vanguardia, mostra que 60% dos espanhóis dizem que há juízes a fazer política — percentagem que sobe para 80% entre eleitores do PSOE e do Sumar.
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Alemanha prevê concluir apenas metade das casas de que precisa
O sector da construção alemão deverá concluir apenas cerca de 200 mil apartamentos em 2026. A necessidade anual é de 320 mil. O sector habitacional fala em “colapso” na construção nova; o GdW, associação do sector imobiliário, destaca que a situação se agrava face a 2025.
Mesmo as sociedades de habitação sem fins lucrativos enfrentam dificuldades financeiras para investir em novos projectos. É uma crise persistente no mercado imobiliário alemão.
Sem inversão, a oferta habitacional futura fica comprometida.
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Radar político
Vários dos sinais políticos europeus do dia convergem em processos judiciais e escrutínio sobre figuras no poder ou na oposição.
Em Espanha, mantém-se pendente a decisão de um juiz sobre a restrição de viagem imposta a Begoña Gómez, mulher de Pedro Sánchez, o que condiciona a agenda internacional do chefe do Governo. O executivo considera “impensável” que o juizado não resolva a questão, enquanto a acusação popular pede que Gómez testemunhe na peça sobre o contrato Barrabés, num caso de suspeita de corrupção.
Em França, a justiça prepara-se para decidir se Marine Le Pen pode candidatar-se à presidência em 2027 — uma decisão de “tudo ou nada” para o Reagrupamento Nacional, que, em caso desfavorável, poderá ter de recorrer a Jordan Bardella como alternativa.
No Reino Unido, Nigel Farage está sob pressão por alegadas doações não declaradas, incluindo cinco milhões de libras atribuídos a um fraudador condenado, o que colocou o Reform UK em modo de contenção. A BBC e a Associated Press reportam que as alegações recaem sobre a própria liderança do partido.
Na Alemanha, a AfD reelegeu Alice Weidel e Tino Chrupalla no seu congresso nacional, reafirmando a linha dura e a ambição de chegar ao governo.
Em Itália, Giorgia Meloni foi alvo de uma publicação de Donald Trump que evocava uma “ordem de restrição” contra ela, dias antes da cimeira da NATO. Segundo o Corriere della Sera, o Palazzo Chigi optou por não responder, e a imprensa italiana descreveu a mensagem como um fotomontagem/meme.
A Comissão Europeia prepara propostas de reforma do processo de alargamento, com o objectivo de recuperar a iniciativa num dossiê até agora dominado pelos Estados-membros e de rever as salvaguardas do processo de adesão.
Na Polónia, comentários de Karol Nawrocki sobre um “momento de terror” durante a campanha presidencial reacenderam o debate sobre um incidente de saúde ocorrido nessa fase, com pedidos de esclarecimento sobre a gestão da emergência.
Na Bélgica, o ministro da Saúde, Frank Vandenbroucke, propôs que o Ministério do Interior assuma a gestão da linha de emergência médica 1733, face às críticas à resposta às mortes associadas à onda de calor.
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